Cibercrime
Contador é acusado de chefiar esquema milionário de sites e empresas de fachada em MT
Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na manhã desta terça-feira (11), o contador Eduardo Martins, suspeito de liderar um esquema milionário de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro por meio da criação de empresas de fachada. A ação, batizada de Operação Domínio Fantasma, foi deflagrada pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) e teve apoio de equipes de inteligência da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT).
De acordo com as investigações, Eduardo usava seu conhecimento técnico-contábil para registrar centenas de CNPJs falsos e movimentar valores obtidos por meio de golpes de e-commerce, afetando consumidores em diversas regiões do país. Nas redes sociais, o suspeito exibia uma vida de luxo, com viagens internacionais e carros de alto padrão, contrastando com a origem ilícita dos recursos.
“Identificamos um esquema altamente estruturado, que se mantinha ativo há anos e movimentava grandes somas de dinheiro por meio de empresas fantasmas”, afirmou um dos delegados responsáveis pelo caso.
Esquema de fraudes e “laranjas”
As apurações revelam que o contador se apresentava como “contador digital”, especializado em dropshipping modelo de vendas online em que o comerciante não mantém estoque próprio e iGaming, setor ligado a jogos de azar na internet.
Para aplicar os golpes, ele criava empresas em nome de “laranjas”, geralmente jovens de baixa renda de outros estados, que figuravam como sócios formais dos negócios. Essas empresas eram usadas para registrar sites falsos de e-commerce que vendiam produtos como brinquedos, roupas e cosméticos.
Os sites eram impulsionados por anúncios pagos em plataformas digitais, alcançando grande número de consumidores. Em um dos casos, o grupo chegou a clonar o site de uma famosa marca de cosméticos, enganando clientes que realizavam pagamentos via Pix ou cartão de crédito, mas nunca recebiam os produtos.
As páginas falsas acumularam centenas de reclamações em sites de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui.
Mais de 300 empresas criadas
O esquema começou a ser desvendado após um alerta da Sefaz-MT à DRCI sobre a criação massiva de empresas por um único contador. Ao cruzar os dados, a polícia descobriu que 310 empresas foram abertas entre 2020 e 2024, sendo 182 já baixadas ou suspensas.
Todas tinham endereços idênticos ou muito próximos em Cuiabá, onde, segundo os investigadores, funcionava apenas uma pequena sala comercial, sem qualquer identificação de escritórios ou funcionários.
“Era uma estrutura de fachada, usada para registrar CNPJs em massa e movimentar valores obtidos com fraudes digitais”, explicou a Polícia Civil.
Lavagem de dinheiro e próximos passos
As autoridades acreditam que o grupo lavou milhões de reais em contas bancárias ligadas às empresas criadas por Eduardo. Parte do dinheiro era destinada à compra de bens de luxo e viagens internacionais, enquanto outra parcela era pulverizada em contas de laranjas para dificultar o rastreamento.
O contador foi preso preventivamente e responderá pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato eletrônico.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e rastrear o patrimônio oculto do grupo. A Polícia Civil também solicitou o bloqueio judicial de contas e bens em nome do investigado e das empresas ligadas ao esquema.
Com a operação, a DRCI reforça o alerta para que os consumidores redobrem a atenção ao realizar compras online, especialmente em sites desconhecidos ou com preços muito abaixo do mercado.
Cibercrime
Nova Mutum: Delegado revela que suspeito já armazenava pornografia infantil na adolescência

O delegado Guilherme Rocha revelou, na manhã desta quinta-feira (05.02), que a investigação que resultou na deflagração da Operação Cesimt, em Nova Mutum, a 264 km de Cuiabá, identificou que o armazenamento de conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes começou ainda na adolescência do principal investigado, que atualmente tem 18 anos, e se estendeu após ele atingir a maioridade.
Conforme as investigações revelaram, o material começou a ser armazenado em 2023, período em que o alvo ainda era menor de idade.
No entanto, como o crime de armazenamento de pornografia infantojuvenil é classificado juridicamente como crime permanente, a conduta permite flagrante a qualquer momento e responsabilização criminal como adulto caso a prática continue após os 18 anos.
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