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Saúde

Conferência mundial sobre HIV/Aids apresenta implante como método de prevenção

Diversas novidades foram apresentadas, como um implante para evitar o contágio ou um tratamento com menos medicamentos.

Nos últimos anos, o conceito de tratamento preventivo, ou profilaxia pré-exposição (PrEP), revolucionou a prevenção contra o vírus da AIDS. A prioridade é dada a certas populações, como homens que se relacionam com homens sem proteção ou prostitutas.

No futuro, o mesmo resultado poderá ser alcançado sem passar por um tratamento contínuo graças a um implante de “ação prolongada”. O primeiro teste clínico em seres humanos, descrito pela IAS como “preliminar, mas promissor”, estabeleceu após 12 semanas de uso que foi bem tolerado pelos 16 participantes.

Segundo seu autor, um pesquisador do laboratório americano Merck&Co, o implante poderia continuar a fornecer uma dose suficiente para “pelo menos um ano”. Mais estudos ainda terão de ser feitos para mostrar se o dispositivo oferece o mesmo nível de proteção ao HIV que os comprimidos. De qualquer forma, essa “poderia ser uma solução promissora para aqueles que têm dificuldades de cumprir o tratamento diário”, segundo o presidente da IAS, Anton Pozniak.

A conferência também foi a ocasião de apresentar um novo estudo sobre a aceitação e a eficácia da PrEP de anel intravaginal, que distribui um medicamento antirretroviral, a dapivirina, por um mês. “Estamos criando novas ferramentas que se adaptam às realidades da vida das pessoas”, afirmou Pozniak.

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Alívio para quem vive com HIV

Vários projetos também buscam aliviar o cotidiano dos pacientes soropositivos e reduzir o custo do tratamento, mantendo o vírus inativo. As injeções antirretrovirais devem permitir, a partir de 2020, substituir os comprimidos diários por uma aplicação semanal. Outra opção apresentada durante a IAS é não tomar a terapia tripla todos os dias, mas em dias alternados, ou até menos.

Conduzido pela Agência Nacional Francesa de Pesquisa sobre a Aids, um estudo procurou revelar a eficácia de tomar comprimidos por quatro dias por semana. A redução da “carga de medicamentos” das pessoas com HIV também pode ser alcançada diminuindo para duas moléculas em vez de três.

Riscos para gestante

Na conferência, foram apresentados novos dados sobre o uso do antirretrovial dolutegravir (DTG) nas mulheres grávidas, ou em idade fértil. Comercializado pelo grupo ViiV Healthcare, este medicamento está no centro das atenções desde o ano passado, após a publicação de um estudo em Botsuana que destacou os perigos de más-formações cerebrais e da medula espinhal em crianças e mulheres tratadas com esta molécula (4 casos a cada 426 gestações).

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Esses resultados criaram um dilema, porque o DTG é um dos melhores tratamentos contra o HIV atualmente no mercado. Ele é mais eficaz e mais fácil de usar do que outros medicamentos, além de ter menos efeitos colaterais e menos resistência.

Estudos adicionais apresentados esta semana tendem a mostrar que o risco de má-formações é, finalmente, “inferior ao relatado no ano passado”, com três nascimentos a cada 1.000 em Botsuana – contra um em cada 1.000 com outros medicamentos. Uma pesquisa brasileira não relatou nenhum caso.

Com base nisso, a OMS “recomenda fortemente que o dolutegravir seja a opção de tratamento preferencial para o HIV”, mesmo para as mulheres em idade fértil, “devido aos enormes benefícios que proporciona”. Mas a organização internacional destaca a importância de informar as mulheres sobre os riscos e de dar acesso aos serviços de planejamento familiar.

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Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

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A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

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“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

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