Agro Notícias
Certificação sanitária de origem da agropecuária de MT é prioridade do Indea
Das 42 ações que compõe o Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA), 14 já foram cumpridas em todo o estado de Mato Grosso. A equipe gestora composta por instituições públicas e privadas, presidida pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT), tem trabalhado desde o ano de 2017 para cumprir todas as exigências do plano estratégico até o ano de 2022, data prevista para a certificação do estado livre de febre aftosa sem vacinação.
“Mato Grosso não registra nenhum caso de febre aftosa desde 2006. A retirada da vacinação contra a doença, de forma coordenada e gradual, resultará em uma economia anual de R$ 86 milhões. Além disso, abrirá novos mercados para a carne mato-grossense. Estamos preparados para esta nova etapa da pecuária no Estado”, afirma César Miranda, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico.
Segundo Felipe Peixoto, médico veterinário do Indea/MT, a garantia para o recebimento desse status sanitário passa pelo cumprimento das metas do plano estratégico, do fortalecimento das ações, do alcance da nota necessária na auditoria do Serviço Veterinário Oficial (SVO) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e eficiência nos serviços de defesa animal.
“Precisamos dar sustentabilidade ao processo para a manutenção do status livre sem vacinação. Após o cumprimento de todas as etapas, será submetido o pleito para alcançar o status de livre sem vacinação com reconhecimento internacional pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A certificação só é entregue mediante o cumprimento de rigorosos critérios do Mapa e da OIE”, explicou Felipe.
O plano de ação do PNEFA compreende estratégias antes, durante e após a certificação livre sem vacinação. De acordo com o veterinário, estão previstas ações para mitigar os riscos. “Os estudos de circulação demonstram ausência do vírus da febre aftosa há anos. Com o fortalecimento do serviço da defesa sanitária e animal, com o cumprimento das metas propostas pelo plano e com a colaboração do produtor com notificação de suspeita de doença de forma imediata ao Indea, acreditamos que daremos sustentabilidade do processo e uma mitigação das vulnerabulidades. Toda a cadeia produtiva está ciente que a retirada da vacinação, bem como a manutenção do status depende do comprometimento de todos os envolvidos”.
Quanto à preocupação com a fronteira seca entre Mato Grosso e Bolívia, Felipe esclarece que há anos é feito um monitoramento com rigidez dos animais do país vizinho e que este também está buscando o status de livre de aftosa sem vacinação.
E sobre uma possível reintrodução da febre aftosa em Mato Grosso, Felipe explicou que o plano prevê todas as medidas para identificação e para debelar um possível foco, com aumento da vigilância passiva, no caso do pecuarista, e da vigilância ativa, dos órgãos de fiscalização, monitoramento e defesa sanitária.
Para atuação nesses casos existe um plano de contingência e treinamentos em emergência sanitária. Os produtores têm que estar bastante atentos e qualquer suspeita de doença no território mato-grossense, notificar imediatamente ao Indea, que por sua vez realizará atendimento e avaliará o caso. “Existem várias ações e toda uma estruturação para atendimento dessas ações no caso de emergência sanitária. Inclusive a previsão das interações com outras instituições, como defesa civil, segurança pública e iniciativa privada”, finaliza o especialista.
GOV DE MT
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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