Agro Notícias
IBGE aponta safra recorde de 113,2 milhões de toneladas em MT, mas algodão acende alerta com queda de 11%

Mato Grosso caminha para encerrar 2026 com mais uma demonstração do peso do agronegócio sobre a economia estadual. A nova estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta uma produção de 113,2 milhões de toneladas de grãos, volume 2,3% superior ao registrado no ano passado e equivalente a aproximadamente 32,1% de toda a produção brasileira.
Os números referentes ao mês de agosto foram divulgados nesta terça-feira (15) e confirmam Mato Grosso isoladamente na liderança nacional da produção agrícola. A estimativa praticamente não sofreu alteração em relação ao levantamento anterior, mas revela movimentos importantes dentro das principais culturas do estado.
A área destinada à produção agrícola deve chegar a aproximadamente 22,85 milhões de hectares, expansão de 3,1%. O crescimento mostra que, mesmo diante de custos elevados, oscilações das commodities e pressão sobre a rentabilidade do produtor, a atividade agrícola continua ampliando sua dimensão territorial e econômica em Mato Grosso.
O principal impulso vem do milho segunda safra. A previsão é de uma colheita de aproximadamente 57,08 milhões de toneladas, crescimento de 4,6%. Com esse desempenho, o cereal supera inclusive a soja em volume produzido no estado.
A soja, principal produto da pauta agrícola e de exportações mato-grossenses, deverá alcançar 50,66 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 1%. O avanço da produção, entretanto, ocorre em um cenário de redução de 1,1% na produtividade, sinalizando que a expansão da área cultivada ajuda a sustentar o resultado final.
A estimativa aponta produção de 6,38 milhões de toneladas de algodão herbáceo em caroço, retração de aproximadamente 11%. A redução chama atenção porque Mato Grosso concentra parcela expressiva da cotonicultura brasileira e possui uma cadeia econômica que vai muito além das propriedades rurais, alcançando beneficiamento, transporte, armazenagem, exportação e geração de empregos.
Na prática, uma queda dessa magnitude pode significar menor movimentação econômica principalmente nas regiões fortemente dependentes da cultura, ainda que o desempenho positivo de milho e soja mantenha elevado o volume geral produzido pelo estado.
O feijão aparece na direção oposta. A produção estimada chega a aproximadamente 424 mil toneladas, avanço de 16,2%, um dos maiores crescimentos percentuais entre as principais culturas acompanhadas no levantamento.
Os números também reforçam outro desafio econômico para Mato Grosso: transformar produção recorde em maior geração de riqueza dentro do próprio estado.
Uma safra superior a 113 milhões de toneladas aumenta a pressão sobre rodovias, ferrovias, estruturas de armazenamento e corredores de exportação. Ao mesmo tempo, amplia a importância dos investimentos em industrialização de milho, soja e outras matérias-primas para evitar que parcela relevante dessa riqueza deixe Mato Grosso ainda na forma de produtos com menor valor agregado.
O avanço da produção de milho, por exemplo, ocorre justamente em um momento de expansão da indústria de etanol de milho no estado, segmento que vem criando uma nova demanda interna pelo cereal e estimulando investimentos em usinas, armazenagem, energia e logística.
Com quase um terço dos grãos produzidos no Brasil, Mato Grosso permanece altamente dependente do desempenho do campo para movimentar arrecadação, transportes, comércio, serviços e investimentos privados.
A fotografia apresentada pelo IBGE nesta terça-feira mostra, portanto, duas realidades dentro da mesma safra: de um lado, produção total em crescimento e milho avançando com força; de outro, algodão em retração de dois dígitos e produtividade da soja sob pressão.
O estado continua produzindo mais. O desafio econômico é fazer com que o tamanho dessa safra se converta, na mesma proporção, em renda, industrialização, empregos e investimentos dentro de Mato Grosso.
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Futuro em Campo reúne alunos de duas escolas municipais em Nova Mutum

Realizado dentro da própria escola, o projeto encurta a distância entre a sala de aula e a porteira. Em vez de levar as crianças até a lavoura, o Futuro em Campo traz a lavoura até elas, mostrando de forma concreta como o trabalho do produtor rural sustenta a economia da cidade onde vivem.
