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Política

Pesquisa: Com crescimento de Fagundes e Jayme, aumenta a chance de 2º turno em MT

A mais recente pesquisa de intenção de votos para o Governo de Mato Grosso reforçou a tendência de fortalecimento das candidaturas de oposição e acendeu um sinal de alerta no grupo político que comanda o Palácio Paiaguás desde 2019. O levantamento, da Percent Brasil, mostra crescimento dos senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União).

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece estagnado e sem conseguir converter em votos o capital político do ex-governador Mauro Mendes (União).

Segundo os números, Wellington passou de 25% para 29% das intenções de voto, em comparação à pesquisa realizada em fevereiro.

Jayme Campos registrou crescimento ainda mais expressivo, saltando de 15% para 20,7%, consolidando-se como um dos principais nomes da disputa.

Pivetta, por outro lado, apresentou leve recuo, oscilando de 14% para 13,2%.

O desempenho dos dois senadores fortalece a percepção de que a eleição de 2026 poderá ser a mais competitiva da história recente de Mato Grosso.

Pela primeira vez desde a Constituição de 1988, o Estado caminha para uma disputa em dois turnos para o Governo estadual.

Até hoje, todos os governadores eleitos em Mato Grosso venceram ainda no primeiro turno.

Analistas políticos observam que o crescimento de Wellington Fagundes pode estar relacionado à recente aproximação pública com o bolsonarismo nacional.

A visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Norte Show, em Sinop (503 km ao Norte de Cuiabá), no final de abril, é vista como um movimento estratégico para consolidar o nome do parlamentar, dentro do campo conservador.

Durante a passagem por Mato Grosso, Flávio participou de encontros reservados com empresários do agronegócio e reafirmou apoio à pré-candidatura de Wellington ao governo estadual.

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Jayme Campos também aparece em trajetória ascendente.

O senador intensificou viagens pelo interior do Estado e vem reafirmando publicamente sua disposição de disputar o comando do Palácio Paiaguás.

O avanço acima da margem de erro reforça a leitura de que sua candidatura ganhou musculatura política. Inclusive, dentro de setores que anteriormente demonstravam resistência ao seu nome.

A pesquisa também revelou um cenário delicado para o grupo liderado por Mauro Mendes.

Apesar de o ex-governador aparecer na liderança das intenções de voto para o Senado, com média de 27,6% considerando primeiro e segundo votos, esse desempenho não tem sido transferido para Otaviano Pivetta.

Mauro registra 41,6% no primeiro voto para o Senado, enquanto Pivetta aparece com apenas 13,2% para o Governo, uma diferença significativa que evidencia dificuldades de alinhamento eleitoral entre as candidaturas majoritárias.

Nos bastidores, aliados do atual grupo político já admitem preocupação com o desgaste natural de sete anos consecutivos no comando do Executivo estadual.

A expectativa de que a alta aprovação de Mauro Mendes automaticamente impulsionaria o nome de Pivetta ainda não se confirmou nas pesquisas.

Outro fator que contribui para a possibilidade de segundo turno é a fragmentação da disputa.

O levantamento da Percent Brasil identificou oito nomes colocados como pré-candidatos ao Governo: Wellington Fagundes, Jayme Campos, Otaviano Pivetta, Natasha Slhessarenko (PSD), Marcelo Maluf (Novo), Sargento Laudicério (PP), Alex Pucinelli (Democratas) e Rafael Millas (Avante).

Além deles, outros nomes devem entrar nas próximas sondagens, como o professor e geólogo Caiubi Kuhn (PDT) e Maurício Coelho (Mobiliza).

A pulverização das candidaturas reduz as chances de um único concorrente atingir os mais de 50% dos votos válidos necessários para vencer ainda no primeiro turno.

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A presença da médica Natasha Slhessarenko no cenário eleitoral também chama atenção.

Identificada como uma candidatura de centro-esquerda e alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Natasha pode atrair parcela importante do eleitorado progressista em Mato Grosso, ampliando ainda mais a divisão de votos entre os candidatos de direita e centro-direita.

