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Educação

Indea realiza 1º Encontro de Educação Sanitária de MT

O Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) realiza, de terça a quinta-feira (13 a 15.08) em Cuiabá, o “1º Encontro de Educação Sanitária de Mato Grosso: Juntos somos mais fortes”. Voltado para a capacitação técnica de médicos veterinários, engenheiros agrônomos, agentes fiscais e profissionais ligados à educação sanitária, o evento contará com aulas teóricas e oficinas práticas, de modo que a metodologia aplicada seja melhor absorvida. A expectativa é de que 120 pessoas participem do treinamento.

O 1º Encontro de Educação Sanitária de Mato Grosso, organizado pela Coordenadoria de Defesa Sanitária Animal (CDSA) do Indea, será realizado no Hotel Inter Cuiabá, das 07h30 às 18hs, com intervalo para almoço.

De acordo com o coordenador da CDSA, João Marcelo Néspoli, nos três dias de capacitação, serão realizadas seis oficinas, orientadas pelos oficineiros palestrantes. “Cabe acrescentar que cada um dos participantes terá direito a escolher duas oficinas”, explica Néspoli.

O evento contará com a participação de servidores da área de defesa agropecuária dos estados de Mato Grosso do Sul (MS), Distrito Federal (DF), Goiás (GO) e Tocantins (TO).

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Além do Indea, o “1º Encontro de Educação Sanitária de Mato Grosso: Juntos somos mais fortes” tem o apoio do Fundo Emergencial de Saúde Animal do Estado de Mato Grosso (Fesa), do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Conselho Regional de Medicina Veterinária e Zootecnia do Estado de Mato Grosso (CRMV), Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e Secretaria de Estado de Saúde (Ses).

 Confira abaixo os temas das seis oficinas:

1 – Roda de Conversa com o tema “série diálogos”

2 – Facilitadores em ação: Desenvolvendo habilidades na educação sanitária

3 – Utilização do Canvas para produção de material pedagógico

4 – Metodologias Inovadoras, que apresentará dois temas:

a – Ensinamento de Metodologias Ágeis (Ideathon) para resolução de problemas

b – Ideias & Resultados: Design Thinking em Projetos Educativos e Parcerias na Defesa Agropecuária de MT

5 – Oficina Criativa: Estações de Inovação Didática

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6- Abordagem de alta performance em estabelecimentos rurais

Fonte: Secom MT
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Educação

Mato Grosso amplia políticas educacionais para identificar e atender estudantes com altas habilidades e superdotação

Rede estadual fortalece atendimento especializado, amplia estrutura no interior e passa a contar com novas diretrizes nacionais para identificação e desenvolvimento de alunos com elevado potencial

As políticas educacionais destinadas aos estudantes com altas habilidades ou superdotação vêm ganhando espaço na rede pública de Mato Grosso, especialmente diante do desafio de identificar crianças e adolescentes com elevado potencial e oferecer condições para que essas capacidades sejam desenvolvidas dentro do ambiente escolar.

A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) ampliou, nesta semana, a estrutura de atendimento aos estudantes que integram o público da Educação Especial. Entre os serviços oferecidos está um núcleo específico para alunos com altas habilidades ou superdotação, dentro do Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Casies), em Cuiabá.

A iniciativa ocorre em um momento de fortalecimento das políticas públicas voltadas especificamente a esse grupo. Em junho deste ano, entrou em vigor a Lei Federal nº 15.436/2026, que instituiu a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação e determinou, entre seus objetivos, a identificação precoce, o atendimento educacional especializado, o desenvolvimento integral e a inclusão desses estudantes no sistema educacional brasileiro. A legislação também prevê a criação de um Cadastro Nacional de Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação.

Potencial muitas vezes passa despercebido

Diferentemente do que muitas vezes ocorre no senso comum, altas habilidades ou superdotação não significam necessariamente que o estudante tenha desempenho excepcional em todas as disciplinas.

A legislação federal atual define esse público como estudantes que apresentam características como elevado potencial intelectual, intensa curiosidade, grande capacidade de aprendizagem e profundo envolvimento em determinadas áreas de interesse. Essas características podem ainda estar associadas a maior sensibilidade e intensidade emocional.

O Ministério da Educação também destaca que as altas habilidades podem se manifestar em diferentes áreas, como capacidade intelectual, desempenho acadêmico específico, criatividade, liderança, artes e habilidades psicomotoras. Por isso, a identificação depende de um olhar especializado e não apenas das notas obtidas em provas ou boletins escolares.

Essa realidade coloca professores e escolas em posição estratégica. Um estudante com elevado potencial pode demonstrar facilidade de aprendizagem, criatividade, interesse intenso por determinados assuntos e capacidade para solucionar problemas de maneira diferenciada, mas também pode apresentar desmotivação, dificuldades de relacionamento ou baixo interesse quando o conteúdo escolar não oferece desafios compatíveis com suas capacidades.

Atendimento deve complementar e enriquecer formação

Dentro da política de Educação Especial, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) destinado aos estudantes com altas habilidades ou superdotação possui caráter suplementar à escolarização.

Na prática, isso significa que o objetivo não é retirar o aluno da sala regular, mas proporcionar atividades, projetos e estratégias adicionais capazes de estimular suas potencialidades.

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Segundo o Inep, o AEE deve identificar e organizar recursos pedagógicos que favoreçam a participação, a aprendizagem e o desenvolvimento do estudante, além de eliminar barreiras que possam limitar seu aproveitamento educacional.

