Justiça
STF derruba decisão do governo de MT e libera descontos de consignados de servidores

Os descontos de empréstimos consignados voltaram a ser aplicados na folha de pagamento dos servidores públicos de Mato Grosso após decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça determinou a suspensão de atos administrativos do governo estadual que haviam interrompido temporariamente esses repasses.
As medidas haviam sido editadas pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e previam a suspensão, por 120 dias, das consignações e dos repasses financeiros referentes a operações realizadas por instituições que oferecem crédito por meio de cartão consignado e cartão benefício.
Com a decisão do STF, os efeitos dessas determinações ficam suspensos e as parcelas voltam a ser descontadas normalmente dos salários dos servidores.
A ação foi apresentada pela Associação Brasileira de Bancos, que contestou duas decisões administrativas publicadas pela secretaria estadual nos dias 14 e 30 de janeiro deste ano. A entidade argumentou que o governo teria repetido determinações semelhantes às de um decreto legislativo aprovado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2025, que já havia sido questionado no STF.
Segundo a associação, a medida provocou uma interrupção abrupta em contratos que estavam em vigor e que haviam sido previamente autorizados pelo próprio Estado. Para a entidade, isso poderia ferir princípios constitucionais como segurança jurídica, livre iniciativa, proporcionalidade e proteção ao ato jurídico perfeito.
Ao analisar o caso, o ministro apontou que os atos administrativos da secretaria reproduziam, em grande parte, o conteúdo da norma já suspensa anteriormente pelo Supremo. Na avaliação dele, as medidas adotadas pelo governo estadual apresentam indícios de incompatibilidade com a Constituição.
O magistrado também destacou que a interrupção generalizada da cobrança de consignados poderia gerar impactos no sistema financeiro, reduzindo a oferta de crédito e elevando as taxas de juros para consumidores.
Com base nesses argumentos, Mendonça concedeu medida cautelar para suspender imediatamente os efeitos das decisões da Seplag, até que o caso seja analisado pelo plenário do STF. A decisão restabelece, de forma provisória, o funcionamento normal das consignações vinculadas aos servidores públicos do estado.
Cibercrime
TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar
Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).
A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.
A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.
Credenciais de usuários foram acessadas
Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.
O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.
Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.
Suspeita envolve malote judiciário digital
Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.
A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.
O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.
Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.
O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.
“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.
Prazos processuais foram suspensos
Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.
A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.
Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:
- peticionamento eletrônico;
- consulta processual;
- acesso a sistemas externos;
- atendimento regular ao público;
- sessões que dependam dos sistemas afetados.
Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.
A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.
Serviços urgentes continuam funcionando
Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.
A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.
Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.
Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.
Investigação busca identificar origem e extensão do ataque
A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.
Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.
Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.
A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.
O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.
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