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Futuro em Campo reúne alunos de duas escolas municipais em Nova Mutum

 

Noventa alunos do 6º ano da Escola Municipal O Semeador e convidados do Centro Municipal de Educação Básica (CMEB) Caminhos do Saber, em Nova Mutum, participaram nesta quinta-feira (10.09) do Futuro em Campo, projeto da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) que apresenta a cadeia produtiva da soja e do milho a crianças por meio de brincadeiras e palestras.

Realizado dentro da própria escola, o projeto encurta a distância entre a sala de aula e a porteira. Em vez de levar as crianças até a lavoura, o Futuro em Campo traz a lavoura até elas, mostrando de forma concreta como o trabalho do produtor rural sustenta a economia da cidade onde vivem.

Para o delegado do Núcleo de Nova Mutum, Marcos Sfredo, a iniciativa cumpre um papel que vai além do conteúdo escolar. “É muito importante a Aprosoja MT ter trazido hoje o Futuro em Campo aqui para nós, em Nova Mutum, onde a gente pode passar um pouco para as crianças o que a gente faz dentro das propriedades, desde plantar a semente no chão até a colheita, e onde elas realmente utilizam soja e milho no dia a dia delas”, afirmou.

Ele lembra que, daqui a alguns anos, serão essas crianças a ocupar o lugar dos produtores de hoje. “Vão ser elas que vão estar no nosso lugar, tocando os negócios e levando esse estado para frente”.

Entre olhares atentos e perguntas, Marya Isabella, de 11 anos, aluna da CMEB Caminhos do Saber, anotava e desenhava tudo o que era apresentado. Filha de uma família de Alagoas, convive de perto com a rotina do setor. O pai trabalhou na lavoura e a mãe atua como balanceira, pesando os caminhões carregados de soja e milho. “Eu aprendi muito sobre o milho e a soja, eles estão nas comidas que temos em casa. No futuro, quero ser a pessoa que pilota drones, porque eu já sei mexer no GPS, e eu também sou desenhista”, contou.

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O coordenador pedagógico da CMEB Caminhos do Saber, Jaime Martins da Silva, reforça que a ação ajuda as crianças a compreender o protagonismo de Mato Grosso na economia. “O projeto vem combinar com aquilo que elas já estudam um pouquinho em sala de aula sobre preparação de solo, cultivo das plantas, e também com a questão econômica, que é o que mantém aqui a nossa região, tanto a produção de soja e milho como a de algodão. Somos uma cidade de médio porte, mas o forte da economia, o que gera emprego e renda para os moradores, são os produtos que são extraídos ali do campo”, avaliou.

Durante as atividades, os alunos descobriram que produtos de limpeza, higiene, alimentação e beleza levam soja ou milho na composição.

Alexandre Ferreira Roma, de 12 anos, da escola anfitriã O Semeador, identificou vários itens que usa em casa e que passam pelo campo antes de chegar à prateleira. “Hoje eu aprendi que muitos produtos que tem em casa têm milho e soja. Quando eu vou ajudar minha mãe, a gente usa o detergente, que é feito de soja”, disse.

Marya e Alexandre se encantaram com a mesma profissão. “A profissão que eu mais gostei foi piloto de drone, porque eu sempre gostei de olhar as coisas de um ângulo maior”, completou o menino.

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As crianças também plantaram seis mudas de árvores nativas no pátio da escola, atividade que reforçou a mensagem de preservação ambiental trabalhada ao longo do dia.

Coordenadora dos 4º, 5º e 6º anos da Escola Municipal O Semeador, Fabíola Nogueira destacou o alcance da experiência. “Foi muito importante trazer esse projeto para a nossa cidade e principalmente para a nossa escola, que está abrigando essa ação. É um aprendizado muito grande, porque eles vão levar para casa. É um legado que eles vão carregar não só para a casa deles, mas também para o futuro. Futuramente serão profissionais de excelência”, afirmou.

A parceria com a rede pública foi ressaltada pela coordenadora da Secretaria de Educação de Nova Mutum, Maitê Boettcher. “É muito importante esse desenvolvimento do projeto da Aprosoja, essa parceria com as escolas públicas de Mato Grosso, porque traz conhecimento para as nossas crianças na perspectiva de valorizar o agronegócio, de entender o que é produzido no campo e como isso vai chegar à mesa deles. Às vezes eles ainda não têm esse conhecimento e, acima de tudo, essa valorização da agricultura do nosso estado”, pontuou.

