Investigação Polícial
Policial sedutor: Escrivã relata perda de R$ 100 mil em suposto golpe em MT

A escrivã da Polícia Civil de Mato Grosso, Dayara Carvalho, afirma ter sido vítima de um suposto esquema de pirâmide financeira que teria causado prejuízos milionários a investidores em Mato Grosso e Goiás.
Segundo o relato, o investimento foi feito a partir da influência do então namorado, o policial penal Jefferson Rodrigo Barros de Souza, apontado como intermediador do negócio. Também são citadas como envolvidas Rhanna Barros Martins e Bernadete Gonçalina de Barros.
De acordo com a investigadora, o grupo prometia lucros elevados com a comercialização de commodities agrícolas, como soja e milho, com rendimentos de até 11% ao mês.
A proposta atraiu cerca de 50 investidores, incluindo agentes das forças de segurança. Dayara relata que iniciou com um aporte de R$ 50 mil, obtido por meio de empréstimo bancário e transferido à empresa Barros & Barros, supostamente responsável pela operação.
“Entrei no negócio pela confiança que tinha no meu namorado, que garantia que a prima era uma pessoa honesta”, afirmou.
Segundo ela, os rendimentos foram pagos regularmente entre agosto de 2024 e junho de 2025, o que incentivou novos investimentos. Ao longo do período, a escrivã afirma ter aplicado mais R$ 50 mil, além de reinvestir valores recebidos, acumulando prejuízo de cerca de R$ 100 mil.
A partir de agosto de 2025, no entanto, os pagamentos começaram a atrasar e depois foram interrompidos, levantando suspeitas de fraude.
A investigadora afirma que, posteriormente, descobriu que não havia lastro real nas operações e que documentos apresentados como contratos com empresas do setor agrícola, como Cargill e Bunge, seriam falsificados.
“Verificamos que não existiam contratos nem grãos vinculados à empresa”, relatou.
Uma auditoria chegou a ser apresentada aos investidores indicando regularidade do negócio, mas, segundo apurações posteriores, não havia ativos que sustentassem a atividade, o que reforça a suspeita de funcionamento no modelo de pirâmide financeira.
Na última semana, a juíza Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro, da 10ª Vara Cível de Cuiabá, determinou o bloqueio de bens e imóveis dos investigados até o valor de R$ 1,4 milhão.
Dayara também criticou a atuação inicial da Polícia Civil de Goiás, alegando falta de orientação às vítimas e demora na condução das investigações. Segundo ela, apenas após atuação de unidades de Mato Grosso houve avanço no caso.
O paradeiro de Rhanna Barros Martins é desconhecido desde novembro de 2025. Conforme as vítimas, ela teria viajado para Portugal e não foi mais localizada.
O caso segue sob investigação.
Fonte Folhamax
Investigação Polícial
Operação do MPMT investiga ex-prefeito de Pontes e Lacerda e contratos que chegam a R$ 5,78 milhões
Investigação apura possíveis irregularidades em licitações, movimentações financeiras e contratos firmados durante a antiga gestão municipal; medidas incluem buscas, quebra de sigilos e bloqueio de bens
O Ministério Público de Mato Grosso deflagrou uma operação para aprofundar investigações envolvendo contratos públicos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda durante a gestão do ex-prefeito Alcino Pereira Barcelos.
A ação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária e envolve o cumprimento de medidas judiciais contra agentes públicos e pessoas ligadas à iniciativa privada.
A investigação apura possíveis crimes de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos órgãos de controle.
Entre os pontos analisados estão contratos celebrados entre o município e a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda.
As suspeitas ainda estão em fase de investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos envolvidos.
Contratos chegam a R$ 5,78 milhões
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, foram identificados sete contratos entre a empresa investigada e a Prefeitura de Pontes e Lacerda.
Cinco deles, firmados entre 2022 e 2023, somariam aproximadamente R$ 4,7 milhões em valores originais.
Com a atualização monetária, o montante chegaria a cerca de R$ 5,78 milhões.
Os investigadores buscam esclarecer se houve favorecimento indevido nas contratações e se existiam relações entre agentes públicos e pessoas ligadas às empresas beneficiadas.
Também estão sendo analisados possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre os envolvidos.
Coaf identificou movimentações suspeitas
Outro ponto da investigação envolve relatórios produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.
As informações divulgadas apontam para movimentações financeiras classificadas como suspeitas e que agora fazem parte do conjunto de elementos analisados pelo Ministério Público.
Esse tipo de movimentação, no entanto, não significa automaticamente a existência de crime.
A investigação deverá verificar a origem dos recursos, o destino dos valores e se existe alguma relação com os contratos públicos que estão sendo analisados.
Compra de fazenda entra na investigação
A operação também apura uma negociação envolvendo a aquisição da propriedade rural denominada Estância Rancho Fundo pelo ex-prefeito Alcino Barcelos.
Segundo as informações divulgadas, a negociação teria estabelecido como forma de pagamento a entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore.
Os investigadores, porém, não teriam localizado registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação apresentada.
Esse ponto também deverá ser esclarecido ao longo da investigação.
Justiça autoriza quebra de sigilos e bloqueio de bens
Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão mandados de busca e apreensão, acesso a dados telemáticos e quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro.
Também foi determinada a indisponibilidade de bens, direitos e valores de investigados.
A operação conta com apoio de outros órgãos públicos, entre eles a Polícia Civil e estruturas de controle do Estado.
Essas medidas têm como objetivo preservar provas e permitir o avanço das investigações.
Elas não representam condenação antecipada dos investigados.
Antiga gestão já é alvo de outras apurações
A nova investigação se soma a outros procedimentos relacionados a contratos realizados durante a antiga administração municipal.
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso já abriu procedimentos para analisar possíveis irregularidades em contratos de prestação de serviços de motoristas destinados às secretarias municipais de Educação, Saúde e Assistência Social.
Relatórios técnicos apontaram possíveis sobrepreços em determinados procedimentos licitatórios, o que levou à abertura de Tomadas de Contas Especiais para aprofundar os fatos, identificar eventuais responsáveis e calcular possíveis prejuízos aos cofres públicos.
Outro procedimento também passou a analisar contrato relacionado a obras de drenagem executadas no município.
Nesse caso, técnicos levantaram a possibilidade de pagamentos acima dos serviços efetivamente realizados, situação que também permanece sob análise dos órgãos de controle.
Procedimentos são independentes
Apesar de os diferentes casos envolverem contratos realizados durante o mesmo período administrativo, as investigações possuem objetos distintos.
O Ministério Público concentra sua apuração nos possíveis aspectos criminais, movimentações financeiras e eventuais irregularidades em licitações.
Já o Tribunal de Contas analisa principalmente a aplicação dos recursos públicos, eventual existência de sobrepreço, dano ao erário e responsabilidade administrativa.
Por isso, os valores mencionados nos diferentes procedimentos não devem ser somados automaticamente como se representassem um único prejuízo confirmado ao município.
Investigação entra em nova fase
Com o cumprimento das medidas judiciais, a investigação entra agora em uma nova etapa.
Documentos, dados bancários, movimentações financeiras e materiais apreendidos deverão ser analisados para verificar se as suspeitas encontradas possuem respaldo suficiente para o avanço da apuração.
Caso sejam identificados elementos considerados suficientes, o Ministério Público poderá apresentar denúncia à Justiça.
Até a conclusão das investigações e de eventual processo judicial, permanece válida a presunção de inocência dos investigados.
O caso deverá continuar sendo acompanhado pelos órgãos de controle diante do volume financeiro dos contratos analisados e da existência de outras apurações envolvendo a antiga administração municipal.
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