Mato Grosso
Judiciário aposta em Escola Inclusiva para não perder talentos para as ruas
De uma hora para outra a rotina de um adolescente de 13 anos* mudou. Estudante assíduo, passou a faltar às aulas, ir mal nas provas e suas notas despencaram. Cursando o 8º Ano do Ensino Fundamental II, da Escola Municipal Senador Darcy Ribeiro, no Jardim Industriário I, em Cuiabá, o aluno contou com o olhar atento do professor de Artes e padrinho da turma, Caíque Santos Silva, que percebeu a mudança comportamental, comunicou a unidade de ensino que pode intervir para manter o talento nos bancos escolares.
O estudante é o primeiro beneficiado pelo projeto piloto de prevenção à evasão escolar realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), por meio da Comissão Especial sobre Drogas Ilícitas do TJMT e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá (SME) e as escolas Darcy Ribeiro e Escola Municipal de Educação Básica do Campo (EMEBC) Nova Esperança, situada na Rodovia Cuiabá-Santo Antônio.
Foi por meio desse projeto que o caso do adolescente chegou ao conhecimento do Grupo de Trabalho de Prevenção e Tratamento da Dependência Química, formado pelo judiciário e representantes de segmentos envolvidos na questão, como prefeituras, secretarias, Governo do Estado, Assembleia Legislativa, associações terapêuticas e o judiciário.
Kono destaca que tradicionalmente, a luta antidrogas investiu na repressão, um pilar importante que deve continuar existindo, mas que não mostrou efetividade para inibir o suso de entorpecentes. “Temos que trabalhar meios de reduzir a demanda, e uma dessas formas são as escolas inclusivas, um ambiente escolar seguro e agradável que ofereça um leque maior de opções para as crianças e adolescentes do que a rua oferece”, reforça. Fonte: Tribunal de Justiça de MT
Mato Grosso
Mudança no Estatuto da AMM propõe mudanças sobre calendário eleitoral e representatividade dos prefeitos

A Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Lourenço Máximo, o Maninho, para esta terça-feira (4), promete colocar em discussão um dos temas mais relevantes da gestão da entidade: a possível alteração do Estatuto Social, incluindo mudanças nas regras do processo eleitoral da associação.
Além de deliberar sobre o projeto de reforma da sede da AMM, os prefeitos associados analisarão propostas de alteração dos artigos 14, 15, 25 e 39 do Estatuto. Embora o edital de convocação detalhe quais dispositivos serão modificados, o conteúdo das alterações será apresentado durante a assembleia.
O principal ponto de debate é a possibilidade de antecipação das eleições da diretoria da entidade para o segundo semestre deste ano.
Os argumentos favoráveis à mudança
Defensores da alteração avaliam que o Estatuto deve ser um instrumento flexível, capaz de se adaptar às necessidades institucionais da AMM e às demandas dos municípios.
Na avaliação de apoiadores da proposta, antecipar o processo eleitoral pode trazer previsibilidade administrativa, permitindo que a futura diretoria tenha mais tempo para organizar sua equipe, elaborar o planejamento estratégico e preparar a transição antes do início do mandato.
Outro argumento é que o próprio Estatuto prevê que suas regras possam ser alteradas pela Assembleia Geral, considerada a instância máxima de deliberação da entidade. Nesse entendimento, qualquer mudança aprovada pela maioria dos prefeitos presentes refletirá uma decisão coletiva e democrática dos associados.
Há ainda quem sustente que discutir o calendário eleitoral não significa comprometer a legitimidade da futura gestão.
Para esse grupo, o mais importante é que todas as regras sejam debatidas, aprovadas em assembleia e aplicadas de forma transparente, independentemente da data escolhida para a eleição.
Também pesa o argumento da continuidade administrativa. Segundo defensores da proposta, uma eleição realizada com antecedência pode reduzir o período de indefinição política dentro da entidade, permitindo que a nova diretoria participe da preparação das principais pautas municipalistas para o ano seguinte.

As críticas à proposta
O ex-presidente da AMM e ex-prefeito de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin (MDB), manifestou preocupação com uma eventual alteração no calendário eleitoral.
Na avaliação de Bortolin, um eventual retorno ao modelo anterior poderia permitir que gestores em fim de mandato participassem da definição da direção da entidade para um período em que já não estarão mais à frente de seus municípios.
Para os críticos, esse modelo reduziria a representatividade dos prefeitos que efetivamente exercerão seus mandatos durante a gestão da próxima diretoria da AMM.
Decisão caberá aos prefeitos
Independentemente das posições favoráveis ou contrárias, a decisão será tomada pelos próprios prefeitos associados durante a Assembleia Geral Extraordinária, órgão máximo de deliberação da entidade.
Caso as alterações estatutárias sejam aprovadas pelo quórum previsto no Estatuto Social, as novas regras passarão a orientar o funcionamento institucional da AMM, incluindo, eventualmente, o calendário das próximas eleições.
O debate evidencia duas visões distintas sobre a governança da associação. De um lado, há quem defenda maior flexibilidade para adequar o Estatuto às necessidades administrativas da entidade.
De outro, gestores sustentam que o modelo atual fortalece a legitimidade da representação municipalista ao assegurar que a diretoria seja escolhida pelos prefeitos que exercerão efetivamente seus mandatos.
A expectativa é que a assembleia esclareça o alcance das alterações propostas e permita que os prefeitos deliberem sobre o futuro da principal entidade representativa dos municípios de Mato Grosso.
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