É Direito
Julgamento de Raquel Cattani ocorre na próxima semana em Nova Mutum

A sessão do Tribunal do Júri que vai julgar o caso da morte de Raquel Cattani está marcada para a próxima semana, no dia 22 de janeiro de 2026, na 3ª Vara da Comarca de Nova Mutum. O julgamento será presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski e deve atrair grande atenção da comunidade local e de todo o estado de Mato Grosso, diante da gravidade do crime e da repercussão pública do caso.
Raquel Cattani, produtora rural e filha do deputado estadual Gilberto Cattani, foi assassinada a facadas dentro de sua própria residência, em Nova Mutum, no dia 18 de julho de 2024. O crime chocou a população pela violência e pelas circunstâncias em que ocorreu, ganhando repercussão estadual e nacional.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Rodrigo Xavier Mengarde, ex-cunhado da vítima, é apontado como o autor dos golpes que causaram a morte de Raquel. Já o ex-marido, Romero Xavier Mengarde, é acusado de ter sido o autor intelectual do crime. Ambos serão julgados pelo Conselho de Sentença, composto por jurados sorteados entre cidadãos da comarca.
A sessão do Tribunal do Júri será realizada no plenário do Fórum da Comarca de Nova Mutum e seguirá os ritos previstos na legislação penal brasileira. Durante o julgamento, serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, interrogados os réus e apresentados os argumentos finais pelas partes, antes da decisão dos jurados.
A presidência da sessão ficará a cargo da juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, responsável por conduzir os trabalhos, garantir o cumprimento das normas legais, a ordem dos debates e a imparcialidade do julgamento. A magistrada também será responsável por proferir a sentença, conforme a decisão soberana dos jurados.
Devido à repercussão do caso, o Judiciário estabeleceu regras específicas para a organização da sessão. As medidas visam garantir a segurança de jurados, servidores, familiares, advogados, membros do Ministério Público, réus e do público presente, além de assegurar o respeito à dignidade da vítima e o regular andamento dos trabalhos.
A capacidade do plenário será limitada, com controle de acesso ao público externo e à imprensa. A cobertura jornalística seguirá orientações previamente definidas pela Justiça, com o objetivo de preservar a ordem, evitar interferências no julgamento e garantir a transparência do processo.
O julgamento é aguardado com grande expectativa pela população de Nova Mutum e por lideranças políticas e sociais do estado. O caso reacendeu debates sobre violência contra a mulher, conflitos familiares e a necessidade de respostas firmes do sistema de Justiça diante de crimes graves.
Familiares e amigos da vítima esperam que o julgamento traga esclarecimento dos fatos e responsabilização dos envolvidos. Já a defesa dos acusados sustenta que apresentará sua versão dos acontecimentos ao longo da sessão, buscando convencer os jurados.
O Mutum Notícias acompanhará todos os desdobramentos da sessão do Tribunal do Júri, trazendo informações atualizadas, dentro dos limites legais estabelecidos pelo Judiciário. O julgamento representa um momento decisivo para o caso Raquel Cattani e marca uma das sessões mais aguardadas da história recente da comarca de Nova Mutum.
Animais
Ministério Público conclui que Cão Orelha não morreu por agressões de adolescentes e pede o arquivamento

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou, nesta terça-feira (12/5), que as evidências periciais refutam a possibilidade de que os adolescentes em investigação tenham agredido o cão comunitário Orelha, que foi encontrado ferido na Praia Brava, no norte de Florianópolis (SC).
Após revisar quase 2 mil arquivos, o MPSC concluiu que a morte do animal está relacionada a uma condição pré-existente e grave, e não a qualquer agressão por parte de humanos.
Com base nas investigações, a procuradoria solicitou na última sexta-feira (8/5) o arquivamento do caso referente à morte de Orelha.
Conforme o MP, relatórios policiais indicavam que o jovem suspeito e o animal haviam estado juntos na praia por aproximadamente 40 minutos, mas a perícia revelou um descompasso de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras de um condomínio e pelo sistema de monitoramento público, conhecido como Bem-Te-Vi.
As imagens evidenciam que, enquanto o adolescente estava nas proximidades do deck da praia, Orelha se encontrava a cerca de 600 metros de distância.
“O estudo revelou que nos momentos em que o adolescente esteve na área do deck, o cão estava situado a aproximadamente 600 metros. Portanto, a suposição de que ambos compartilharam o mesmo espaço por cerca de 40 minutos não é válida”, ressaltou o MPSC.
Adicionalmente, as análises periciais mostraram que o cão mantinha plena mobilidade e um padrão normal de locomoção quase uma hora após o momento em que se acredita que a suposta agressão teria ocorrido, o que afasta a hipótese de que ele teria retornado da praia já debilitado por agressões.
Saúde do cão Orelha
Os laudos veterinários anexados ao processo excluíram a possibilidade de traumatismo recente passível de maus-tratos. Segundo o perito que realizou a exumação, todos os ossos do animal foram analisados e não foram encontradas fraturas ou lesões relacionadas à ação humana.
Os exames revelaram sinais de osteomielite na região do maxilar esquerdo — uma infecção óssea crônica e grave, possivelmente associada a doenças periodontais avançadas.
Imagens do crânio anexadas ao processo mostram uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação, compatíveis com uma infecção de longo prazo. A localização da ferida, abaixo do olho esquerdo, corresponde ao edema observado pelo veterinário que atendeu o animal.
O MPSC também destacou que a fotografia obtida durante o atendimento veterinário mostrava apenas inchaço no olho esquerdo do cão, sem outros sinais evidentes de violência.
De acordo com as Promotorias de Justiça, o conjunto de provas demonstra que Orelha faleceu devido a um quadro clínico grave que levou à eutanásia.
O órgão ainda mencionou a morte da cadela Pretinha, companheira de Orelha, ocorrida poucos dias depois, em decorrência da doença do carrapato, ressaltando a situação de vulnerabilidade sanitária dos animais.
Conclusão
Além do arquivamento do caso, o Ministério Público solicitou que cópias do processo fossem enviadas à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina para investigar possíveis irregularidades na apuração.
O órgão também pleiteou a investigação sobre eventuais vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao adolescente investigado e anunciou a abertura de uma apuração específica sobre a possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais, com o suporte do CyberGAECO.
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