Ao transformar conteúdo técnico em brincadeira, o Futuro em Campo deixa Nova Mutum com uma turma capaz de reconhecer a origem do que consome e com seis árvores a mais no pátio da escola. Para a Aprosoja MT, é o começo de uma conversa que deve durar anos, com quem vai decidir o futuro da produção mato-grossense.

 

Marianne Mariano

Assessoria de Comunicação
Telefone: 65 3644-4215
E-mail: [email protected]

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Agro Notícias

Secretaria do Agro divide opiniões em MT: Pivetta rejeita nova pasta e Janaina defende estrutura exclusiva para o setor

Proposta reacende debate sobre representatividade do agronegócio dentro do Governo de Mato Grosso; enquanto Janaina Riva defende uma secretaria específica, governador Otaviano Pivetta afirma que ampliar a máquina pública não é solução

O peso do agronegócio na economia de Mato Grosso colocou em evidência um novo debate político e administrativo: o Estado precisa de uma secretaria exclusiva para representar o setor produtivo?

A proposta ganhou força durante a campanha eleitoral de 2026 e colocou em lados diferentes o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e a candidata ao Senado Janaina Riva (MDB).

Janaina defende a criação de uma Secretaria Estadual do Agro, enquanto Pivetta rejeita a abertura de uma nova pasta e sustenta que as estruturas existentes são suficientes para atender às demandas dos produtores.

A discussão ganha relevância especialmente porque Mato Grosso tem na produção agropecuária uma das principais bases de sua economia e exerce papel de destaque nacional na produção de grãos, fibras, carnes e na exportação de commodities.

Janaina quer estrutura exclusiva para o agronegócio

Durante agenda em Sinop, Janaina Riva classificou o agronegócio mato-grossense como a “galinha dos ovos de ouro” do Estado e afirmou que o setor precisa ter maior representação dentro da estrutura administrativa do Governo.

Segundo a candidata ao Senado, a atual Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) exerce uma função importante, mas não teria como finalidade representar integralmente as demandas do agronegócio empresarial e das grandes cadeias produtivas.

Janaina citou entidades como Famato, Aprosoja e Fórum Agro como organizações que atualmente exercem papel importante na representação dos produtores e argumentou que o próprio Governo deveria ter uma estrutura com capacidade de participar de debates estaduais, nacionais e internacionais relacionados à atividade rural.

A proposta, segundo ela, também permitiria concentrar políticas relacionadas à inovação, tecnificação, desenvolvimento das cadeias produtivas e defesa dos interesses do setor.

Temas como moratória da soja, marco temporal, comércio internacional, legislação ambiental, logística, financiamento, segurança jurídica e competitividade da produção estão entre as questões que constantemente afetam produtores de Mato Grosso e dependem de articulação política fora das fronteiras estaduais.

Pivetta diz que criar secretaria não resolve

Otaviano Pivetta adota posicionamento contrário.

Durante sabatina promovida pela Aliança do Setor Produtivo, formada por Famato, Fiemt e Fecomércio-MT, o governador afirmou que não pretende criar uma nova Secretaria de Agricultura ou do Agronegócio.

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Pivetta argumenta que o objetivo deve ser reduzir e tornar mais eficiente a estrutura do Estado, e não ampliar o número de secretarias.

Ao ser questionado sobre a proposta, respondeu aos representantes do setor produtivo que o agronegócio já pode ocupar espaço dentro da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

“Mais secretarias? Vocês acham que isso vai resolver? Nós temos a Secretaria de Desenvolvimento, vocês podem pular para dentro”, afirmou durante o encontro.

Pivetta chegou a sinalizar que sua administração poderá trabalhar na direção contrária, avaliando inclusive a redução do número de secretarias existentes.

O argumento do governador se baseia principalmente na eficiência administrativa: em vez de criar novos cargos, estruturas, gabinetes e despesas, o governo poderia fortalecer departamentos que já existem.

E, de fato, o Estado já possui uma Secretaria Adjunta de Agronegócios e Investimentos dentro da Sedec.

