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Polícia

Líder de grupo de MT suspeito de misturar areia a cargas milionárias de soja para exportação é preso

O suspeito comprou, em três meses, areia suficiente para construir um prédio de 30 andares. O grupo desviou cerca R$ 22,5 milhões em cargas.

A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (28) o suspeito de ser o líder do esquema da quadrilha suspeita de misturar areia a cargas milionárias de soja exportadas para a China. A prisão foi uma das que foram cumpridas durante a Operação Grão de Areia, deflagrada nesta manhã em Mato Grosso.

O grupo é investigado por atuar em crimes de furto e fraude na entrega de cargas no sul doestado. Foram adulteradas cerca de 9 mil toneladas de soja.

Já foram cumpridos 14 dos 25 mandados de prisão preventiva e apreendidos pelo menos seis veículos do grupo. Os crimes tinham como alvo um terminal ferroviário em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, responsável pelo escoamento de boa parte da safra do estado.

De acordo com a polícia, o líder do grupo comprou, em três meses, areia suficiente para construir um prédio de 30 andares, mesmo não atuando no ramo da construção civil.

A operação
Ao todo, devem ser cumpridas 88 ordens judiciais pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá.

Segundo as investigações, a quadrilha é composta por empresários do ramo de transporte e comércio de grãos, agenciadores, motoristas de caminhão e funcionários da empresa vítima, num total de 30 pessoas identificadas envolvidas.

São cumpridos 25 mandados de prisão preventiva, 32 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de 31 ordens de sequestro de bens nas cidades de Rondonópolis, Pedra Preta, Diamantino e em Cuiabá.

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A operação é a terceira fase da investigação que começou em março do ano passado, quando 10 pessoas foram presas por receptação, roubo e adulteração de cargas de soja, farelo de soja e milho.

Na época, o grupo criminoso foi flagrado na posse de carga de farelo de soja avaliada em mais de R$ 130 mil. A quadrilha pretendia transformar a carga roubada em diversas outras cargas adulteradas que seriam entregues no terminal de cargas ferroviário de Rondonópolis.

Investigações

As investigações apontaram que o grupo criminoso vem atuando em Rondonópolis desde 2020, contando com a participação de empresários, motoristas de caminhão e funcionários da empresa vítima, tendo desviado aproximadamente 9 mil toneladas de soja e farelo de soja entre os meses de janeiro a março de 2021, com valor estimado de R$ 22,5 milhões em produto roubado em apenas três meses, havendo indícios de que a atividade criminosa não foi encerrada.

Para prática dos crimes, foram constituídas empresas do ramo de transporte e comércio de grãos a fim de que pudessem realizar o transporte, adulteração das cargas e posterior comércio da mercadoria desviada com aparência de licitude, sendo identificadas oito pessoas jurídicas envolvidas no esquema.

Como funcionava

No primeiro tipo de crime, o farelo de soja era carregado por integrantes do grupo criminoso em uma empresa em Primavera do Leste com destino ao terminal de cargas em Rondonópolis. Então era realizada a clonagem de outro caminhão com mercadoria adulterada nas empresas da organização criminosa.

O caminhão clonado entrava no pátio da empresa com a ajuda de funcionários envolvidos no esquema e descarregava a mercadoria adulterada. O caminhão com a carga sem adulteração retornava para empresa do investigado, onde era descarregada e posteriormente comercializada por valores abaixo do preço de mercado, gerando um lucro aproximado de R$ 100 mil por carga desviada.

Em outra frente criminosa, com foco nos produtos soja a granel e farelo de soja, era realizado o aliciamento dos motoristas de caminhão e as cargas sem adulteração provenientes de todo o estado eram levadas até a empresas dos investigados, onde eram adulteradas com areia para depois serem entregues no terminal ferroviário.

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Foram identificados oito empresários, nove motoristas, seis funcionários da empresa vítima, além de sete outras pessoas, responsáveis pelo agenciamento, contabilidade e comércio das cargas desviadas.

A organização criminosa oferecia grande quantidade de dinheiro para que funcionários da empresa vítima fossem coniventes com as fraudes e quando não conseguiam cooptar os funcionários proferiam ameaças de morte como forma de intimidação.

Segundo o delegado de Rondonópolis, Santiago Rozendo Sanches, o grupo criminoso aproveitava da grande quantidade de grãos transportados pelo terminal de cargas (média de mil caminhões dia) para a consumação dos crimes.

“Após a descarga dos vagões de trem e mistura do produto é de difícil constatação que se trata de material adulterado”, explicou o delegado.

O delegado titular da GCCO, Vitor Hugo Bruzulato Teixeira, explicou que as investigações seguem em andamento para apuração da responsabilidade dos receptadores que adquiriram grãos do grupo investigado, além de possíveis crimes de lavagem de dinheiro e possíveis crimes tributários praticados pelo grupo.

Nome da operação

A operação foi batizada de grãos de areia em razão do principal insumo utilizado para adulteração de cargas.

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Suspeita de integrar facção de MT é presa trabalhando em Copacabana

Uma mulher, alvo da Operação Nocaute, deflagrada na última sexta-feira (18), pela Polícia Civil de Mato Grosso, teve o mandado de prisão preventiva cumprido, nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro. Investigada por integrar uma facção criminosa e considerada foragida da Justiça, a suspeita, de 44 anos, foi localizada trabalhando em um quiosque na praia de Copacabana, uma das mais movimentadas da cidade. O nome dela não foi divulgado.

A operação, deflagrada com base em investigações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, tinha como alvos integrantes do núcleo de uma facção criminosa instalada no município, com conexões no Estado do Rio de Janeiro.

 

A investigada estava com o mandado de prisão expedido pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo de Sinop, pelos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro. A prisão foi realizada com apoio da equipe da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

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Segundo as investigações da Draco Sinop, a investigada foi a responsável por receber uma transferência via Pix nas horas seguintes ao pagamento de R$ 169 mil por uma vítima de crime em Sinop, em 27 de setembro de 2025.

O dinheiro foi repartido em várias transferências pequenas entre diferentes pessoas, o que caracterizaria a lavagem de dinheiro.

Após a prisão, a suspeita foi conduzida ao sistema prisional feminino e ficará à disposição da Justiça do estado de Mato Grosso. A Draco de Sinop segue com as diligências para localizar os demais investigados que ainda têm mandados em aberto.

 

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