Política
Pacotão de projetos do governo de MT é aprovado pelos deputados em sessão noturna após protesto
A contragosto dos servidores públicos estaduais e de setores da economia, como o agronegócio, os deputados aprovaram na sessão noturna dessa quinta-feira (24) o pacotão de projetos de autoria do governo Mauro Mendes (DEM), para condicionar o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores, receber contribuição dos produtores rurais por meio do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), extinguir nove secretarias e cinco autarquias, criar uma nova versão da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), entre outras medidas.
Veja os projetos aprovados:
- Reforma administrativa: A reforma prevê a redução de 24 para 15 secretarias, extinção de quatro autarquia de mudanças na Empaer e Desenvolve MT;
- Novo Fethab: A nova edição estima aumentar em 30% do valor arrecadado, que corresponde a um acréscimo de R$ 450 milhões;
- Versão da LRF: A nova Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) prevê um plano de recuperação fiscal estadual, barrando a criação de novas despesas onde não há previsão de arrecadação ou fonte de pagamento;
- MT Prev: A lei permite que estudos para suprior o déficit da previdência estadual, estimado emR$ 1,2 bilhão;
- RGA: A nova legislação condiciona a concessão da RGA à capacidade financeira do estado;
- Calamidade financeira: Os parlamentares também aprovaram o decreto de calamidade financeira e no prazo de 180 dias o governo pode cortar despesas, recorrer ao governo federal e descumprir a LRF sem ser punido.
Durante toda a semana, houve protesto por parte dos servidores públicos contrários ao projeto que prevê o não pagamento da recomposição inflacionária. As manifestações na Assembleia Legislativa barraram as votações das propostas na data prevista, terça-feira (22), mas não impediu os deputados de votarem ainda durante esta semana. As medidas tramitaram em regime de urgência.
Conforme o governo as medidas visam enfrentar as dificuldades financeiras do estado, devido às despesas deixadas pelo governo anterior, de Pedro Taques (PSDB), da ordem de quase R$ 4 bilhões.
Com a reforma administrativa, reduz de 24 para 15 o número de secretarias. A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), que também estava prevista para ser extinta, conseguiu ficar de fora dos cortes, graças a uma emenda apresentada pelos deputados.
O prazo previsto para essa mudança é de té 90 dias. Nesse período, o estado deve elaborar um projeto de lei que transforme a Empaer em instituto, absorvendo os servidores efetivos e reduzindo em 40% os gastos com pessoal.
A lei também prevê que se a Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso S.A. (Desenvolve MT) apresentar um plano que demonstre sua viabilidade economica, em até seis meses, não poderá ser extinta.
Serão extintas a Central de Abastecimento do Estado de Mato Grosso (Ceasa), a Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), a Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) e a Agência de Desenvolvimento Metropolitano da Região do Vale do Rio Cuiabá (Agem).
De acordo com o governo, a reedição do Fethab deve garantir ao estado arrecadação de R$ 1,46 bilhão neste ano, ou seja, 30% a mais o total arrecadado anteriormente. Os recursos serão destinados à Secretaria de Infraestrutura para investimentos na manutenção das rodovias estaduais.
Além dos 30% destinados à Sinfra, 10% dos recursos do Fethab serão repassados ao MT PAR, enquanto o restante (60%) será aplicado nas áreas de saúde, educação, segurança pública e assistência social.
A nova Lei de Responsabilidade Fiscal prevê um plano de recuperação fiscal estadual, barrando a criação de novas despesas onde não há previsão de arrecadação ou fonte de pagamento.
Além disso, a Assembleia aprovou a lei que trata do MT Prev. Com essa nova lei, a diretoria executiva do MT Prev, fundo de previdência dos servidores públicos estaduais, pode elaborar estudos e propor ao governador as medidas a ser tomadas para cobrir o rombo da previdência no estado, que, segundo o governo, ultrapassa a R$ 1,2 bilhão.
Os parlamentares também aprovaram o decreto de calamidade financeira. A medida prevê contenção de gastos e prioriza a utilização dos recursos públicos apenas nas despesas mais essenciais.
G1 MT
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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