Documentos oficiais do Governo de Mato Grosso mostram que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico é responsável por políticas relacionadas ao desenvolvimento industrial, comercial, turístico, mineral, agropecuário, florestal e energético. Sua estrutura inclui especificamente uma Secretaria Adjunta de Agronegócios e Investimentos.

O ponto central: secretaria própria ou estrutura fortalecida?

O debate, portanto, não está relacionado à importância do agronegócio, reconhecida pelos dois lados, mas à forma como o poder público deve organizar sua representação.

Quem defende uma secretaria exclusiva argumenta que o tamanho e a complexidade do agronegócio mato-grossense justificariam uma estrutura própria, comandada por um secretário com acesso direto ao governador e orçamento destinado especificamente às políticas do setor.

Uma pasta exclusiva poderia concentrar discussões sobre produção, mercados internacionais, infraestrutura, armazenamento, defesa comercial, tributação, financiamento rural, sustentabilidade, industrialização da produção e atração de investimentos.

Também poderia funcionar como interlocutora permanente entre Governo do Estado, produtores, cooperativas, associações, agroindústrias, Governo Federal e compradores internacionais.

Do outro lado, a criação de uma nova secretaria inevitavelmente provoca outra discussão: é necessário ampliar a máquina pública para oferecer essa representação?

A posição de Pivetta é que não.

Na avaliação do governador, essas políticas podem ser executadas dentro da Sedec, evitando duplicação administrativa e novos custos aos cofres públicos.

Agricultura Familiar já possui secretaria própria

Outro ponto importante é não confundir as atribuições.

Mato Grosso já possui a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar, a Seaf, mas sua atuação é direcionada principalmente aos pequenos produtores e ao desenvolvimento rural de menor escala.

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A estrutura oficial da pasta estabelece como missão promover o desenvolvimento da agricultura familiar, geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental. O órgão trabalha ainda com assistência técnica, comercialização, agroindústrias familiares, cooperativismo e fortalecimento de pequenos produtores.

Por isso, defensores de uma Secretaria do Agro sustentam que uma estrutura destinada ao agronegócio empresarial não necessariamente substituiria a Seaf.

Seriam públicos e demandas diferentes.

Representatividade pode ser tão importante quanto orçamento

A discussão sobre uma Secretaria do Agro envolve ainda um componente político.

Mato Grosso precisa constantemente defender seus interesses em Brasília e também diante de mercados internacionais.

Decisões tomadas pelo Congresso Nacional, Governo Federal, Supremo Tribunal Federal, União Europeia, China e grandes empresas compradoras podem provocar consequências diretas sobre produtores mato-grossenses.

Questões ambientais e comerciais, por exemplo, podem alterar regras de produção, acesso a mercados e rentabilidade das propriedades rurais.

Uma estrutura governamental especializada poderia aumentar a capacidade de Mato Grosso participar dessas discussões.

Por outro lado, a existência de uma secretaria, isoladamente, não garante melhores resultados.

Para justificar sua criação, a nova estrutura precisaria apresentar competências claramente diferentes das já desempenhadas pela Sedec, evitar sobreposição de atribuições e demonstrar capacidade de entregar políticas públicas concretas.

Debate deve avançar além da eleição

A divergência entre Pivetta e Janaina Riva coloca na pauta uma discussão maior que a própria disputa eleitoral.

Mato Grosso deverá decidir se o crescimento e a complexidade de seu principal setor econômico justificam uma secretaria própria ou se o caminho mais eficiente é fortalecer a Secretaria Adjunta de Agronegócios já existente dentro da Sedec.

Janaina entende que chegou o momento de elevar o agronegócio ao nível de uma secretaria estadual.

Pivetta considera que aumentar a estrutura administrativa significa aumentar o Estado e os custos pagos justamente por quem produz e recolhe impostos.

Entre os dois posicionamentos existe uma questão que deverá ser respondida pelo setor produtivo e pela sociedade: Mato Grosso precisa de mais uma secretaria ou precisa dar mais poder, estrutura e autonomia aos órgãos que já representam o agronegócio?

Independentemente da resposta, a dimensão econômica da agropecuária mato-grossense torna evidente que as decisões relacionadas ao setor continuarão ocupando posição central na agenda do próximo governo.

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