Cidades
Vuolo quer ferrovia passando por Diamantino e chama Blairo de “Rei da soja”
As declarações do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, divulgadas amplamente pela mídia esta semana, que de “todos os projetos existentes, a FICO (Ferrovia do Centro-Oeste) e a Ferrogrão são as ferrovias que melhor atendem o escoamento da produção mato-grossense” traduz o descaso, desleixo, do ministro pela ferrovia por Cuiabá. E a sua tese é longe de ser o ideal e vou explicar o porquê, ao longo deste artigo.
Ao contrário do projeto pessoal defendido pelo ministro, o projeto da ligação ferroviária São Paulo-Cuiabá nasceu de um grande estudo e debate nacional. Há 100 anos, o escritor Euclides da Cunha escreveu como “o melhor caminho para ligar o Norte e o Sul do Brasil”. Esse projeto idealizado 70 anos depois pelo ex-senador Vicente Emílio Vuolo (cuiabano do Coxipó da Ponte e visionário), foi amplamente discutido no Congresso Nacional cuja luta se travou durante mais de 40 anos até a sua morte, sendo que, vivo, ele só assistiu a chegada dos trilhos em Alto Araguaia. Coube aos demais mato-grossenses ilustres continuarem a luta até a chegada dos trilhos em Rondonópolis. A iniciativa de Maggi é um duro golpe contra Cuiabá!
Para o “Rei da Soja” ficou claro que o projeto mais importante é atender os seus interesses, da sua produção, dos seus portos, do seu império, da sua ganância. Para ele, os demais municípios do Estado de Mato Grosso não interessam muito menos importa os sérios problemas do desemprego na capital, maior cidade do Estado.
E por que isso acontece? É simples! Porque Maggi sempre pensou o Estado de Mato Grosso de forma setorial, de forma tacanha. E não como um grande líder, defendendo causas e projetos de país, pensando na próxima geração.
O ministro, com a sua influência, articulou pesado junto ao governo federal à frente da pasta da Agricultura. Conseguiu aporte de R$ 8.400 bilhões do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – o que representa 70% do valor total para a construção do terminal de cargas em Sinop e luta com unhas e dentes para viabilizar o seu projeto particular.
E o terminal de cargas de Cuiabá, ministro? Por que nunca usou a tribuna do Senado Federal para defender com veemência o prolongamento dos trilhos de Rondonópolis-Cuiabá de apenas 200 km? Não lhe interessa por quê? Por que tanto ódio por Cuiabá? Porque em Cuiabá Vossa Excelência não tem negócios. E como só pensa no lucro, Cuiabá não lhe interessa.
Ministro, Cuiabá é o maior polo industrial do Estado. Junto com Várzea Grande possui mais de 1 milhão de habitantes. É o centro geodésico da América do Sul e portal da Amazônia (nome tão bem designado pelo ex-governador Garcia Neto). Com o terminal ferroviário instalado no distrito industrial, fábricas, indústrias, serão implantadas gerando milhares de empregos e melhoria na qualidade de vida dos cuiabanos. Só para citar um exemplo: o tomate! A partir de uma grande indústria no distrito industrial, isso iria dinamizar todo o cinturão verde de Cuiabá e região exigindo a plantação de milhares de toneladas de tomate. E isso, vale para outras. E qual outro benefício direto? A arrecadação do município iria duplicar, trazendo recursos para investir em saúde, educação, segurança e mobilidade urbana.
Isso é projeto de Estado. É pensar em agregar valor aos nossos produtos. E não simplesmente encher o bolso de empresários e políticos gananciosos.
Senhor ministro, Vossa Excelência defende a construção de 1.142 km de trilhos de Sinop-Miritituba, como prioridade, para ir ao porto de Miritituba no Rio Tapajós. Ora, senhor ministro, o racional é defender a ferrovia chegar primeiro em Sinop – via Cuiabá – indo direto a Santarém (próximo de Miritituba e maior cidade do interior paraense), ligando à hidrovia do Amazonas. Esse projeto está aprovado, inclusive, na Sudam, desde 1989.
