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‘Não tem mais água’: morador mostra porto seco após Usina de Colíder (MT) reduzir nível do reservatório

Relatórios do MPMT e perícia da Politec apontam para inúmeras falhas críticas na estrutura de drenos da usina, que podem levar a uma ruptura da barragem.

Imagens feitas por um morador mostram o Porto Santo Expedito em Itaúba, a 599 km de Cuiabá, completamente seco após a Usina Hidrelétrica de Colíder ter reduzido o nível do reservatório no Rio Teles Pires. (Veja vídeo acima).

O morador Valdecir da Silva disse que não tem mais água no porto e não há nenhum barco porque os pescadores respeitam o período de piracema, que já está em vigor no estado.

“As balsas estão todas sem acesso ao rio. Não tem mais água. Isso fazia tudo parte do alagado. O pessoal descia o barco e seguia Teles Pires adentro”, afirmou.

A usina está sob nível de “alerta” desde agosto deste ano em razão de inúmeras falhas estruturais no sistema de drenagem que podem levar a um risco de ruptura da barragem, conforme investigação do MPMT.

A Eletrobras informou, em nota, que adotou as medidas de segurança para o local, aos trabalhadores e ao meio ambiente e, por isso, não vê “os pressupostos para a concessão da cautelar requerida e segue à disposição das autoridades.”

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Em fato relevante divulgado ao mercado financeiro, a Eletrobras informou que de 70 drenos que integram o sistema da usina, quatro sofreram danos desde a compra do ativo. Os drenos são estruturas que permitem que a pressão da água sob a barragem seja escoada de maneira adequada.

Com isso, a usina reduziu o nível do reservatório para verificar as falhas nos drenos e aliviar a pressão sobre a estrutura. Contudo, essa medida gerou danos ambientais, como a morte de 1.500 peixes, alteração da qualidade da água, comprometimento da biodiversidade aquática e semiaquática, e prejuízos à fauna migratória.

O rebaixamento do reservatório comprometeu a atividade pesqueira, o turismo regional e o comércio local, segundo o MPMT, que citou um impacto no setor entre R$ 10 e R$ 12 milhões por ano. A medida também afetou eventos culturais tradicionais, como o “Fest Praia” e o “Viva Floresta”, além de dificultar o acesso das comunidades ribeirinhas ao rio, prejudicando seu modo de vida.

“A Usina de Colíder foi responsável pela morte de mais de 52 toneladas de peixes no rio Teles Pires (50.000 em 2014 e 2.000 em 2018, sendo que em 2017 a quantidade não foi determinada). Verificados riscos sociais, em face de problemas estruturais da hidrelétrica, há também prejuízo correspondente à perda material, com reflexos na pesca, comercialização e utilização como alimento”, destaca a promotora de Justiça Graziella Salina Ferrari.

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Ao g1, o procurador de Justiça Gerson Barbosa explicou que a recomendação do plano leva em conta o potencial risco de rompimento.

“Uma medida para a gestão de riscos e restauração das características naturais do rio. Caso, futuramente, se chegue a conclusão acerca da insustentabilidade da hidrelétrica, o plano já estará pronto, ganha-se tempo e diminuem-se os riscos sociais e ambientais”, explicou.

Na ação, o Ministério Público ainda pediu a revisão da licença ambiental pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

No documento também foi pedido a atualização dos planos de emergência e contingência, a criação de canais de comunicação com a população, a implementação de sistemas sonoros fixos de alerta e a cobrança antecipada de R$ 200 milhões para assegurar a reparação dos danos já constatados e daqueles que ainda possam surgir

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Estradas destruídas: prefeito decreta emergência e podera investir quase 3 milhões sem licitação

O prefeito de Colíder, Rodrigo Benassi, decretou nesta segunda-feira (9) situação de emergência no município pelo período de 180 dias, em razão dos danos causados pelas intensas chuvas registradas nos últimos quarenta dias. A medida consta no Decreto nº 022/2026 e tem como base um relatório técnico elaborado pelo Departamento de Projetos da Prefeitura.

De acordo com o levantamento, o alto índice pluviométrico provocou o transbordamento de rios e córregos, saturação do solo, formação de atoleiros, erosões profundas e deslizamentos de terra, comprometendo seriamente a trafegabilidade em áreas urbanas e rurais do município.

O relatório aponta que aproximadamente 956 quilômetros da malha viária rural foram afetados, com registro de danos em estradas vicinais, pontes, bueiros e pontilhões, além de alagamentos que resultaram no isolamento de comunidades rurais dentre elas Marco de Cimento, estrada Mogno, São Lázaro, São Miguel Arcanjo, São Pedro, Cavalo Preto, Santo Antônio da Cacique, São Mateus, Santa Luzia do Pinheirinho e estrada Planalto. Entre os principais impactos estão dificuldades no transporte escolar, no acesso a serviços de saúde e no escoamento da produção agrícola, especialmente em período de colheita.

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Segundo os dados técnicos, o município já contabiliza R$ 992.110,57 em gastos emergenciais, utilizados em ações imediatas para minimizar os danos. No entanto, a estimativa é de que sejam necessários aproximadamente R$ 2,5 milhões adicionais para a recuperação, readequação e normalização das estradas vicinais atingidas.

Com o decreto, fica autorizada a mobilização de todos os órgãos municipais para atuação conjunta nas ações de resposta ao desastre, reabilitação das áreas afetadas e reconstrução da infraestrutura danificada. O documento também permite, em situações de risco iminente, a adoção de medidas emergenciais de proteção à população.

Além disso, o decreto autoriza a dispensa de licitação para contratação de serviços, obras e aquisição de materiais estritamente necessários ao enfrentamento da situação emergencial, conforme previsto na legislação vigente, respeitando os limites legais e o prazo máximo de um ano.

A prefeitura reforça que a decretação da situação de emergência é fundamental para agilizar a liberação de recursos e garantir respostas mais rápidas, visando restabelecer a segurança, a mobilidade e os serviços essenciais à população de Colíder.

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