Mesmo sendo historicamente um Estado conservador, Mato Grosso apresenta um cenário eleitoral mais complexo do que em eleições anteriores.

Nas eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro recebeu mais de 59% dos votos no primeiro turno no estado e chegou a 65% no segundo turno, enquanto Lula ficou abaixo de 35%.

Esse histórico reforça a predominância da direita no estado, mas também evidencia a possibilidade de fragmentação entre diferentes correntes conservadoras.

Para cientistas políticos, ainda é cedo para previsões definitivas.

A campanha oficial sequer começou, e o comportamento do eleitorado pode mudar conforme alianças forem consolidadas e os candidatos ampliarem presença nas ruas e nas redes sociais.

Ainda assim, os números da Percent Brasil já indicam um ambiente eleitoral altamente competitivo e sem favoritismo absoluto.

A pesquisa Percent Brasil ouviu 1.200 eleitores entre os dias 30 de abril e 3 de maio, em entrevistas domiciliares distribuídas pelas sete macrorregiões de Mato Grosso.

O levantamento possui margem de erro de 2,83 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

O estudo foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06232/2026. (Diário de Cuiabá)

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Cidades

Sinop e Nortão podem ter apenas Juarez Costa como representante na Câmara Federal

Deputado chega à disputa com apoio de mais de 60 prefeitos, enquanto Nilson Leitão enfrenta uma das chapas mais competitivas e outros nomes da região dependem da difícil matemática eleitoral
por Daniel Trindade

Sinop e o norte de Mato Grosso podem chegar a 2027 com uma representação reduzida na Câmara dos Deputados. No cenário político atual, entre os principais candidatos diretamente ligados à região, Juarez Costa (Republicanos) aparece em posição mais consolidada para conquistar uma das oito cadeiras destinadas a Mato Grosso.

A situação chama atenção pelo contraste. Sinop se consolidou como um dos principais polos econômicos e populacionais do Estado, enquanto o Nortão concentra municípios de forte participação no agronegócio, comércio, indústria e serviços. Esse peso, porém, não necessariamente se traduzirá no mesmo tamanho de representação política em Brasília.

Juarez Costa chega à eleição buscando o terceiro mandato consecutivo de deputado federal. Antes de Brasília, foi vereador, deputado estadual e prefeito de Sinop por dois mandatos.

Além do mandato e da base eleitoral construída no Nortão, Juarez entra na campanha com uma rede política que ultrapassa a região. Segundo informações apuradas pela reportagem, sua candidatura reúne o apoio de mais de 60 prefeitos de diferentes municípios de Mato Grosso.

A capilaridade ajuda a explicar por que Juarez parte em situação diferente dos demais candidatos ligados a Sinop.

Ter dezenas de prefeitos apoiando uma candidatura não significa transferência automática de votos nem garante eleição. Representa, entretanto, presença política em diferentes municípios, articulação com lideranças locais e possibilidade de buscar votos muito além da base tradicional do candidato.

Dentro do Republicanos, Juarez chega como um dos principais nomes na disputa por uma cadeira de deputado federal.

É justamente depois dele que o cenário do Nortão começa a ficar mais incerto.

Entre os nomes do Republicanos está Acácio Ambrosini, ex-presidente da Câmara de Sinop e liderança política do município. Sua possibilidade de chegar a Brasília passa não apenas pela votação individual que conseguir construir, mas também pelo desempenho coletivo da legenda.

Caso o Republicanos alcance votação suficiente para conquistar mais de uma cadeira, abre-se a disputa interna por uma eventual segunda vaga. Nesse cenário, Acácio aparece entre os nomes da região que buscarão esse espaço.

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No caso de Nilson Leitão (PP), a dificuldade está em outra chapa.

Ex-prefeito de Sinop e ex-deputado federal por dois mandatos, Nilson possui uma das trajetórias políticas mais conhecidas do norte de Mato Grosso e tenta retornar à Câmara depois de oito anos fora do Legislativo federal.

O desafio está na União Progressista, federação formada por União Brasil e Progressistas.

