Agro Notícias
Produtores atendidos pela ATeG Piscicultura participam da Feira do Peixe em Acrelândia
Tradição da Semana Santa, a Feira do Peixe e Agricultura Familiar foi retomada no município de Acrelândia na quarta-feira (13), com encerramento na última sexta (15). Foram três dias de procura por ofertas a preços acessíveis e com boa qualidade, movimentando a zona urbana e beneficiando os produtores rurais locais.

Entre os feirantes da quinta edição do evento, realizada no centro da cidade, estavam produtores rurais atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Piscicultura, projeto realizado através da parceria SENAR – AC e SEBRAE para beneficiar a cadeia produtiva no Estado.

Atualmente, mais de 120 piscicultores são beneficiados pelo atendimento 100% gratuito, cujo ciclo de dois anos busca promover mudanças na qualidade de vida dos homens e mulheres rurais. Por meio da ATeG, são desenvolvidas noções gerenciais das propriedades rurais, bem como apoio dos técnicos de campo para garantir uma evolução em qualidade e quantidade das produções.
QUALIDADE ACIMA DE TUDO
Celso Timpurim participou da feira e garantiu a venda de mais de 800 kg de peixe aos compradores. Celso trabalha com piscicultura em sua propriedade (Colônia Santa Letícia) localizada no Ramal Granada, sendo atendido pela ATeG através da parceria SENAR + SEBRAE, e esteve feliz em poder participar dessa ação.
“Pretendo não deixar ninguém sem mercadoria. É um prazer estar aqui, ter conseguido atravessar a pandemia e poder testemunhar a vida retomando sua normalidade. A feira é um momento de muita alegria pra todos os envolvidos, sejam eles feirantes ou compradores. Aqui, o povo também vai poder ver os resultados do trabalho feito na minha propriedade. A qualidade deve estar acima de tudo, o público não espera menos”, disse Celso.

E entre o público que busca essa qualidade com Celso esteve a professora aposentada Lurdes Cerigioli, que garantiu a compra para um almoço especial entre amigos e familiares: “O preço e a qualidade sempre são garantidos. Peixe limpo e fresquinho, desde que compro dele foi assim.”
PARCERIA INSTITUCIONAL
Esta edição da feira foi realizada através da parceria institucional entre Prefeitura de Acrelândia, SENAR – AC, SEBRAE e outros parceiros, viabilizando o comércio local em ponto estratégico no município. “A preparação foi feita com muita alegria. Tivemos muitas dificuldades, mas com o apoio que tivemos, preparamos essa feira para nossa população. Foi pensada com muita expectativa de venda e compra”, enfatizou Mauro Ramalho Correa, secretário de agricultura e meio ambiente de Acrelândia.

O técnico de campo Mizael Maciel, que acompanha os produtores atendidos pela ATeG que participaram da feira, elogiou a execução do projeto no município e afirmou que a assistência técnica veio para agregar ainda mais às vidas dos produtores rurais: “Com a retomada da feira após dois anos, estamos muito otimistas em relação ao lucro dos feirantes. O custo de produção das cadeias também aumentou bastante, mas temos conseguidos manter o padrão de desenvolvimento. Na piscicultura, a principal mudança observada é na qualidade do produto, que realmente tem feito a diferença para saída de produção. A cadeia está voltando a crescer (também na área quantitativa), e nós vemos que a procura pela oferta destes produtores é grande.”
RETOMADA
Também esteve presente na feira o produtor Carlos Henrique Martins. Residente do Ramal do Café, Carlos também é atendido pela ATeG Piscicultura, e não poupou esforços para participar à altura do evento: foram quase 2 mil kg de peixe para a feira.

“Já estávamos há dois anos sem a tradicional feira do peixe, então é emocionante poder estar aqui novamente com todos presentes. Tem tambaqui, pintado, pirarucu, jatuarana… Nosso isopor vai esvaziando e vemos que a procura tradicional da Semana Santa continua forte. Esperamos vender tudo e fazer com que os clientes apreciem a qualidade da nossa oferta”, destacou Carlos.
SOBRE A ATeG
Através desta metodologia, centenas de produtores têm acesso ao conhecimento especializado para otimizar suas respectivas produções, gerando melhora de qualidade e quantidade dos produtos. Isso impacta diretamente na qualidade de vida dos homens e mulheres do campo, garantindo o desenvolvimento do agronegócio acreano.

No Acre, são atualmente atendidos mais de 600 produtores em 13 municípios, com oferta de ATeG para sete cadeias produtivas: piscicultura, horticultura, fruticultura, cafeicultura, pecuária de leite e corte, e mandiocultura.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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