Mato Grosso
Janaina não mede esforços para incluir recursos ao Hospital de Câncer no orçamento de 2026
Janaina lembrou que as mulheres representam 52% da população mato-grossense e que muitas perdem a vida por falta de acesso a exames simples
Na abertura oficial da campanha Outubro Rosa, realizada na noite desta segunda-feira (6) no Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCanMT), a deputada estadual Janaina Riva (MDB) anunciou que irá articular, junto com a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, a inclusão de recursos no orçamento do estado de 2026 para garantir a compra de equipamentos e ampliar a estrutura da unidade. Ao mesmo tempo, fez críticas às prioridades do governo estadual, denunciando a falta de condições adequadas para o atendimento oncológico em Mato Grosso.
“Eu e o deputado Faissal já conversamos e junto com o deputado Eduardo Botelho e a Comissão de Saúde, vamos articular para colocar no orçamento do ano que vem os aparelhos e o dinheiro que faltam para o hospital. Esse foi um puxão de orelha do presidente do Hcan Laudemi Nogueira, um alerta de que não estamos na Assembleia para defender governo, mas para defender o povo de Mato Grosso. E é isso que nós temos que fazer de acordo com as nossas possibilidades”, afirmou.
“Um grito de desespero” e a realidade das mulheres de MT
Ao comentar o discurso emocionado do presidente do HCanMT, Laudemi Nogueira, que disse que o governador Mauro Mendes nunca botou os pés no HCan e não conhece a realidade e o trabalho da instituição, a deputada classificou a fala como “um grito de desespero” e disse que nunca havia ouvido tanta sinceridade sobre as dificuldades enfrentadas pelo hospital.
“O quanto o HCanMT poderia contribuir para Mato Grosso, mas não consegue porque não tem as condições adequadas para poder atender, é revoltante. Foi uma das falas mais importantes que já ouvi na minha vida”, destacou.
Janaina lembrou que as mulheres representam 52% da população mato-grossense e que muitas perdem a vida por falta de acesso a exames simples, como a mamografia. “As nossas mulheres descobrem a doença em estágio tardio, quando muitas vezes não há mais condições de cura. Enquanto quem tem recurso consegue se prevenir com exames de rotina, a maioria das mulheres não tem esse direito garantido”, lamentou.
Dados alarmantes e subnotificação
A deputada também chamou atenção para os dados de incidência do câncer de mama no estado. Segundo ela, Mato Grosso registra oficialmente 1.040 novos diagnósticos por ano. Mas a realidade mostra números muito maiores.
“Dois médicos aqui presentes atendem sozinhos 30 novos casos semanais, o que significa 240 casos por mês. Ou seja, só eles assumem a responsabilidade de mais de 2 mil novos casos anuais. Existe uma subnotificação gravíssima, que tem nome: falta de recursos, falta de orçamento e ausência de um sistema unificado de informações. Não tem como falar em prevenção se não tiver mamografia para fazer diagnóstico, e essa é a realidade da maioria das mulheres do estado”, criticou.
Carretas da saúde e lei esquecida
Janaina relembrou que Mato Grosso dispõe de uma carreta da saúde da mulher, que nunca conseguiu sair de Cuiabá por conta da alta demanda da capital. Ela também citou uma lei de sua autoria, aprovada pela Assembleia, mas que até hoje não foi implementada, que previa a aquisição de unidades móveis de mamografia regionais.
“Essa proposta permitiria atender as mulheres da zona rural e do interior. Em muitos municípios pequenos, em 30 dias seria possível zerar a fila de exames. Isso significa praticidade e economia de recursos públicos. Mas infelizmente a lei não foi posta em prática”, apontou.
Críticas às prioridades do governo
A deputada fez questão de comparar os gastos do governo em obras de lazer com a falta de investimentos em saúde.
“Me indigna muito ver uma roda gigante no Parque Novo Mato Grosso custar mais que os dois aparelhos que faltam para o hospital. Isso é falta de prioridade. Precisamos mostrar à população que escolhas assim custam vidas”, afirmou.
Ela também ressaltou o potencial de crescimento do hospital, que hoje tem uma estrutura de 23 mil m² construída, mas capacidade de expandir para até 60 mil m². “Temos profissionais de excelência, equipe maravilhosa, mas sem dinheiro não é possível ampliar. Não podemos aceitar que pacientes sejam tratados de forma desigual em Mato Grosso. A vida de todos, ricos ou pobres, tem o mesmo valor”, concluiu.
