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Investigação Polícial

Juiz mantém BMW e Camaro de facção com a Polícia e autoriza venda de relógios e imóveis de luxo

Justiça mantém carros de luxo da Operação Ragnatela sob custódia da Polícia
O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou um pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para leiloar antecipadamente veículos de luxo apreendidos na Operação Ragnatela.
A decisão, publicada nesta quarta-feira (12), determinou que os automóveis — entre eles uma BMW X1 e um Chevrolet Camaro — permaneçam sob guarda e uso da Polícia, enquanto autorizou o leilão de relógios de luxo e a avaliação de imóveis ligados ao esquema.

Entre os bens acautelados estão também uma Dodge Ram 2500, uma Chevrolet S10, um Ford EcoSport, além de modelos Onix e Cobalt. Segundo o magistrado, permitir que a Polícia utilize os veículos apreendidos “serve ao interesse público, evita a depreciação e contribui para o trabalho investigativo”.

“Os veículos sob utilização não se deterioram como aqueles mantidos em pátio”, destacou o juiz.

Além disso, Jean Bezerra determinou a alienação de um Hyundai HB20 e de dois relógios das marcas Tissot e Bulova, avaliados como bens passíveis de venda.

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Imóveis e bens de luxo na mira da Justiça
O juiz também atendeu parcialmente ao pedido do Ministério Público e determinou a expedição de ofícios a cartórios de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger para atualização das matrículas de oito propriedades — sendo duas chácaras e seis apartamentos — que podem ser alienadas judicialmente.

A medida busca garantir a preservação do patrimônio apreendido e a futura indenização ao Estado caso as condenações sejam confirmadas.

Facção movimentou R$ 79 milhões em quatro anos
Deflagrada em junho de 2024, a Operação Ragnatela teve como objetivo desmantelar um núcleo de uma facção criminosa responsável por lavar dinheiro oriundo do tráfico em casas noturnas.
As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 79,1 milhões entre 2018 e 2022.

A facção teria adquirido uma boate em Cuiabá por R$ 800 mil pagos em espécie, usando lucros de atividades ilegais. A partir disso, passou a realizar shows de MCs famosos custeados com recursos do crime.

Durante a operação, o vereador de Cuiabá Paulo Henrique (MDB) foi preso por envolvimento no esquema. Conforme a Polícia Civil, ele atuava como intermediário entre o grupo e agentes públicos, garantindo liberações de eventos sem documentação e recebendo vantagens financeiras em troca.

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Decisão reforça atuação contra o crime organizado
A decisão judicial de manter parte dos bens sob uso policial e alienar outros demonstra o rigor no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no Estado.
O caso segue em andamento, e novos desdobramentos devem ocorrer após a conclusão da avaliação dos imóveis e dos bens de alto valor.

*Com informações de Olhar Jurídico

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Investigação Polícial

Esposa de suposto braço direito do CV é presa no aeroporto de VG ao retornar da França

Investigação aponta que suspeita integra esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho; operação também bloqueou patrimônio milionário e prendeu outros quatro investigados

Katani Adorno Bocardi foi presa na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, logo após retornar de uma viagem a Paris, na França. A mulher é casada com Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, apontado pela Polícia Civil como um dos principais integrantes do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso.

A prisão foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que cumpriram mandado expedido no âmbito da Operação Replay. As investigações apontam Katani como suspeita de participar da estrutura utilizada para ocultar e movimentar recursos financeiros atribuídos à facção criminosa, esquema que teria sido coordenado por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T.

Levantamento feito pela reportagem mostra que Katani já integrou o quadro de servidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), vínculo encerrado em janeiro de 2022. Em seus perfis nas redes sociais, ela costumava publicar imagens de viagens internacionais, produtos de grifes renomadas e experiências em estabelecimentos considerados de alto padrão.

De acordo com as investigações, a suspeita passou a ser acompanhada pelas forças de segurança ainda durante sua chegada ao Brasil, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A prisão ocorreu somente após o desembarque em Mato Grosso, onde policiais da Draco aguardavam para cumprir a ordem judicial. A abordagem foi registrada em vídeo.

Além dela, também foram alvos da operação a advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como “Alex Soldado”, Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”, e o assessor parlamentar Brunno Passos da Silva, chamado de “Brunninho”. Todos tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos.

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A Operação Replay é resultado de uma nova etapa das investigações desenvolvidas pela Polícia Civil para desarticular a estrutura financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso. A ofensiva amplia o trabalho iniciado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, desta vez com base na análise de informações extraídas de aparelhos eletrônicos e outros dados telemáticos.

Segundo a Draco, o material analisado indicou que o grupo manteve suas atividades criminosas mesmo após as operações anteriores. Os investigadores identificaram uma organização dividida por funções, com pessoas responsáveis pela administração financeira, movimentação de recursos, utilização de contas bancárias de terceiros e aquisição de patrimônio incompatível com a renda declarada dos envolvidos.

As apurações também apontam que Paulo Witer Farias Paelo continuava exercendo influência sobre o grupo mesmo estando preso na Penitenciária Central do Estado (PCE). Conversas interceptadas revelariam orientações relacionadas ao recolhimento de dinheiro, distribuição de valores, conferência de planilhas financeiras e coordenação de integrantes que permaneciam fora do sistema prisional.

Outro elemento considerado relevante pelos investigadores foi a utilização de um mesmo chip telefônico em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para a Polícia Civil, a troca frequente de dispositivos fazia parte de uma estratégia para dificultar o rastreamento das comunicações e manter o funcionamento da organização.

Durante a investigação, foram localizadas planilhas que detalhariam a movimentação financeira atribuída ao grupo. Em um dos documentos constavam R$ 14,093 milhões classificados como valores congelados e outros R$ 1,231 milhão vinculados ao período investigado. A soma, de R$ 15,324 milhões, embasou o pedido judicial para bloqueio de ativos financeiros.

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Os registros ainda continham anotações relacionadas à prestação de contas internas, circulação de recursos, movimentação de entorpecentes e distribuição de valores entre diferentes núcleos da facção.

Além das prisões preventivas, a Justiça determinou uma série de medidas patrimoniais. Foram bloqueados imóveis, terrenos, veículos e valores financeiros atribuídos aos investigados, com o objetivo de impedir a ocultação ou transferência desses bens.

Entre os imóveis alcançados pela decisão estão um apartamento em Itapema, avaliado em cerca de R$ 3 milhões; um imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões; uma residência em condomínio fechado na região de Camboriú, também avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões; uma casa em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão; além de três terrenos cujo valor conjunto gira em torno de R$ 180 mil.

Também foram bloqueados quatro veículos, entre carros e uma motocicleta, avaliados em aproximadamente R$ 607,6 mil.

Separadamente, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros relacionados às investigações. Conforme a Polícia Civil, esse montante representa o limite da medida cautelar e não significa que esse valor já tenha sido efetivamente recuperado.

De acordo com a Draco, a descapitalização dos investigados busca impedir que recursos supostamente obtidos por meio das atividades criminosas sejam utilizados para financiar a continuidade da atuação da organização.

O nome Replay foi escolhido em referência à repetição das práticas criminosas identificadas durante as investigações, mesmo após operações anteriores. Com a nova fase, a Polícia Civil pretende interromper a reorganização do grupo, enfraquecer seu núcleo financeiro e responsabilizar os investigados apontados como integrantes da estrutura criminosa.

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