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Encontro analisa mercado da borracha natural e importância do Índice de Preço de Importação

Brasília (17/05/2022) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, na terça (17), a live “Mercado de Borracha Natural: 2 anos do Índice de Preço de Importação”, na terça (17). O indicador é divulgado mensalmente pela CNA em parceria com o Instituto de Economia Agrícola (IEA).

O encontro foi moderado pela assessora técnica da CNA, Eduarda Lee, e teve como debatedores a pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA Regional), Elaine Piffer; a co-coordenadora do Projeto de Índice de Preço de Importação no Instituto de Economia Agrícola (IEA), Marli Oliveira, e o heveicultor (produtor de borracha) João Favero Neto.

Segundo Eduarda, o Brasil chegou a ser o maior produtor mundial de borracha natural até meados da década de 50, mas após forte declínio da produção, crescimento da atividade em outros continentes – principalmente Ásia –, e perda da competitividade, passou a responder por pouco mais de 1% da produção mundial, tornando-o dependente do mercado externo.

“Esse gap entre produção e consumo tem sido encarado por muitos como uma oportunidade para uma nova alavancagem da produção brasileira, que já estima um crescimento expressivo da produção para os próximos anos. Além disso, o Brasil está a frente de outros países produtores no que se refere a índices de produtividade, boas práticas de produção e sustentabilidade”, afirmou a assessora da CNA.

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Atualmente, o setor movimenta R$ 28 bilhões anualmente e gera mais de 100 mil empregos diretos, concentrados principalmente nos estados de São Paulo e Goiás.

Elaine Piffer, que também é representante da CNA na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Borracha Natural do Ministério da Agricultura, abordou pontos como a política de preço da borracha natural no Brasil, gargalos para expansão e manutenção dos seringais, além do cenário da borracha natural no País e oportunidades.

Marli Oliveira falou sobre a parceria entre o IEA e a CNA, iniciada em 2020, e a metodologia utilizada para o levantamento de informações e a definição do Índice de Preço de Importação. Ela explicou as etapas do estudo, diretrizes para aprovação, levantamento dos dados e resultados, como é feito o cálculo do indicador e maiores influenciadores na formação do preço de importação.

O produtor rural João Favero Neto, da região de Aparecida do Taboado (MS), contou como vem utilizando o índice – que serve de referência para as negociações entre heveicultores e os compradores de borracha natural – e o impacto na hora de negociar os produtos. Na sua opinião, o indicador tem transparência na composição e na rapidez das atualizações do dólar e da cotação da borracha no mercado internacional, e dá credibilidade por ser elaborado por duas instituições oficiais.

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“Contribui muito na hora da comercialização, mas ainda temos um grande trabalho pela frente para colocar o nosso produto a um preço rentável, para a que a produção se torne viável e os custos sejam compensados”, disse.

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Fonte: CNA Brasil

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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