Saúde
Os maiores erros no uso das canetas emagrecedoras e por que eles comprometem resultados
As canetas emagrecedoras — medicamentos injetáveis à base de análogos do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida — revolucionaram o tratamento da obesidade e ganharam grande destaque nos últimos anos. Elas são eficazes, seguras e reconhecidas por importantes estudos clínicos. No entanto, com a popularização, surgiram hábitos inadequados e expectativas irreais que atrapalham o tratamento, aumentam os riscos e geram frustração em muitos pacientes.
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que basta aplicar a caneta para emagrecer. Embora esses medicamentos realmente reduzam o apetite, aumentem a saciedade e auxiliem no controle glicêmico, eles não substituem hábitos saudáveis. Sem ajuste alimentar, prática regular de atividade física e acompanhamento médico, a perda de peso pode ser menor do que a prevista, há maior risco de perda de massa magra e a chance de recuperar o peso após interromper o uso se torna muito maior. A caneta é uma ferramenta, não uma solução isolada.
Outro erro frequente ocorre quando o paciente ajusta a dose por conta própria. Esses medicamentos possuem esquemas de titulação que aumentam gradualmente a dosagem para que o organismo se adapte, reduzindo efeitos adversos. Quando alguém decide “pular etapas” e aumentar a dose antes do indicado, os efeitos colaterais costumam ser mais intensos, como náuseas, vômitos e mal-estar — fatores que frequentemente levam ao abandono precoce do tratamento. Por outro lado, manter uma dose muito baixa por medo de reações indesejadas também prejudica a eficácia. A dose correta é sempre individual e deve ser definida pelo médico.
Um problema especialmente preocupante é a compra de medicamentos sem prescrição ou de fontes não confiáveis. O mercado paralelo cresceu com a alta demanda e, junto dele, surgiram versões falsificadas ou manipuladas sem controle de qualidade, muitas vezes vendidas pela internet. Além de ilegal, essa prática é perigosa e expõe o paciente a substâncias contaminadas, impurezas ou produtos sem princípio ativo. Qualquer medicamento injetável deve ser adquirido apenas em farmácias legalizadas e mediante receita médica.
Também é comum que alguns pacientes ignorem contraindicações importantes. As canetas não são indicadas para todas as pessoas e exigem uma avaliação criteriosa, especialmente para quem tem histórico de pancreatite ou predisposição a alguns tipos de tumores. Usar sem orientação pode mascarar sinais relevantes ou até agravar condições pré-existentes. Da mesma forma, efeitos colaterais persistentes não devem ser tratados como “normais demais”. Embora sintomas leves no início sejam esperados, dores abdominais constantes, vômitos contínuos, diarreia intensa ou sinais de desidratação precisam de avaliação médica imediata.
Outro equívoco comum é interromper o tratamento abruptamente e acreditar que os resultados serão mantidos. Como a obesidade é uma doença crônica, ela requer tratamento contínuo. Quando a interrupção é necessária, o desmame deve ser planejado e acompanhado para minimizar o risco de reganho de peso. Essa transição exige ajustes no estilo de vida e, muitas vezes, no plano terapêutico.
Além disso, cresce o uso das canetas em pessoas sem indicação clínica, movidas apenas por objetivos estéticos. Entretanto, esses medicamentos são recomendados principalmente para pessoas com obesidade ou com sobrepeso associado a comorbidades como diabetes, hipertensão ou apneia do sono. Fora desses critérios, os riscos podem superar os benefícios.
Tudo isso evidencia que o acompanhamento especializado não é um detalhe, mas uma parte essencial do processo. A avaliação médica permite personalizar o tratamento, identificar riscos, ajustar doses, monitorar efeitos colaterais e orientar mudanças de hábito que tornam o resultado mais seguro e duradouro. A obesidade é uma condição complexa, influenciada por fatores genéticos, hormonais, comportamentais e emocionais — e, por isso, o tratamento precisa ser conduzido com responsabilidade e individualização.
As canetas emagrecedoras representam um avanço significativo, mas seu uso deve ser seguro, consciente e baseado em orientação profissional. Quando bem acompanhadas, são grandes aliadas na saúde e no emagrecimento. Quando usadas sem supervisão, porém, podem trazer riscos desnecessários e comprometer o resultado que tantos desejam.
Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.
Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.
No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.
“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.
A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.
Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.
De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.
A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.
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