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Saúde

País tem que focar na prevenção ou vai quebrar, diz médico

Em agosto, o médico Gilberto Ururahy lança “Saúde sem surpresa – medicina preventiva em primeiro lugar”, seu quarto livro. Diretor-médico da Med-Rio, empresa que realizou mais de 130 mil check-ups desde a sua criação, em 1990, ele tem quase 30 anos de observação sobre o assunto. Da primeira leva de executivos que se submeteram aos exames, já há gente na casa dos 80 e até 90. Ururahy sabe que seus clientes pertencem a uma pequena parcela privilegiada, com acesso a saúde de qualidade. Por isso mesmo, sua preocupação atual é com as políticas públicas para o setor: “o país tem que focar na prevenção ou simplesmente vai quebrar, porque não conseguirá dar conta de uma população que envelhece sob o peso de doenças crônicas incapacitantes, como hipertensão e diabetes, que afetam a independência e a autonomia das pessoas”.

Nos Estados Unidos, as doenças crônicas respondem por 75% dos 2.2 trilhões de dólares (quase 9 trilhões de reais) gastos em saúde pública. O impacto na economia está estimado em 1.3 trilhão de dólares (R$ 5.5 trilhões), com expectativa de chegar a 6 trilhões (R$ 24 tri) em 2050. No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis são responsáveis por 72% das mortes. “Você pode trabalhar e corrigir uma predisposição, porque sabemos que o estilo de vida representa 73% dos fatores que vão garantir a longevidade. Acompanhei pacientes que mudaram totalmente seus hábitos, enquanto outros apenas guardavam os exames. Os resultados do ano seguinte, claro, eram desfavoráveis. Se nada é feito, o cenário metabólico só piora enquanto o risco para AVC, infarto e câncer aumenta”, afirma.

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Ele faz uma reflexão sobre o país: “o esforço do governo deveria ser voltado para a prevenção desde a infância. Isso começa com investimento em saneamento e saúde da família. A população consome carboidratos em excesso, desconhece os males dos alimentos ultraprocessados e os rótulos não alertam para a composição dos produtos. Temos que repensar a merenda das escolas e incentivar a atividade física, criando mais ciclovias, áreas de lazer e piscinas públicas. Esse é o tipo de investimento que faria o país economizar bilhões”. Executivos realizam check-ups porque as empresas sabem que aqueles indivíduos são estratégicos – cuidar do seu bem-estar é fundamental porque substitui-los sai caro e nem sempre traz bons resultados. O país também deveria pensar dessa forma em relação a seus cidadãos.

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Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

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A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

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“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

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