Mas, o senhor Maggi quer a ferrovia de Sinop para fora de Mato Grosso numa primeira etapa, excluindo Cuiabá e o resto de Mato Grosso do processo.
Além desse ramal para Santarém (PA), a ferrovia por Cuiabá terá um ramal para Porto Velho, ligando a hidrovia do rio Madeira. E mais que isso, a ferrovia São Paulo–Cuiabá terá outro ramal de Alto Araguaia até o triângulo mineiro, outra grande região produtora. Tudo foi pensado como um projeto de país. É o maior projeto de integração da região Centro Oeste e Norte do país, aprovado na SUDAM, desde 1989.
Para dar continuidade a esse projeto de integração regional é preciso concluir o trecho Rondonópolis-Cuiabá de apenas 200 km, coisa que Vossa Excelência jamais se empenhou em fazê-lo.
A partir da chegada da ferrovia em Cuiabá, será mais fácil estender a ligação ferroviária Cuiabá-Sinop, passando por Diamantino, Nova Mutum, Sorriso, Lucas do Rio Verde, dentre outras cidades. Isso, senhor Ministro, se chama projeto de integração regional diferente desse projeto que Vossa Excelência defende, que é de cunho totalmente pessoal. O Brasil não pode continuar vivendo de retalhos, mas de projetos de país.
O projeto de autoria do cuiabano Vicente Emilio Vuolo está carregado de idealismo e sem interesse econômico. Ele nasceu de um estudo técnico do brilhante engenheiro mato-grossense Domingos Iglésias Valério que graças a consistência técnica do projeto, foi construída a ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná (3.600 metros) e quase 1.000 km de trilhos de bitola larga e dormente de concreto, ecologicamente correto. Ou seja, o projeto da ligação ferroviária São Paulo-Cuiabá tem vida, tem alma, pois, está sendo construído com a participação popular, de empresários, trabalhadores, educadores, entidades sindicais, e políticos sem cor partidária. O projeto de Lei apresentado por Vuolo nº 412-A foi amplamente discutido na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, aprovado no Congresso Nacional e transformado na Lei nº 6.376 de 1976.
Senhor ministro, os cuiabanos esperavam de Vossa Excelência, quando se elegeu senador do Estado de Mato Grosso, que honrasse os votos de Cuiabá e região. Mas, preferiu assumir o Ministério – abandonando por completo o mandato que lhe foi outorgado pelo povo – e aceitou ser ministro da Agricultura, para trabalhar em defesa dos interesses próprios e de uma casta empresarial.
Ministro, quero deixar bem claro que não sou contra o agronegócio, mesmo porque – como economista – sei da necessidade que temos de alimentar milhões de pessoas e produzir alimentos em grande escala. Sou contra sim, o uso indiscriminado de agrotóxicos que gera uma morte silenciosa em toda a população. E o que Vossa Excelência fez para combater o veneno jogado por mais de 3 mil aviões agrícolas em todo o país? Por que Vossa Excelência nunca se preocupou em defender o agronegócio sustentável? Será porque terá menos lucro? E como fica a saúde das crianças, idosos, das cidades afetadas? Convido Vossa Excelência a visitar à nossa tradicional e prestigiada Universidade Federal de Mato Grosso (fundada pelo grande brasileiro, médico excepcional, e reitor da UFMT Gabriel Novis Neves) e conhecer a pesquisa científica que nos mostra o crime ecológico que causa danos irreparáveis ao povo de Mato Grosso.
Ministro, esse “golpe contra Cuiabá” é também um “tapa na cara” na história cuiabana cujo população sofreu mais de 200 anos de isolamento do resto do país. Essa metrópole, que hoje aparece vistosa e bonita, só existe graças a força e o amor dos nossos antepassados. Talvez, Vossa Excelência nem saiba que em 8 de abril de 2019 a capital verde das palmeiras imperiais, das mangueiras centenárias, dos casarões do século XIX apreciado mundo a fora, irá completar 300 anos e que clama por uma ferrovia por mais de 50 anos.
