Agro Notícias
CNA discute perspectivas econômicas para o agro em ano de eleições e guerra
Brasília (08/04/2022) – O coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, apresentou as perspectivas econômicas para o agro em ano de eleições e guerra, durante evento promovido pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), na sexta (8).
Conchon mostrou o panorama da economia internacional, ressaltando que os gargalos ainda não foram resolvidos devido aos efeitos da pandemia da covid-19 e agora da guerra entre Rússia e Ucrânia. Um dos efeitos do atual cenário é o impacto no preço das commodities, que aumento de forma expressiva os custos de produção.
“Apesar de os países terem avançado com a vacinação e começado a flexibilizar, os custos de produção no Brasil e no mundo estão em patamares historicamente altos. Os preços das commodities no mundo estão subindo e refletindo no aumento do custo dos produtores brasileiros, o que pode significar aumento da inflação de alimentos aqui e no mundo”, avaliou.
Conchon acredita que o desenrolar da guerra e da pandemia deve fazer com que algumas economias passem a conviver com inflações mais altas que prejudicarão seu crescimento, como Índia, Estados Unidos e União Europeia. “Essas nações devem ver uma tendência significativa de inflação mais alta nos próximos anos, o que vai refletir nas taxas básicas de juros em todo o mundo”.
O coordenador ressaltou, porém, que ainda há incertezas sobre os rumos da economia diante de novos surtos de covid na China e em outros países produtores de matéria-prima, além da duração da guerra, embora se espere um cessar-fogo para as próximas semanas ou meses.
“O Valor Bruto da Produção deve crescer impulsionado principalmente pela alta das commodities. No entanto, se por um lado o faturamento está subindo, os custos de produção também estão, e não só para os produtores de commodities”, alertou.
“Também estamos vendo o custo de produtos do mercado doméstico aumentar, como feijão e arroz, por exemplo, mas a receita do produtor não aumenta”, completou.
Conchon concluiu dizendo que tanto os desdobramentos da guerra quanto as eleições deste ano irão ditar os rumos da economia no País.
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Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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