Agro Notícias
Empresário em Recuperação Judicial de R$ 39 milhões corre risco de perder 8 mil toneladas de soja em MT

A desembargadora da Quarta Câmara de Direito Privado, Serly Marcondes Alves, suspendeu a decisão que declarou a essencialidade de 8,1 mil toneladas de soja de Caio Penna Martins, produtor rural que se encontra em recuperação judicial com dívidas de R$ 38,9 milhões. A magistrada atendeu a um pedido da Agrovenci – Comércio, Importação, Exportação e Agropecuária, que cobra duas cédulas de produto rural (CPRs) do produtor e que venceram em 1º de fevereiro de 2024.
A decisão monocrática foi proferida no último dia 17. Serly Marcondes Alves lembrou que a operação financeira é considerada como um crédito extraconcursal – aqueles que não se submetem à legislação específica da recuperação judicial, com a possibilidade de descontos e prazos para pagamentos das dívidas.
Com a declaração de não essencialidade das commodities, Caio Penna Martins, que atua no município de Santa Terezinha (1.272 Km de Cuiabá), pode perder a soja para a organização que cobra seu débito em soja. “O recurso está circunscrito à questão da essencialidade de bens de consumo, mais especificamente, de produto oriundo de operação de barter, representada por duas cédulas de produto rural, as quais, por disposição legal, são considerados créditos extraconcursais”, lembrou a desembargadora.
Nos autos da recuperação judicial, por sua vez, Caio Penna Martins, conta que se formou no ano de 2009 em engenharia agrônoma, se dedicou a diversas culturas de commodities – milho, cana-de-açúcar, soja, amendoim, gergelim -, e que o clima lhe trouxe prejuízos. “A escassez hídrica, vinculada ao fenômeno El Niño que assola a região Centro-Oeste, acarreta desafios inerentes ao plantio, agravados por fatores externos além do controle da entidade. Diante dos desafios operacionais e financeiros decorrentes da quebra da safra, elevação dos custos e redução dos preços das commodities, o produtor Caio Penna, respaldado por seu histórico de credibilidade e gestão, buscou novos recursos para manter suas atividades”, diz trecho do processo.
Os prejuízos nas safras fez com que o produtor recorresse a empréstimos e outras fontes de crédito.
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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