Ministro, tenha respeito com à nossa terra. Não deboche do nosso povo quando Vossa Excelência diz que “a sua ferrovia será a primeira que virá para dentro da roça”. Ora ministro, roça (uma chácara, um lugar simples onde prevalece a agricultura familiar) não existe no agronegócio, muito menos nos 100 mil hectares de terra esparrados pelo Estado de Vossa Excelência. Na roça, nós carpimos. Na sua “roça” as máquinas de 500 mil dólares fazem esse serviço.
Entendo Vossa Excelência, que o seu ódio por Cuiabá, é uma declaração de guerra contra um povo sofrido e sedento por melhor qualidade vida. Mas, não menospreze a inteligência dos cuiabanos. E como cuiabano, é minha obrigação lutar contra as ações de maus brasileiros que insistem usar o mandato eletivo para cuidar de interesses pessoais e inflar a divisão do Estado de Mato Grosso.
Vicente Vuolo é servidor de carreira do Senado, economista e cientista político. E-mail: [email protected]
Cidades
Onda de calor eleva temperaturas e aumenta sensação de desconforto no Médio-Norte de Mato Grosso
Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Diamantino e outros municípios da região devem enfrentar vários dias de calor intenso; temperaturas podem se aproximar dos 40°C e baixa umidade aumenta os riscos à saúde
Os moradores do Médio-Norte de Mato Grosso devem enfrentar um fim de semana de calor intenso e temperaturas próximas dos 40°C, com uma nova onda de calor atingindo diversas cidades do Estado a partir deste sábado (26).
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu alerta vermelho, classificado como de grande perigo, para 66 municípios de Mato Grosso. O aviso começa no sábado e permanece válido até quarta-feira (30), com previsão de temperaturas pelo menos 5°C acima da média climatológica durante cinco dias ou mais.
Municípios importantes do Médio-Norte, como Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso, estão entre as cidades atingidas pelo episódio de calor extremo.
Em Nova Mutum, a tarde desta sexta-feira (25) já registrava temperatura em torno de 37°C, e as previsões apontam máximas próximas dos 39°C no domingo (27) e entre 37°C e 38°C durante boa parte dos próximos dias.
Sensação de calor pode ser ainda maior sob exposição ao sol
Embora a chamada sensação térmica dependa de fatores como umidade do ar, vento e exposição direta à radiação solar, o desconforto provocado pelo calor pode ser muito maior do que o número indicado simplesmente pelo termômetro.
Em Nova Mutum, por exemplo, a previsão desta sexta-feira aponta máxima de aproximadamente 37°C, umidade mínima próxima de 32% e índice de radiação ultravioleta classificado como extremo.
Com pouca umidade, exposição prolongada ao sol e temperaturas próximas dos 40°C, o organismo precisa trabalhar mais para controlar a temperatura corporal.
Por isso, mesmo quando os índices técnicos de sensação térmica não ultrapassam significativamente a temperatura registrada, a combinação de calor, sol forte e ar seco aumenta o estresse térmico e a sensação de desconforto.
Nova Mutum pode chegar perto dos 40°C
As previsões para Nova Mutum indicam sequência de dias muito quentes.
Levantamentos meteorológicos apontam máximas em torno de 37°C nesta sexta-feira e no sábado, podendo alcançar aproximadamente 39°C na segunda-feira, dependendo das condições atmosféricas.
O INMET também mantém alerta de baixa umidade para a cidade nesta sexta-feira, com índices que podem variar entre 20% e 30%.
A combinação de temperaturas elevadas e baixa umidade exige atenção redobrada, principalmente durante o período da tarde.
Sorriso também deve enfrentar temperaturas elevadas
Em Sorriso, a previsão é semelhante.
Dados meteorológicos apontam máximas próximas de 37°C nesta sexta-feira, 36°C no sábado, 37°C no domingo e possibilidade de atingir aproximadamente 38°C na segunda-feira (28).
Lucas do Rio Verde também aparece entre os municípios atingidos pelo alerta de onda de calor emitido para Mato Grosso.
