Polícia
MPT coordena resgate de caseiro em condição análoga à escravidão no munícipio de Juína, em MT

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) promoveu, entre os dias 8 e 13 de junho, ação conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego (MPE), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para fiscalizar uma propriedade rural no munícipio de Juína (a 740 km de Cuiabá). A operação, articulada pela Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, possibilitou o resgate de idoso de 64 anos que exercia a função de caseiro em uma fazenda e se encontrava submetido a condições de trabalho análogas à escravidão.
Participaram da força-tarefa, entre outras autoridades, a procuradora do Trabalho Cibelle Costa de Farias e a coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Análogo à Escravidão Flora Regina Camargos Pereira, da Superintendência Regional de Emprego e Trabalho em Mato Grosso (SRTb/MT).
Resgate
De acordo com informações levantadas pela operação de resgate, o caseiro não possuía nenhuma documentação pessoal, sequer Certidão de Nascimento, bem como trabalhava há 16 anos no local sem carteira assinada e sem direito a salário, férias e décimo terceiro salário. À equipe, a vítima relatou que cuidava de ovelhas, galinhas, leitões e cavalos, sendo de sua responsabilidade alimentá-los até mesmo aos domingos. Tratava, ainda, da manutenção dos currais, hortas, cercas, gramados e jardins da propriedade.
Os proprietários do sítio confirmaram que não efetuavam pagamento ao funcionário sob a alegação de que o valor estaria sendo depositado numa conta bancária para adquirir uma casa para o trabalhador, o que não se confirmou. Além disso, os fazendeiros alegaram que forneciam roupas, sapatos e comida em “contrapartida” aos serviços prestados. Diante disso, foram notificados para regularização do trabalhador e para o pagamento das verbas trabalhistas.
Após solicitação da equipe, agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social da Prefeitura (SMAS) de Juína encaminharam o idoso para um abrigo e se comprometeram a fornecer a ele todo o apoio necessário e os devidos encaminhamentos para a emissão de seus documentos pessoais, contando com o apoio do MPT para tanto.
Segundo a coordenadora Pereira, fatores como a ausência de pagamento e a vulnerabilidade social causada pela falta de documentos (Certidão de Nascimento, Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, e Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS) levaram a equipe de fiscalização a concluir que o caseiro vivia submetido a trabalho em condição análoga ao de escravo.
A procuradora Farias, por sua vez, caracterizou que “o trabalhador idoso foi submetido a violência patrimonial extrema, porquanto no período de 16 anos não houve o pagamento do salário e demais direitos sociais vinculados à relação de emprego. É inquestionável que o empregado prestou serviços sem receber a totalidade dos direitos a que fez jus, tendo, em contrapartida, disponibilizado a sua força de trabalho. Além disso, é incontestável a dependência econômica e a vulnerabilidade do trabalhador em relação aos proprietários do imóvel rural”.
Características do trabalho escravo
De acordo com o artigo 149 do Código Penal brasileiro, quatro elementos podem caracterizar o trabalho escravo:
Condições degradantes de trabalho: quando a violação de direitos fundamentais fere a dignidade do(a) trabalhador(a) e coloca em risco sua vida. Costuma ser um conjunto de elementos irregulares, como alojamentos precários, péssima alimentação e falta de saneamento básico;
Jornada exaustiva: quando o(a) trabalhador(a) é submetido a esforço excessivo, sobrecarga ou jornadas extremamente longas e intensas que acarretam danos à sua saúde e segurança;
Trabalho forçado: quando a pessoa é mantida no serviço através de fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas;
Servidão por dívida: quando o(a) trabalhador(a) fica preso(a) ao serviço por causa de um débito ilegal (em geral, referente a gastos com transporte, alimentação, aluguel e equipamentos de trabalho, cobrados de forma abusiva).
Conaete
O MPT criou oito coordenadorias nacionais temáticas a partir das irregularidades mais graves e mais recorrentes enfrentadas pela instituição. Entre elas, está a Conaete, responsável por integrar as ações do órgão ministerial frente ao problema; fomentar a troca de experiências e discussões sobre o tema; e possibilitar a resposta ágil a essas formas de exploração. Em Mato Grosso, a Conaete é representada pelo procurador do MPT-MT Állysson Feitosa Torquato Scorsafava (titular) e pelo procurador regional do Trabalho Luiz Carlos Rodrigues Ferreira (suplente).
Polícia
Prisões de criminosos de facções crescem 318% na região de fronteira de Mato Grosso

O 6º Comando Regional da Polícia Militar de Mato Grosso aumentou em 318% o número de prisões de criminosos faccionados, nos primeiros quatro meses do ano de 2026. De janeiro a abril deste ano, 113 faccionados foram presos, enquanto no mesmo período do ano passado, 27 prisões foram registradas.
Os dados são referentes aos 11 municípios que fazem parte do 6º Comando Regional, que possui sede na cidade de Cáceres e faz fronteira com a Bolívia. Do número de faccionados presos, 63 foram conduzidos por homicídios consumados ou tentativas, que impediram que pelo menos 50 outros homicídios fossem cometidos na região.
Também foi registrado aumento de 450% na apreensão de armas de fogo, com 77 armas apreendidas no primeiro quadrimestre de 2026 e 14 armas apreendidas em 2025. No crime de tráfico de drogas, houve o registro de 100 ocorrências, 78% a mais do que no ano passado, resultando na apreensão de 75 quilos de entorpecentes e R$ 21,8 mil em dinheiro proveniente do crime, em 2026.
Além de Cáceres, o 6º Comando Regional é composto pelos municípios de Araputanga, Curvelândia, Glória d’Oeste, Indiavaí, Lambari d’Oeste, Mirassol d’Oeste, Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal, Rio Branco e Salto do Céu.
O comandante da regional, tenente-coronel Adão César Rodrigues Silva, enfatiza que os dados refletem as operações de combate às facções realizadas na região e os investimentos recebidos como viaturas, implantação de novas unidades e instalações de câmeras de monitoramento pelo programa Vigia Mais MT.
“Desde o começo do ano estamos com operações da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Segurança Pública com foco no combate às facções criminosas, impedindo crimes e detendo rapidamente esses infratores da lei. O 6º Comando Regional está com equipamentos e viaturas adequadas, implantamos unidade de motopatrulhamento do Raio e contamos com a eficiência das câmeras do Vigia Mais MT, que nos proporcionam mais agilidade e poder de ação contra o crime, trazendo mais segurança para nossa população”, afirma o tenente-coronel.
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