Saúde
Os germes resistentes ao gel antibacteriano – e por que às vezes é melhor usar água e sabão
Os populares frascos com gel antibacteriano, antissépticos ou desinfetantes para as mãos facilitam a vida em uma era em que há maior consciência da importância da higiene. Mas pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), uma agência do governo dos Estados Unidos, indicam que eles não são tão eficazes contra alguns tipos de germes, que podem ser melhor combatidos com água e sabão.
Embora o CDC destaque que, na maioria dos casos, desinfetar as mãos com gel funciona tão bem quanto lavar a mão, há um limite para o que esses produtos podem erradicar e as condições em que podem ser eficientes.
O gel não protege, por exemplo, contra Salmonella, Escherichia coli, Staphylococcus aureus resistente a antibióticos (MRSA) e norovírus, que podem ser transmitidos de pessoa para pessoa, causar complicações sérias e até levar à morte.
No caso da Salmonella e da Escherichia coli, a diarreia provocada pode ser fatal em casos graves. O contágio pode ocorrer pelo contato com fezes ou alimentos que não foram adequadamente refrigerados. Isso pode ser evitado ao lavar as mãos com água e sabão, especialmente depois de usar o banheiro ou ao preparar alimentos.
O norovírus é geralmente é contraído em navios de cruzeiro e facilmente transmitido entre passageiros e a tripulação. É a principal causa dos sintomas de gastroenterite ou “gripe intestinal”, e o gel antibacteriano simplesmente não consegue matá-lo. Embora os fracos com gel sejam abundantes nestes navios e em outras embarcações do tipo, o CDC recomenda que os passageiros lavem as mãos com água e sabão.
O MRSA Staphylococcus aureus causa infecções de pele e, às vezes, pneumonia. Sua origem é uma infecção bacteriana difícil de tratar, porque se tornou resistente a alguns antibióticos. Está presente em hospitais e outros estabelecimentos de saúde, mas lavar cuidadosamente as mãos com sabão também pode impedir a propagação desta doença.
Os desinfetantes para as mãos à base de álcool podem ser eficazes na eliminação das bactérias que causam o MRSA, mas devem conter pelo menos 60% de álcool para limpar bem as mãos.
As recomendações do CDC para prevenir infecções:
– Lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos é a maneira mais eficaz de eliminar germes e micróbios das mãos.
– Caso não haja água e sabão, verifique se a concentração de álcool no gel usado é superior a 60%. Menos do que isso não é eficaz.
– O gel ou líquido de higienização deve cobrir toda a superfície das mãos. Deixe-o secar para ter um efeito melhor.
– Géis sem álcool ou com baixo teor de álcool não funcionam contra todos os tipos de germes, principalmente o novovírus, uma das causas da gastroenterite.
Se alguém ao seu redor estiver vomitando, com diarreia ou infectado com MRSA, lave as mãos imediatamente com água e sabão, seguindo as técnicas apropriadas para erradicar os germes que você pode ter contraído. Um gel antibacteriano não fará isso com eficácia.
Desinfetantes com 60% de álcool podem ser uma alternativa. A contraindicação é que o álcool é tóxico, e gel e outros produtos antibacterianos com alto teor alcoólico podem causar intoxicação sem serem ingeridos, principalmente por crianças.
Além disso, o CDC alerta que, embora muitos produtos antibacterianos possam reduzir o número de micróbios nas mãos em algumas situações, eles não os eliminam por completo. Assim, essas bactérias podem desenvolver resistência ao gel.
Também existem situações em que o gel antibacteriano não funciona muito bem, como quando as mãos estão com muito óleo ou muito sujas, como quando se vai acampar e praticar esportes ou jardinagem.
Os produtos antibacterianos também não são muito bons para eliminar produtos químicos nocivos das mãos, como pesticidas e metais pesados.
Em todos esses casos, lavar vigorosamente as mãos com água e sabão por cerca de 20 segundos continua a ser a melhor estratégia.
BBC
Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.
Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.
No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.
“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.
A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.
Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.
De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.
A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.
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