A própria política estadual de Mato Grosso prevê que a Educação Especial deve garantir acesso, participação e aprendizagem aos alunos com altas habilidades ou superdotação, além da formação de professores, atendimento especializado, participação das famílias e articulação entre diferentes políticas públicas.

Casies amplia capacidade de atendimento

A nova estrutura anunciada pela Seduc amplia significativamente a capacidade de atendimento do Casies.

O centro possui atualmente 55 profissionais e trabalha com acolhimento, triagem, avaliação multiprofissional, orientação às famílias e assessoramento técnico-pedagógico às escolas.

Com seis novos espaços implantados, a capacidade deverá passar de oito para até 60 atendimentos por dia. Aproximadamente 400 estudantes do público da Educação Especial estão cadastrados nos diferentes serviços especializados oferecidos pelo centro.

Entre os núcleos existentes estão áreas específicas para deficiência visual, surdez, Transtorno do Espectro Autista e também altas habilidades ou superdotação.

A estrutura estadual conta ainda com profissionais especializados para o atendimento desses estudantes. Processos de seleção realizados pela Seduc já preveem, por exemplo, professores de Atendimento Educacional Especializado com formação ou pós-graduação relacionada a altas habilidades, Educação Especial ou AEE, além de experiência profissional na área.

Atendimento também chega ao interior

Outro ponto importante da atual política educacional é a tentativa de descentralizar os serviços.

Até então, boa parte da estrutura especializada ficava concentrada em Cuiabá. Agora, a Seduc passa a ampliar o atendimento por meio de Núcleos de Educação Inclusiva nas 13 Diretorias Regionais de Educação de Mato Grosso.

Essas estruturas contam com profissionais de Psicologia, Serviço Social e Psicopedagogia e devem atuar na organização dos encaminhamentos, orientação das escolas e aproximação dos serviços especializados das famílias que vivem no interior do Estado.

A mudança é especialmente relevante em um Estado de grande extensão territorial como Mato Grosso, onde estudantes de municípios distantes da Capital enfrentam dificuldades para acessar avaliações e acompanhamento especializados.

Atualmente, a Rede Estadual de Ensino possui 12.217 estudantes pertencentes ao público-alvo da Educação Especial. Desse total, 8.602 recebem Atendimento Educacional Especializado em Salas de Recursos Multifuncionais, conforme dados divulgados pela Seduc.

Identificação é um dos principais desafios

Apesar dos avanços, um dos grandes desafios continua sendo identificar corretamente estudantes com altas habilidades ou superdotação.

O Censo Escolar registrou 56.238 matrículas de estudantes identificados com altas habilidades ou superdotação no Brasil em 2025. Em 2021 eram 23.758, o que mostra crescimento expressivo dos registros nos últimos anos.

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O aumento pode estar relacionado justamente à maior capacidade das redes de ensino de identificar estudantes que anteriormente permaneciam invisíveis às políticas de Educação Especial.

A identificação também não deve ficar condicionada exclusivamente à apresentação de um diagnóstico clínico tradicional. As normas atuais orientam que sejam considerados instrumentos e registros capazes de demonstrar as necessidades educacionais e características individuais de cada estudante.

Nesse processo, professores preparados são fundamentais. O próprio Ministério da Educação destaca que profissionais capacitados precisam estar aptos a perceber diferentes formas de manifestação do talento, realizar encaminhamentos e desenvolver estratégias pedagógicas apropriadas.

Formação de professores será decisiva

A consolidação de uma política efetiva para altas habilidades passa necessariamente pela formação continuada dos profissionais da Educação.

Além de reconhecer estudantes com elevado potencial, o professor precisa saber como adaptar atividades, propor desafios adicionais, desenvolver projetos de enriquecimento curricular e evitar que esses alunos sejam simplesmente submetidos à repetição de conteúdos que já dominam.

Outro aspecto importante é compreender que superdotação e dificuldades escolares não são situações incompatíveis. Um aluno pode apresentar potencial excepcional em determinada área e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades em outra.

A legislação nacional de 2026 reconhece inclusive os casos de dupla excepcionalidade, situação em que altas habilidades ou superdotação coexistem com outras condições, como transtornos ou deficiências.

Política pública deve ir além da identificação

A identificação, portanto, representa apenas o primeiro passo.

Para especialistas e educadores, uma política educacional voltada às altas habilidades precisa envolver acompanhamento pedagógico, formação dos professores, apoio às famílias, enriquecimento curricular, acesso a projetos científicos, culturais e tecnológicos e articulação com universidades e outras instituições.

Em Mato Grosso, a ampliação do Casies e a criação dos Núcleos de Educação Inclusiva no interior representam avanços na estrutura de atendimento. O desafio agora será fazer com que essa política alcance efetivamente as escolas e permita que professores consigam identificar crianças e adolescentes cujo potencial muitas vezes permanece escondido dentro das salas de aula.

Num cenário em que o Brasil passa a contar com uma política nacional específica para estudantes com altas habilidades e superdotação, estados e municípios terão papel fundamental para transformar a legislação em ações concretas.

Mais do que reconhecer quem aprende mais rapidamente, a política educacional precisa oferecer oportunidades para que diferentes talentos sejam descobertos, estimulados e transformados em desenvolvimento educacional, científico, artístico e social.

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