Virginia Mendes (União Brasil) chega à disputa como uma das principais apostas políticas da federação para a Câmara. A chapa ainda reúne candidatos conhecidos e com bases eleitorais próprias, entre eles Gisela Simona, além de outros nomes que disputarão os mesmos votos necessários para ocupar as cadeiras conquistadas pela federação.

Isso significa que Nilson trava duas eleições ao mesmo tempo.

Primeiro, precisa que a União Progressista obtenha votação suficiente para conquistar cadeiras na Câmara. Depois, precisa ficar entre os candidatos mais votados da própria federação para ocupar uma delas.

Se a União Progressista conquistar apenas uma cadeira, Nilson terá de superar Virginia e todos os demais integrantes da nominata.

Mesmo em um cenário de duas vagas, seu retorno a Brasília não estaria automaticamente garantido. Nilson ainda precisaria terminar entre os dois candidatos mais votados de uma chapa com forte concorrência interna.

É justamente essa matemática que torna diferente a situação dos dois ex-prefeitos de Sinop que disputam uma cadeira federal.

Juarez entra na eleição com mandato, uma base regional consolidada e, segundo apuração da reportagem, apoio de mais de 60 prefeitos espalhados por Mato Grosso.

Nilson tem história eleitoral, reconhecimento e forte ligação com Sinop e o Nortão, mas precisa encontrar espaço dentro de uma federação que reúne candidaturas competitivas e na qual Virginia Mendes concentra forte expectativa política.

Isso não significa que Nilson esteja fora da disputa.

A campanha ainda pode modificar completamente o cenário, o eleitorado para deputado federal permanece bastante indefinido e a eleição proporcional depende de uma combinação entre votação individual e desempenho de cada partido ou federação.

A mesma cautela vale para Acácio Ambrosini e para outros candidatos ligados ao norte de Mato Grosso.

Há nomes da região distribuídos por diferentes chapas. A existência dessas candidaturas, porém, não significa necessariamente que o Nortão conseguirá transformar seus votos em várias cadeiras.

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Esse é justamente o ponto central da eleição para a região.

Mato Grosso elege somente oito deputados federais. Cada cadeira conquistada por um candidato cuja principal base política esteja em outra região do Estado reduz o espaço disponível para que o Nortão amplie sua representação.

Para Sinop, o resultado tem peso especial.

O município ultrapassou a condição de cidade-polo do norte mato-grossense e se tornou um dos principais centros econômicos do Estado. Ao redor dele está uma região que cresceu rapidamente e possui demandas diretamente relacionadas ao Governo Federal.

BR-163, Ferrogrão, infraestrutura aeroportuária, saúde de alta complexidade, universidades, segurança pública, habitação e investimentos federais estão entre os assuntos que passam, em diferentes níveis, pelo Congresso e pelo Orçamento da União.

Deputados não representam juridicamente apenas suas cidades ou regiões — são representantes de todo o Estado. Na prática política, entretanto, suas bases eleitorais exercem papel importante na definição das pautas, articulações e recursos que recebem atenção durante o mandato.

Por isso, a eleição de outubro também será uma disputa pela presença política do Nortão em Brasília.

Hoje, Juarez Costa aparece como o candidato diretamente ligado a Sinop que reúne a combinação mais favorável de mandato, estrutura política e capilaridade estadual.

Atrás dele, não existe a mesma segurança.

Nilson Leitão precisa superar uma forte concorrência dentro da União Progressista. Acácio Ambrosini depende de construir votação própria e também de um desempenho do Republicanos capaz de abrir espaço para mais candidatos. Outros nomes do Nortão enfrentam cálculos semelhantes em suas respectivas chapas.

Nada disso permite antecipar o resultado das urnas.

Mas permite mostrar uma fotografia do momento.

No atual desenho da eleição proporcional, existe uma possibilidade concreta de Sinop e o Nortão chegarem a 2027 tendo Juarez Costa como o único deputado federal entre os principais nomes com base política diretamente vinculada à região.

Para uma região que ganhou população, aumentou sua participação econômica e ampliou sua influência dentro de Mato Grosso, a eleição colocará uma pergunta importante diante dos eleitores: o crescimento do Nortão também será convertido em representação política em Brasília?

A resposta virá das urnas em outubro.

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