Agro Notícias
Produtores rurais utilizam tecnologias e estratégias para enfrentar a seca com orientações da ATeG
Com auxílio do Senar Mato Grosso do Sul, é possível elaborar estratégias adequadas para diferentes propriedades
Com a redução de 53% do regime pluviométrico e o aumento do intervalo entre chuvas nos últimos três anos em Mato Grosso do Sul, as propriedades rurais precisam buscar alternativas estratégicas para superar a seca sem reduzir a produtividade.
O coordenador da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) em Bovinocultura de Corte do Senar Mato Grosso do Sul, Fabiano Pessatti explica que a estiagem das chuvas nos meses de junho a agosto sempre fez parte da rotina da cadeia produtiva. “Existem inúmeras tecnologias que o produtor pode utilizar em sua propriedade, como por exemplo a produção de silagem, feno, feno pré-secado, diferimento de pastagem, sequestro dos animais para confinamento, troca de categorias de animais mais pesados para animais mais leves, suplementação proteica e proteico energético, entre outros que podem ser utilizadas individualmente ou em conjunto”.
Os técnicos de campo da ATeG Bovinocultura de Corte do Senar/MS realizam um diagnóstico detalhado da propriedade e analisam quais as necessidades, as capacidades de investimento e operacionalização para definir sua estratégia. As mais recomendadas são silagem para o sequestro dos animais e o feno.


“Muitos produtores optam por comprar a silagem e o feno, mas grande parte possui capacidade para produção em área própria, reduzindo consideravelmente os custos. Porém, reforçarmos que cada propriedade deve ser analisada de forma individual e não somente usar a estratégia mais produtiva ou mais barata”, destaca, Pessatti.


Preços do Mercado – A média da arroba do boi gordo dos quatro primeiros meses deste ano teve um crescimento de 8,44% em comparação com o mesmo período de 2021. A média da arroba da vaca gorda aumentou 6,38% respectivamente.
De acordo com a analista técnica do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, a valorização dos preços em 2022 responde à manutenção dos custos de produção elevado e se sustenta com o desempenho positivo das exportações.
“No comparativo mês a mês, observa-se o arrefecimento na valorização da arroba do boi e uma retração da arroba de fêmea, resultado do aumento da oferta de animais que tende a pressionar os preços”, afirma.
Exportações – Entre janeiro e abril, a receita com a comercialização da carne bovina de Mato Grosso do Sul no mercado externo cresceu 58,77%, saindo de US$ 226,9 mil no ano passado para US$ 360 mil em 2022.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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