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Elefantas resgatadas de circo voltam à natureza em MT após 40 anos em cativeiro

elefanta1_1700Depois de mais de 40 anos vivendo em cativeiro e passado por maus-tratos, as elefantas Guida e Maia foram finalmente libertadas. As duas são as primeiras habitantes do primeiro Santuário de Elefantes da América Latina. Os animais chegaram à área, localizada em Chapada dos Guimarães, a 65 de km de Cuiabá, na terça-feira (11), mas só foram soltas nessa quarta-feira (12).

“Os humanos têm tirado os elefantes da natureza para oferecer como entretenimento. A gente precisa dar a dignidade e o respeito que eles merecem”, disse Scott Blais, presidente da ONG Internacional Global Sanctuary for Elephants, responsável pelo santuário no Brasil.

Não se sabe ao certo a idade das duas, já que foram sequestradas ainda filhotes na Tailândia e trazidas do país asiático para o Brasil a fim de trabalharem em circos. Mas estima-se que Maia tenha 44 anos e Guida, 42. Normalmente, na natureza, um elefante vive em média 70 anos e, em cativeiro, 35 anos.

A área para onde foram levadas foi comprada pela ONG Internacional Global Sanctuary for Elephants em maio de 2015, depois de quase dois anos de procura.

Guida e Maia chegaram a Mato Grosso na terça-feira, depois de dois dias viagem para percorrer os 1,6 mil quilômetros entre Chapada dos Guimarães e Paraguaçu (MG), onde estavam vivendo em um sítio. Parte dos custos do transporte, estimado em US$ 45 mil pela ONG, foi bancada por doações, feitas por meio de crowdfunding. O santuário deve ser mantido com doações.

Ao chegarem ao santuário, ainda na terça, ficaram separadas numa espécie de jaula construída no galpão. Ainda assim se aproximaram uma da outra, mesmo por entre as grades. “Elas estavam muito sensíveis e dóceis entre si. Estavam se tocando e fazendo barulho. Foi emocionante”, disse Scott Blais, presidente do Global Sanctuary for Elephants.

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No dia seguinte a grade foi suspensa e, depois de muitos anos, as duas fizeram o primeiro contato entre si sem que estivessem acorrentadas ou amarradas. Havia uma expectativa em relação a isso por parte dos membros da ONG porque não se sabia qual seria a reação de ambas – havia o receio de que pudessem ser agressivas uma com a outra, o que não aconteceu. Maia e Guida foram dóceis e receptivas.

Pouco tempo depois desse contato, as duas puderam, finalmente, serem soltas na natureza. “Antes de isso ser feito, era preciso que deixássemos as duas interagirem um pouco primeiro. Tudo é feito em etapas”, disse Júnia Machado, presidente do Santuário Brasil de Elefantes. As grades foram abertas e as elefantas puderam conhecer de perto o novo lar. A adaptação foi instantânea: as duas começaram imediatamente a explorar a vegetação local.

Apesar do santuário ter 1,1 mil hectares, por enquanto, em função de limitações financeiras, elas terão acesso a uma área de meio hectare, cercada por tubos de aço de petróleo enterrados a dois metros de profundidade e, depois, concretados. “Em poucas semanas já vamos ver uma área maior. Até o final do ano, vão ser dois currais de dez hectares, que é a fase um”, disse Júnia Machado, presidente do Santuário de Elefantes Brasil.

A fazenda em si consegue prover toda a alimentação de Maia e Guida, baseada em gramíneas de todos os tipos, frutas e trepadeiras. Mas, a ONG vai ter que providenciar suplementos para as duas, em especial para Guida, visivelmente abaixo do peso. As duas ainda vão passar por exames médicos para verificar o estado de saúde.

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Quatro pessoas deverão ficar diretamente responsáveis pelos animais no santuário, sendo que duas delas – Scott e a esposa – já moram na fazenda. A estimativa é que cada elefanta tenha custo mensal de 3 a 5 mil dólares, disse o presidente do Global Sanctuary for Elephants.

“O nosso objetivo é ajudar a projetos como esse, ajudá-los a se estabelecerem. É realmente muito difícil, requer muito trabalho, habilidades, conhecimento e perseverança. Mas sabemos que conseguimos ajudar dessa forma, que podemos ajudar construir uma equipe assim, que é essencial”, disse Blais.

