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Saúde

Por que alguns especialistas dizem que os EUA estão errados ao banir a soneca no trabalho

Não está claro por que a norma foi editada, uma vez que a agência se recusou a comentá-la. E não é a primeira vez que autoridades americanas investem contra a soneca: em 2018, uma agência de auditoria do Estado da Califórnia apontou que uma funcionária passava até três horas por dia dormindo, forçando os colegas a cobrir sua ausência e gerando perdas de até US$ 40 mil em produtividade ao longo de quatro anos.

Uma ressalva, porém: o supervisor da funcionária não quis puni-la pela soneca, uma vez que havia a preocupação de que ela tivesse um problema de saúde que causava a sonolência.

Uma segunda ressalva: embora cause preocupação em chefes a ideia de os funcionários passarem tempo de trabalho dormindo, alguns cientistas têm argumentado que a soneca aumenta sua produtividade, em vez de diminuir.

O médico Lawrence Epstein, diretor da Clínica de Medicina do Sono no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA), estima que cerca de 70 milhões de americanos sofram de distúrbios do sono. No Brasil, a estatística é semelhante: diferentes pesquisas estimam que cerca de um terço da população sofra de algum grau de insônia recorrente.

E tem crescido o número de pessoas se queixando de não dormir o suficiente, bem como as que sentem que seu sono é afetado pelo uso constante de telas de TV, celular e tablets.

“Algumas empresas estão mais atentas a isso e criando formas de lidar. Infelizmente, não acho que nossas agências governamentais estão na liderança desse movimento”, disse Epstein à BBC.

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“É algo que pode e precisa ser cuidado, mas infelizmente não costuma ser.”

O argumento é de que a privação de sono cobra seu preço da saúde das pessoas — e, por consequência, de sua produtividade econômica.

Pesquisas apontam elos entre problemas de sono e males de saúde como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e derrames, além de ansiedade e depressão.

Em 2016, uma análise conduzida pela empresa de pesquisas Rand Corporation estimou em US$ 411 bilhões o impacto anual da privação de sono na economia americana, por problemas que vão desde acidentes de trânsito, acidentes industriais, erros médicos e baixa produtividade.

Por isso, Epstein e outros especialistas em sono têm defendido que funcionários possam tirar pequenas sonecas durante o expediente.

“Pessoas em privação de sono não trabalham em sua capacidade máxima e têm um risco maior de passar por acidentes de trabalho, custando mais caro às empresas porque têm mais problemas de saúde”, diz o médico.

Existem, porém, algumas iniciativas em favor da soneca. No Japão (onde, por outro lado, existe uma preocupação com jornadas excessivamente longas e seu impacto na vida das pessoas), algumas empresas estão instalando cápsulas à prova de ruído para encorajar os funcionários a descansar.

E empresas americanas como a fabricante de sorvetes Ben & Jerry’s têm criado salas de descanso simples, com uma cama e um leve cobertor.

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Na Ben & Jerry’s, as sonecas são limitadas a 20 minutos por pessoa, e funcionários que não estejam se sentindo bem e precisem de descanso adicional são orientados a voltar para casa.

Mas ainda existe um estigma, por parte dos próprios funcionários, quanto ao uso da sala, afirma Laura Peterson, porta-voz da empresa.

“Poucas pessoas admitem usar a sala”, diz ela. “Eu às vezes a uso. Acho que é um bom intervalo (na jornada) e de fato me sinto mais produtiva.”

Outro funcionário da Ben & Jerry’s concorda. “Na primeira vez que usei a sala me senti estranho, mas o resultado foi tão sensacional que foi fácil deixar essa sensação de lado”, diz Rob Michalak. “Na segunda vez, sabia que me sentiria renovado e pronto para mergulhar de volta na tela do computador e nos documentos em que estava trabalhando.”

Em um estudo de 2002 publicado pela Nature Neuroscience, cientistas testaram o desempenho de pessoas quatro vezes ao longo do dia — e esse desempenho foi piorando a cada teste. No entanto, essa piora era interrompida depois de as pessoas tirarem uma soneca de 30 minutos, ou revertida depois de uma soneca maior, de 60 minutos.

Nesses casos, disse ao The New York Times Sara Mednick, coautora do estudo, “as sonecas tiveram a mesma magnitude de benefícios de uma noite de sono”.

BBC

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Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

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A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

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“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

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