Para o delegado do Núcleo de Nova Mutum, Marcos Sfredo, a iniciativa cumpre um papel que vai além do conteúdo escolar. “É muito importante a Aprosoja MT ter trazido hoje o Futuro em Campo aqui para nós, em Nova Mutum, onde a gente pode passar um pouco para as crianças o que a gente faz dentro das propriedades, desde plantar a semente no chão até a colheita, e onde elas realmente utilizam soja e milho no dia a dia delas”, afirmou.
Ele lembra que, daqui a alguns anos, serão essas crianças a ocupar o lugar dos produtores de hoje. “Vão ser elas que vão estar no nosso lugar, tocando os negócios e levando esse estado para frente”.
Entre olhares atentos e perguntas, Marya Isabella, de 11 anos, aluna da CMEB Caminhos do Saber, anotava e desenhava tudo o que era apresentado. Filha de uma família de Alagoas, convive de perto com a rotina do setor. O pai trabalhou na lavoura e a mãe atua como balanceira, pesando os caminhões carregados de soja e milho. “Eu aprendi muito sobre o milho e a soja, eles estão nas comidas que temos em casa. No futuro, quero ser a pessoa que pilota drones, porque eu já sei mexer no GPS, e eu também sou desenhista”, contou.
O coordenador pedagógico da CMEB Caminhos do Saber, Jaime Martins da Silva, reforça que a ação ajuda as crianças a compreender o protagonismo de Mato Grosso na economia. “O projeto vem combinar com aquilo que elas já estudam um pouquinho em sala de aula sobre preparação de solo, cultivo das plantas, e também com a questão econômica, que é o que mantém aqui a nossa região, tanto a produção de soja e milho como a de algodão. Somos uma cidade de médio porte, mas o forte da economia, o que gera emprego e renda para os moradores, são os produtos que são extraídos ali do campo”, avaliou.
Durante as atividades, os alunos descobriram que produtos de limpeza, higiene, alimentação e beleza levam soja ou milho na composição.
Alexandre Ferreira Roma, de 12 anos, da escola anfitriã O Semeador, identificou vários itens que usa em casa e que passam pelo campo antes de chegar à prateleira. “Hoje eu aprendi que muitos produtos que tem em casa têm milho e soja. Quando eu vou ajudar minha mãe, a gente usa o detergente, que é feito de soja”, disse.
Marya e Alexandre se encantaram com a mesma profissão. “A profissão que eu mais gostei foi piloto de drone, porque eu sempre gostei de olhar as coisas de um ângulo maior”, completou o menino.
As crianças também plantaram seis mudas de árvores nativas no pátio da escola, atividade que reforçou a mensagem de preservação ambiental trabalhada ao longo do dia.
Coordenadora dos 4º, 5º e 6º anos da Escola Municipal O Semeador, Fabíola Nogueira destacou o alcance da experiência. “Foi muito importante trazer esse projeto para a nossa cidade e principalmente para a nossa escola, que está abrigando essa ação. É um aprendizado muito grande, porque eles vão levar para casa. É um legado que eles vão carregar não só para a casa deles, mas também para o futuro. Futuramente serão profissionais de excelência”, afirmou.
A parceria com a rede pública foi ressaltada pela coordenadora da Secretaria de Educação de Nova Mutum, Maitê Boettcher. “É muito importante esse desenvolvimento do projeto da Aprosoja, essa parceria com as escolas públicas de Mato Grosso, porque traz conhecimento para as nossas crianças na perspectiva de valorizar o agronegócio, de entender o que é produzido no campo e como isso vai chegar à mesa deles. Às vezes eles ainda não têm esse conhecimento e, acima de tudo, essa valorização da agricultura do nosso estado”, pontuou.
Ao transformar conteúdo técnico em brincadeira, o Futuro em Campo deixa Nova Mutum com uma turma capaz de reconhecer a origem do que consome e com seis árvores a mais no pátio da escola. Para a Aprosoja MT, é o começo de uma conversa que deve durar anos, com quem vai decidir o futuro da produção mato-grossense.
Marianne Mariano
Assessoria de Comunicação
Telefone: 65 3644-4215
E-mail: [email protected]
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