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Saúde

Estudo afirma que fumar apenas 2 cigarros por dia está associado a um aumento de 50% no risco de doenças cardíacas

Um novo estudo revela que fumar apenas dois cigarros por dia pode aumentar o risco de doenças cardíacas em até 50% e o risco de morte em 60%. Realizada por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, a pesquisa analisou os hábitos de tabagismo de mais de 300.000 adultos durante quase 20 anos, destacando os perigos associados ao tabagismo, mesmo em quantidades consideradas baixas.

Aumentos Significativos no Risco de Doenças

O estudo, publicado no periódico PLOS Medicine, descobriu que homens e mulheres que fumavam apenas dois cigarros diários apresentavam um risco 60% maior de morte por qualquer causa em comparação com não fumantes. Além disso, os pesquisadores observaram que fumar apenas 100 cigarros ao longo da vida pode ser suficiente para elevar o risco de doenças cardíacas e morte.

A Dra. Jennifer Miao, cardiologista da Universidade de Yale, enfatiza que “o uso de tabaco é um fator de risco bem estabelecido para doenças cardíacas”, afirmando que o tabagismo danifica os vasos sanguíneos e acelera o desenvolvimento de placas arteriais.

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Efeitos Persistentes e Necessidade de Cessação

A pesquisa indica que, mesmo após a cessação do tabagismo, os ex-fumantes ainda enfrentam um risco elevado de doenças cardíacas, com efeitos que podem durar mais de 20 anos desde que abandonaram o vício. O Dr. Erfan Tasdighi, coautor do estudo, reforça a importância de parar de fumar completamente, ao invés de apenas reduzir o consumo, já que até mesmo um cigarro por dia pode levar a resultados cardiovasculares adversos.

Dados e Tendências do Tabagismo

Apesar da queda significativa do tabagismo entre adultos nos EUA — de 42% em 1965 para cerca de 12% em 2022 —, o número de pessoas que fumam menos de 15 cigarros por dia aumentou em 85% durante o mesmo período. Isso levanta preocupações sobre a percepção de segurança associada à redução do consumo.

Abordagem Médica e Recursos de Apoio

A Dra. Miao destaca a dificuldade que muitos pacientes enfrentam para deixar o tabaco completamente, enfatizando que médicos devem identificar aqueles que lutam para parar e encaminhá-los para recursos adequados. O estudo revela que os benefícios de parar de fumar são mais significativos nos primeiros dez anos, mas os efeitos positivos começam imediatamente após a cessação.

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Em resumo, a pesquisa conclui que a melhor opção para a saúde é parar de fumar o quanto antes, visto que nenhuma quantidade de cigarros é isenta de riscos. Além disso, os médicos são incentivados a adotar uma abordagem mais abrangente ao discutir o tabagismo, reconhecendo que cada cigarro pode afetar negativamente a saúde cardiovascular. Assim, parar de fumar continua sendo a escolha mais benéfica que um indivíduo pode fazer pela sua saúde cardiovascular e bem-estar a longo prazo.

Radhika Malhotra, médica, é residente em medicina interna e medicina preventiva na Rutgers New Jersey Medical School e membro da Unidade Médica da ABC News.

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Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

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A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

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“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

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