Agro Notícias
Biotecnologia para soja combate as principais lagartas da cultura
Pragas como as lagartas e plantas daninhas como buva são responsáveis, todas as safras, por perdas na produtividade de soja nas lavouras brasileiras. Segundo a Embrapa, as lagartas podem comprometer de 30 a 50% de uma lavoura e um estudo recente da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com análise de duas safras, mostrou que em áreas não afetadas por buva a produtividade ficou em 69,7 sacas/hectare, enquanto aquelas que cresceram junto com a buva não passaram de 40 sacas. E a expectativa é que, na próxima safra, o Brasil colha um recorde da oleaginosa. Segundo dados da Conab são esperados 120,8 milhões de toneladas.
Para auxiliar o produtor a Bayer está lançando a terceira geração da biotecnologia Intacta 2 Xtend®. A tecnologia protege contra duas das principais lagartas: a Helicoverpa armígera e a Spodoptera cosmioides, somando essas às outras quatro espécies de legartas que já eram atacadas pela geração anterior. Além disso a tecnologia é tolerante a dois importantes herbicidas: Glifosato e Dicamba, permitindo um controle mais amplo das plantas daninhas. O estudo a respeito já dura 15 anos e nesta safra áreas de teste foram plantadas em todas as regiões produtoras do país. Foram 254 propriedades com cerca de 5 hectares cada, sendo 19 destes pontos chamados de Lab Farm, áreas experimentais especiais. Pesquisadores e técnicos observam essas áreas de perto e também orientam para aplicação correta de defensivos como o Dicamba. “Queremos dar mais um salto de produtividade na soja, com mais proteção que essa tecnologia oferece. Os estudos finais estão feitos nessa safra e na próxima para que possamos lançar na safra 21/22”, destaca André Menezes, gerente de Portfólio Dicamba da Bayer.
Manejo inteligente
Dias de campo estão acontecendo nos principais Estados produtores como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e São Paulo. A expectativa é reunir cerca de 10 mil produtores para mostrar como a biotecnologia funciona na prática e as medidas que ele deve tomar para extrair o máximo de potencial da cultura. Inicialmente, em um caminhão, eles conhecem as características da Intacta 2 Xtend®, baseada em cinco frentes: biotecnologia de última geração, amplo controle de plantas daninhas, alta eficiência contra lagartas, genética avançada e manejo inteligente. Neste último quesito eles recebem dicas de como realizar o manejo do Dicamba de forma a extrair o máximo do potencial do herbicida.
Além de utilizar a tecnologia correta, com o produto correto é preciso fazer um manejo eficiente com foco em resultados. Entre os conhecimentos repassados estão orientações técnicas de como aplicar o produto, o equipamento adequado quanto ao tamanho de barra e a importância de revisar o equipamento antes da aplicação para obter bom desempenho técnico e com economia. Os produtores podem observar o desempenho de aplicação com diferentes tipos de bico, vendo como esse item faz a diferença para ter menos deriva. “Tem os tecnologias de aplicação testadas a campo em todas as regiões, respeitando as diferenças locais. Não queremos que nada chegue ao produtor com dúvida”, ressalta Fernando Martins, engenheiro agrônomo e Coordenador Técnico da Cotrijal, cooperativa de Não-Me-Toque (RS).
Nova formulação
O Dicamba é um herbicida conhecido dos produtores e que pode ser aplicado no pré-plantio e como pós-emergente, oferecendo amplo controle de plantas daninhas de folhas largas como buva, caruru, corda-de-viola e picão-preto. A Bayer está trazendo ao mercado uma nova formulação do herbicida. Entre as características a redução de até 13 vezes no índice de volatilidade da gota, o que facilita a pulverização.
Durante os dias de campo os produtores também acompanham na prática uma aplicação com produto mostrando a diferença da escolha do bico correto para que gere uma gota ultra-grossa, ideal para não gerar deriva com o Dicamba. O sojicultor Felipe Bisognin, de Jaboticaba, norte gaúcho, acompanhou atento às novas informações. “A gente vem sofrendo muito com lagarta e buva e a informação que nos leva a melhorar o que já temos e alcançar a produtividade que tanto trabalhamos para ter. Acho que a nova tecnologia é perfeitamente adaptável ao nosso negócio e esperamos que saia logo para que possamos experimentar”, completa.
Agrolink
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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