Agro Notícias
Sorriso, Sinop, Lucas e Nova Mutum lideram escoamento de Grãos, impulsionando a economia de MT
Sorriso, Sinop, Lucas e Nova Mutum lideram escoamento de Grãos, impulsionando a economia de MT
A Rodovia BR-163, com seus imponentes 3.579 quilômetros de extensão que se estendem do Rio Grande do Sul ao Pará, é muito mais do que uma simples via de transporte. Em todos os seis estados que corta, essa rodovia se revela como um elo vital para a produção agropecuária brasileira. “A BR-163 é responsável pelo escoamento de cerca de 50 milhões de toneladas de grãos e transporte de insumos e equipamentos – especialmente soja, milho e algodão, mostram dados da empresa concessionária. Por ela passam diariamente cerca de 100 mil veículos, sendo 70% de carga. O ritmo não para em nenhum momento do ano, pois além dos grãos por ela passam matérias-primas, máquinas e outros produtos essenciais para o agronegócio”, assinala Alan Hiltner, Diretor de Operações da ORÍGEO, empresa que fornece soluções de ponta a ponta para grandes agricultores do Mato Grosso, Rondônia e Matopibapa.
De acordo com informações da ORÍGEO, no Mato Grosso, em particular, ela se torna uma peça fundamental da agricultura do estado. Responsável por ligar os principais centros produtores ao corredor de exportação, a BR-163 desempenha um papel crucial no escoamento da safra agrícola. Caminhões carregados de soja, algodão, milho safrinha e sorgo seguem rumo aos portos de Miritituba e Santarém, no Pará, impulsionando a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados internacionais ao reduzir custos logísticos.
Às margens dessa importante rodovia encontram-se alguns dos principais polos agrícolas do país. Liderando o grupo está Sorriso, responsável pela impressionante produção de mais de 2,3 milhões de toneladas de soja, de acordo com dados do IBGE. Além disso, municípios como Nova Mutum (7º no ranking), Lucas do Rio Verde (15º), Sinop (40º) e Rondonópolis (97%), entre outros que se destacam como importantes protagonistas no cenário agrícola nacional.
A construção da BR-163 teve início em 1971 e desde então se tornou o principal canal de escoamento da produção agropecuária do Mato Grosso, acompanhando o avanço da fronteira agrícola sobre o Cerrado. Mas seu impacto vai além da economia: a presença da rodovia contribui diretamente para a prosperidade e qualidade de vida da região. Os municípios ao longo de seu trajeto ostentam índices de desenvolvimento humano (IDH) considerados altos, todos acima de 0,75, conforme dados oficiais, o que reflete o papel transformador que a BR-163 desempenha na região.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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