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Brasil redescobre FHC, um de seus maiores estadistas

O Brasil vai redescobrindo seu maior estadista dos últimos 60 anos. A condenação de Jair Bolsonaro pelo STF (Supremo Tribunal Federal) trouxe luz a um fato que nos assusta: desde a redemocratização, apenas um presidente eleito não foi preso, condenado ou sofreu impeachment.

Apenas Fernando Henrique Cardoso passou ileso pelos seus oito anos de mandato na Presidência da República. Foram, aliás, os oito anos mais importantes da história recente do Brasil, o período que fundou as bases para que o país se desenvolvesse e figurasse hoje entre as maiores e mais importantes economias do mundo.

A estabilidade econômica trouxe ao país uma justiça social nunca antes vista ao controlar a inflação, o mais perverso dos impostos, pois amplia ainda mais a desigualdade. Não fosse esse equilíbrio liderado por Fernando Henrique Cardoso, primeiro como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, depois como presidente da República, talvez a jovem democracia brasileira não estivesse tão consolidada no Brasil como está hoje.

O programa econômico de FHC permitiu ao país avançar nos programas sociais. Foi no governo de Fernando Henrique Cardoso que foram implementados os primeiros programas de transferência de renda, depois reunidos sob o nome de Bolsa Família. A criação do Fundeb permitiu o avanço da educação. A consolidação do SUS melhorou as condições de saúde da população, especialmente as mais pobres, onde atua o Programa de Saúde da Família, também criação do governo FHC.

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São inúmeras as políticas públicas construídas no período em que o PSDB governo o Brasil. A criação das agências reguladoras, a política que permitiu que todos os brasileiros tivessem telefones em suas mãos, o sistema de transplantes e tantos outros benefícios que levaram o Brasil ao patamar em que estamos.

Fernando Henrique é um dos maiores estadistas da história brasileira, talvez equiparado apenas a Juscelino Kubitschek. Resultado do trabalho de um homem público que sempre pensou não apenas nas próximas eleições, mas nas próximas gerações.

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Brasil

Brasileiro trabalhou 150 dias em 2026 apenas para pagar tributos, aponta estudo do IBPT

Carga tributária efetiva sobre renda, consumo e patrimônio dos brasileiros chegou a 41,1% em 2026, conforme levantamento

Os brasileiros precisaram trabalhar até o dia 30 de maio de 2026 apenas para pagar impostos, taxas e contribuições cobrados pelos governos federal, estaduais e municipais. É o que revela um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Pelo estudo, a carga tributária efetiva sobre a renda, o consumo e o patrimônio da população neste ano está em 41,10%.

Na prática, o percentual representa 150 dias do calendário dedicados exclusivamente ao pagamento de tributos. O resultado mantém o Brasil em um dos mais altos patamares de carga tributária das últimas décadas, conforme os dados do IBPT.

Os dados mostram que a tributação sobre os brasileiros cresceu de forma gradual desde o início dos anos 2000. Em 2003, a carga tributária efetiva era de 36,98%. Em 2007, passou para 40,01% e, desde então, permaneceu próxima ou acima da faixa dos 40%, atingindo 40,80% em 2021, 2022 e 2025.

Em nota, o Instituto destaca que o presidente-executivo do IBPT e um dos autores do estudo, João Eloi Olenike, avalia que o cenário é preocupante já que a elevada arrecadação não tem sido acompanhada pela percepção de melhorias nos serviços públicos.

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“Apesar da alta arrecadação, a população ainda não percebe um retorno proporcional em serviços públicos de qualidade”, salienta Olenike.

O estudo mostra, ainda, que a quantidade de dias trabalhados para pagar tributos praticamente dobrou nas últimas décadas. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para quitar a carga tributária. Em 1988, o número caiu para 73 dias, em contrapartida voltou a crescer e alcançou 130 dias em 2001. Segundo os dados, nos últimos 20 anos, os dias de trabalho para custear impostos permaneceram entre 140 e 150 dias.

Segundo o IBPT, hoje o brasileiro trabalha quase o dobro do que trabalhava na década de 1970 para cumprir suas obrigações tributárias.

Para chegar aos resultados por meio da análise comparativa, o estudo foi utilizado, para fins tributários, a faixa mensal de rendimento de até R$ 3.000,00 (classe baixa), de R$ 3.000,00 a R$ 10.000,00 (classe média) e acima de R$ 10.000,00 (classe alta).

Aumentos de impostos influenciaram resultado

A base de cálculo do levantamento abarca o período entre maio de 2025 e abril de 2026. O estudo inclui tributos federais, estaduais e municipais, como IRPF, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA, IPTU, taxas diversas e contribuições.

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Entre os fatores que contribuíram para a manutenção da elevada carga tributária, o Instituto destaca mudanças como aumentos das alíquotas do ICMS em estados como Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí, além da ampliação da cobrança do ICMS sobre importações realizadas por meio do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal.

O estudo também cita os efeitos da chamada “taxa das blusinhas”, que manteve a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Outro destaque entre os principais aumentos de tributação no período do estudo foi o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que impactou as operações de crédito empresarial, câmbio, previdência privada e seguros.

Também pesaram no cálculo a ampliação da tributação sobre apostas esportivas e jogos online, o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs e instituições financeiras, a elevação da alíquota do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) e o aumento do Imposto de Importação para alguns produtos de tecnologia.

IBPT

Fundado em 1992, o IBPT é uma entidade especializada em estudos sobre o sistema tributário brasileiro e atua na produção de pesquisas relacionadas à arrecadação e transparência fiscal.

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