A capacidade do Santuário de Elefantes é para abrigar 50 elefantes. O próximo animal a ser levado para o local deve ser Ramba, uma elefanta resgatada de um circo no Chile. A previsão é que ela chegue no início do ano que vem.

Resgate
A história das duas elefantas começou a mudar em 2010, depois de uma fiscalização do Ibama. Elas foram confiscadas de um circo na Bahia e levadas provisoriamente para um zoológico baiano. Depois, após acordo com os órgãos de fiscalização responsáveis, foram encaminhadas para um sítio do advogado desse circo, localizado em Paraguaçu (MG).

No sítio, entretanto, foram constatadas irregularidades. As duas ficavam acorrentadas, sem poderem ter contato uma com a outra, e não tinham um lugar com sombra para ficar. Foi nessa época que o Ministério Público entrou em contato com a ONG Internacional Global Sanctuary for Elephants (Santuário Global dos Elefantes) para que pudesse acolher Guida e Maia.

G1

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Vereador apresenta projeto para proibir competições de “Farmar Aura” em espaços públicos

Foi lido oficialmente durante a 69ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Cáceres, realizada nesta segunda-feira (3), o Projeto de Lei nº 01/2026, de autoria do vice-presidente da Casa, vereador Isaías Bezerra (Republicanos). A proposta pretende proibir a realização de campeonatos, disputas e eventos competitivos da prática conhecida como “aura farming” (“farmar aura”) em praças, parques, ginásios e demais espaços públicos do município.

Segundo o texto, a restrição tem como foco principal eventos que envolvam a participação, a presença ou a exposição de crianças e adolescentes.

De acordo com o projeto, considera-se “aura farming” a prática popularizada nas redes sociais em que pessoas realizam poses, gestos ou atitudes encenadas para ganhar prestígio e repercussão na internet, especialmente quando organizadas em formato de competição.

A proposta também proíbe a concessão de alvarás, autorizações, patrocínios e a cessão de espaços públicos para esse tipo de evento. No entanto, o projeto deixa claro que a vedação não se aplica a manifestações culturais, religiosas, artísticas ou esportivas tradicionais, nem a condutas individuais espontâneas que não tenham caráter competitivo.

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Penalidades

Caso a lei seja aprovada, os organizadores que descumprirem as regras poderão sofrer penalidades que incluem desde advertência por escrito, multa de 10 Unidades Fiscais de Cáceres (UFICs/MT) cerca R$ 717,20, dobrada em caso de reincidência ou quando houver envolvimento de menores. Além da possível suspensão ou cassação do alvará de funcionamento de estabelecimentos envolvidos.

O projeto também determina que, sempre que forem constatadas crianças ou adolescentes em eventos proibidos, os órgãos de fiscalização comuniquem imediatamente o Conselho Tutelar e o Ministério Público de Mato Grosso (MPE) para adoção das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Incentivo a atividades educativas

Como alternativa, a proposta autoriza o Poder Executivo a desenvolver campanhas de conscientização sobre os riscos de modismos virais e a ampliar projetos voltados ao contraturno escolar.

Entre as ações previstas estão a expansão de escolinhas esportivas nos bairros, oficinas de música, dança e teatro com valorização da cultura pantaneira, além de cursos de tecnologia e qualificação profissional.

Na justificativa do projeto, Isaías Bezerra cita um episódio ocorrido em Cuiabá, onde um encontro relacionado à prática foi proibido administrativamente no Parque das Águas. Segundo o parlamentar, a intenção é fazer de Cáceres um dos primeiros municípios a estabelecer uma legislação específica sobre o tema.

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Após a leitura em plenário, o Projeto de Lei nº 01/2026 segue para análise das comissões permanentes da Câmara antes de ser votado pelos vereadores.

O que é “aura farming”?

O termo “aura farming” ganhou popularidade nas redes sociais e refere-se à prática de realizar ações, poses, desafios ou comportamentos com o objetivo de ganhar popularidade, admiração ou repercussão na internet. Em alguns locais, essas práticas passaram a ser organizadas em disputas e competições, especialmente entre jovens, com gravações para plataformas digitais. O projeto de lei não proíbe a prática individual, mas busca impedir a realização de eventos competitivos em espaços públicos municipais, sobretudo quando envolvam crianças e adolescentes.

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