Previsões disponíveis para o município apontam temperaturas máximas próximas de 37°C a 39°C durante esse período, reforçando o cenário de calor persistente no eixo formado por Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso.
Diamantino também deve registrar calor intenso
Em Diamantino, as temperaturas também permanecem elevadas durante os próximos dias.
Previsões meteorológicas indicam máximas próximas dos 38°C nesta sexta-feira, podendo alcançar aproximadamente 40°C no domingo e na segunda-feira.
A região de Diamantino historicamente registra temperaturas altas nesta época do ano e também pode sofrer com baixa umidade durante os períodos mais quentes da tarde.
O que é uma onda de calor?
De acordo com o INMET, o episódio previsto para este fim de semana é a primeira onda de calor da primavera de 2026.
Para caracterizar uma onda de calor, as temperaturas precisam permanecer pelo menos 5°C acima da média climatológica por cinco dias consecutivos ou mais.
No Centro-Oeste, as máximas devem superar os 40°C em algumas localidades. Em Cuiabá, por exemplo, o INMET prevê possibilidade de aproximadamente 41°C no domingo e na segunda-feira.
O alerta vermelho representa risco à saúde, especialmente para idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores que permanecem expostos ao sol.
Baixa umidade agrava situação
O problema no Médio-Norte não será apenas a temperatura.
A baixa umidade relativa do ar também representa preocupação.
Quando a umidade cai para níveis muito baixos, podem surgir sintomas como ressecamento da pele, irritação nos olhos, desconforto nas vias respiratórias, sangramento nasal, dores de cabeça e maior risco de desidratação.
Além disso, o período seco aumenta significativamente o risco de incêndios em vegetação.
O próprio INMET recomenda aumento da ingestão de líquidos, redução de atividades físicas intensas durante os períodos mais secos e menor exposição ao sol nos horários de maior calor.
Horário mais crítico é durante a tarde
Entre aproximadamente 11h e 16h, a combinação de temperatura elevada, baixa umidade e radiação solar tende a tornar o ambiente mais agressivo ao organismo.
Quem trabalha em áreas externas, como trabalhadores da construção civil, produtores rurais, entregadores, agentes públicos e profissionais que atuam diretamente sob o sol, deve redobrar os cuidados.
Roupas leves, proteção para a cabeça, hidratação frequente e intervalos em locais protegidos do sol ajudam a diminuir os riscos.
Crianças e idosos também precisam de atenção especial porque podem apresentar maior dificuldade para perceber ou comunicar sinais de desidratação.
Cuidados durante a onda de calor
Durante os próximos dias, algumas medidas simples podem reduzir os efeitos do calor:
- beber água frequentemente, mesmo sem sentir sede;
- evitar exposição prolongada ao sol entre o final da manhã e o meio da tarde;
- evitar exercícios físicos intensos nos horários mais quentes;
- utilizar roupas leves e claras;
- usar protetor solar;
- procurar ambientes ventilados ou climatizados;
- aumentar a atenção com crianças, idosos e animais domésticos;
- nunca deixar crianças ou animais dentro de veículos estacionados;
- evitar queimadas e qualquer atividade que possa iniciar incêndios em vegetação seca.
Calor deve persistir até a próxima semana
O cenário indica que o Médio-Norte continuará enfrentando temperaturas elevadas durante vários dias.
O alerta vermelho do INMET permanece válido entre sábado, 26 de setembro, e quarta-feira, 30 de setembro, e prevê calor persistente em boa parte de Mato Grosso.
Em municípios como Nova Mutum, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Diamantino, as máximas devem permanecer próximas ou acima dos 37°C em grande parte desse período.
Mais do que observar apenas os números dos termômetros, a população precisa estar atenta ao efeito combinado de temperatura elevada, baixa umidade e exposição direta ao sol.
Nos próximos dias, hidratação e redução da exposição nos horários mais quentes serão fundamentais para enfrentar mais um período de calor intenso no Médio-Norte mato-grossense.
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