Política
Bolsonaro diz que governo pretende enviar equipe à Espanha para interrogar militar preso com drogas
O presidente Jair Bolsonaro informou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro pretende enviar uma equipe à Espanha para interrogar o sargento da Aeronáutica preso com 39 quilos de cocaína.
Bolsonaro comentou o caso após uma reunião, seguida de almoço, no Ministério da Defesa. Em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de uma equipe da Aeronáutica ir à Espanha, afirmou: “Normal né, uma equipe nossa para conversar com ele. Conversar não, interrogar, ouvi-lo”.
O militar brasileiro foi detido na semana passada em Sevilha. Ele integrava a tripulação de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que estava na Espanha como apoio à viagem de Bolsonaro ao Japão.
Segundo a FAB, ao desembarcar em Sevilha, o militar passou por processo alfandegário e migratório e foi detido pela Guarda Civil espanhola. O militar está nos quadros da FAB desde 2000 e desde 2016 fazia parte da equipe do avião em no qual estava antes de ser detido.
De acordo com Bolsonaro, o caso do sargento foi discutido no almoço no Ministério da Defesa, que teve a presença dos ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa), e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Perguntado por jornalistas se houve avanço nas investigações, o presidente respondeu que o comandante da FAB, Antonio Bermudez, instaurou um inquérito policial militar (IPM) para apurar o caso e que o governo brasileiro colabora com as autoridades espanholas.
“O comandante Bermudez instaurou IPM. Outras investigações estão sendo feitas, estamos fornecendo informações à polícia da Espanha. Ele [Bermudez] pretende o mais breve possível ir uma equipe nossa para ouvir o sargento lá”, disse Bolsonaro.
O presidente ressaltou que é preciso esclarecer o caso e que as investigações estão “a contento”, com a “velocidade que o fato merece”.
“O que ele [Bermudez] quer é esclarecer o fato porque todos nós achamos, tem a suspeita de que não é a primeira vez que ele mexeu com drogas, tendo em vista a quantidade”, afirmou o presidente.
G1 Política
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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