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FAEP apoia operação que coíbe contrabando de gado da Argentina


A FAEP manifesta apoio à operação “Operação Boi Viajante”, da Polícia Federal com contribuição da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), que revelou o contrabando de bovinos da Argentina entrando pela região Sudoeste do Estado. A investigação aponta que cinco produtores teriam introduzido ilegalmente no Brasil cerca de 5,7 mil bovinos, com valor comercial superior a R$ 14 milhões. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Foz do Iguaçu, Barracão, Bom Jesus do Sul e Santo Antônio do Sudoeste, no Paraná; e Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina.

“A FAEP apoia firmemente as ações de fiscalização e controle da movimentação de animais, não somente entre países, mas também entre Estados. Trabalhamos intensamente nas últimas cinco décadas para obter o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal [OIE], que obtivemos no ano passado. Faz parte da manutenção desse status termos operações constante em uma vigilância ativa para mostrarmos que no Paraná levamos o assunto sanidade a sério”, aponta o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette.

Segundo o gerente de Trânsito Agropecuário da Adapar, Allan Gabriel Campos Pimentel, para que o Paraná siga como área livre de febre aftosa sem vacinação é preciso que não entrem animais de outros Estados ou países com status diferentes (caso da Argentina e do Paraguai, por exemplo). “Se animais vacinados entrarem numa área sem vacinação, como é o nosso caso, isso tem potencial para impactar na manutenção do status. É preciso ser coibido”, salienta.

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Operação

As investigações da “Operação Boi Viajante” começaram em 2019. Um dos aspectos que contribuíram para a estratégia de descaminho foi a facilidade de trânsito de um lado para o outro da fronteira no local. Em muitas áreas, não há barreira natural (como rios ou montanhas) entre os países, sendo apenas uma cerca dividindo uma fazenda brasileira de uma argentina. Aliado a isso, os contrabandistas desenvolveram formas de falsificar documentos que comprovam a origem dos animais, além de documentos como a Guia de Trânsito Animal (GTA).

Foto da investigação divulgada pela Polícia Federal

De acordo com a Polícia Federal, uma das principais táticas para burlar as regras sanitárias do Paraná era dizer que os bovinos tinham nascido na propriedade. Em uma das fazendas o criador chegou a declarar que, no período de apenas dois meses, nasceram 50 bezerros. Porém, nenhum deles era fêmea, enquanto que nos quatro anos anteriores, apesar de o rebanho ter aproximadamente 50% de vacas, não havia ocorrido formalmente nenhum nascimento de fêmea.

Os suspeitos que respondem pela conduta criminosa estão sendo enquadrados em delitos previstos no Código Penal como: contrabando, associação criminosa, falsidade ideológica e infração de medida sanitária preventiva. As penas máximas somam 18 anos de reclusão. Além disso, um dos investigados pelo contrabando de gado também é investigado em outro procedimento relacionado ao descaminho de vinhos argentinos (Operação Formiga III), o que pode agravar a pena deste suspeito.

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Vigilância em alerta

As operações têm sido constantes, de acordo com Pimentel, envolvendo inclusive o Ministério da Agricultura, Pecuária de Abastecimento (Mapa), Secretaria Estadual de Segurança Publica (SESP), Policia Militar (por meio da Patrulha Rural e BPFron) e Policia Civil. “Sempre que ocorre a identificação de animais vindos de outros Estados ou países que vacinam seus rebanhos, ocorre imediatamente o abate sanitário. Não se utiliza nada do animal. A carcaça é totalmente destruída. Ampliamos a questão da vigilância ativa na região, fiscalização nas propriedades no sentido de coibir qualquer movimentação irregular”, revela.

O gerente de trânsito animal orienta ainda os produtores para que se atentem às normas sanitárias que preveem que o produtor só pode comprar animais para criação de Estados com mesmo status sanitário (Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Acre).

Outra questão é que o produtor tem que manter atualizado seu cadastro junto a Adapar e fazer a movimentação de animais sempre com GTA. “O caso que ocorreu agora de produtores burlando as regras foi uma exceção, nós sempre trabalhamos em parceria com o produtor de modo a garantir o status sanitário”, orienta Pimentel.

Fonte: CNA Brasil

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Agro Notícias

Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.

A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.

O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.

Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.

Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.

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Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.

No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.

“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.

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Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.

“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.

Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima

Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.

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