Mato Grosso
Governo rescinde contratos e multa empresas em R$ 7,2 milhões por falhas na MT-170

Além das multas, empresas poderão ter de devolver aos cofres públicos os valores gastos para recuperar os trechos danificados
O Governo de Mato Grosso decidiu romper os contratos dos dois consórcios responsáveis pela pavimentação dos primeiros 90 quilômetros da MT-170, entre Castanheira e Colniza, após problemas registrados no asfalto pouco tempo depois da conclusão dos serviços.
As empresas também receberam multas que, somadas, ultrapassam R$ 7,2 milhões. Além das penalidades, os consórcios ficarão impedidos de celebrar novos contratos com o Governo do Estado pelo período de dois anos.
As decisões foram assinadas pelo secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira e Silva, na sexta-feira (7), e publicadas no Diário Oficial desta segunda-feira (10).
O Estado também determinou que os consórcios sejam responsabilizados pelos custos necessários para reparar os danos identificados na rodovia. O ressarcimento poderá incluir despesas que ainda serão calculadas conforme os serviços de recuperação.
A maior penalidade foi aplicada ao Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MT Sul, responsável por um trecho de 50,7 quilômetros, correspondente ao Lote 1.
Nesse caso, a Sinfra estabeleceu multa moratória de aproximadamente R$ 565,6 mil e outra, de caráter compensatório, no valor de R$ 3,51 milhões. As duas penalidades totalizam cerca de R$ 4,07 milhões.
O consórcio também deverá ressarcir integralmente os prejuízos que tenham relação com os defeitos encontrados na obra.
No segundo lote, com 39,3 quilômetros, a responsabilidade era do Consórcio Construtor Agrimex. A empresa recebeu multa moratória de R$ 522 mil e multa compensatória de R$ 2,63 milhões, chegando a aproximadamente R$ 3,15 milhões.
Para esse contrato, a secretaria estabeleceu que o ressarcimento deverá considerar, entre outros itens, os gastos com recuperação do pavimento, contratação de outras empresas, correção de passivos ambientais e demais despesas que sejam comprovadamente decorrentes dos problemas encontrados.
A decisão ocorre após o pavimento apresentar sinais de deterioração em um período considerado curto depois da execução. Em alguns pontos, o material chegou a se desfazer, levando o Estado a cobrar providências das empresas responsáveis.
No Lote 1, segundo informações reunidas durante o processo administrativo, a Sinfra notificou as contratadas diversas vezes. Foram quatro notificações registradas em 2023, outras 16 em 2024 e mais seis em 2025.
A situação também foi acompanhada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), que realizou inspeções na rodovia para verificar as condições do pavimento.
Entre os problemas analisados esteve a espessura da camada asfáltica. Estudos anteriores consideravam uma camada de 7,5 centímetros de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), enquanto a solução executada utilizou cinco centímetros, uma diferença de aproximadamente 33%.
A Sinfra, entretanto, afirma que a alteração não pode ser apontada isoladamente como causa dos defeitos. Segundo a secretaria, a mudança foi autorizada em uma Mesa Técnica realizada em 2022, com participação do próprio Tribunal de Contas.
Na avaliação do Estado, os problemas encontrados estão associados a falhas nos projetos e na execução dos serviços contratados.
Antes mesmo da rescisão, o Governo já havia informado que buscaria responsabilizar as empresas pelos custos necessários para recuperar a rodovia.
A administração estadual também acionou mecanismos de seguro-garantia relacionados aos contratos, numa tentativa de reduzir o impacto financeiro da recuperação do trecho para os cofres públicos.
Os contratos agora encerrados foram firmados em 2014, quando a estrada ainda fazia parte da antiga BR-174. Na época, os acordos incluíam tanto a elaboração dos projetos básico e executivo quanto a execução das obras de pavimentação.
Posteriormente, o trecho passou para a responsabilidade estadual e recebeu a denominação de MT-170.
A rodovia é considerada estratégica para o deslocamento e o escoamento da produção da região Noroeste de Mato Grosso, especialmente no corredor entre Castanheira e Colniza.
Com a publicação das decisões, os contratos referentes aos primeiros 90 quilômetros do trecho estão oficialmente rescindidos. Além das multas já aplicadas, o Estado ainda poderá cobrar dos consórcios os valores necessários para recuperar os pontos da rodovia afetados pela deterioração do pavimento.
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