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Moagem de cana e produção de açúcar deve bater recorde nesta safra

A safra de cana-de-açúcar na região centro-sul do Brasil para a temporada 2023/24 atingiu um novo recorde, alcançando 624,5 milhões de toneladas, de acordo com um relatório da consultoria Datagro. A principal região produtora do país experimentou boas condições de cultivo, o que resultou em uma produção histórica de açúcar.

Essa estimativa supera a projeção anterior de 612,3 milhões de toneladas e também ultrapassa o recorde anterior de 623,1 milhões de toneladas estabelecido em 2015/16, de acordo com dados da Datagro.

Além disso, a Datagro previu que a produção de açúcar na região centro-sul também atingirá um recorde de 40,3 milhões de toneladas, em comparação com a previsão anterior de 39,45 milhões. Isso representa um aumento de 19,5% em relação à safra anterior, superando o recorde anterior de 38,47 milhões de toneladas estabelecido em 2020/21.

A Datagro explicou que esses ganhos na produtividade da cana-de-açúcar na região centro-sul são resultado das condições climáticas favoráveis e dos investimentos em renovação e cuidados culturais nos canaviais.

As usinas na região centro-sul estão se beneficiando dessa safra abundante em um momento em que os preços do açúcar bruto atingiram níveis máximos em 12 anos, chegando a 27,62 centavos de dólar por libra-peso na bolsa ICE.

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A consultoria também destacou o aumento na produtividade, observando que em julho a região centro-sul alcançou uma média de 98 toneladas de cana por hectare, um aumento de 23,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Nos meses de abril a agosto, a produtividade média atingiu 93,5 toneladas por hectare, representando um crescimento de 22,8% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Devido à quantidade significativa de cana-de-açúcar disponível, as usinas na região estão planejando estender suas operações de moagem até a segunda quinzena de dezembro, desde que as condições climáticas continuem favoráveis.

Apesar das preocupações com o El Niño e chuvas acima do normal nas principais áreas de cultivo de cana, as condições climáticas têm sido benéficas para o corte e colheita, permitindo que as usinas alcancem recordes de moagem.

A Datagro também aumentou ligeiramente sua estimativa para a produção de açúcar em relação ao etanol, refletindo a maior rentabilidade do açúcar em comparação com o etanol. O mix de produção de açúcar foi revisado de 48,5% para 48,6%, em comparação com os 45,9% da safra anterior.

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Apesar do aumento na produção de açúcar, a estimativa total para a produção de etanol também foi elevada, passando de 31,73 bilhões de litros para 32,3 bilhões de litros, dos quais 6,10 bilhões de litros provêm da indústria de etanol de milho. Isso representa um aumento de 11,7% em relação à safra anterior, impulsionado principalmente pelo aumento na produção de etanol de milho, que registrou um crescimento anual de 37,6%.

Essas perspectivas da Datagro estão alinhadas com outras análises de mercado, como a da hEDGEpoint Global Markets, que também destacou as altas produtividades na safra de cana na região centro-sul do Brasil. Eles previram que a moagem de cana poderia chegar a 624,8 milhões de toneladas, com a produção de açúcar atingindo um recorde de 40,3 milhões de toneladas.

Fonte: Pensar Agro

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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