Agro Notícias
No STF, Janaina, Botelho e Lucas Beber e líderes do agro pedem freio às demarcações de terras indígenas em MT
A deputada estadual Janaina Riva (MDB) cumpriu agenda na manhã desta quinta-feira (20) no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, para tratar das novas demarcações de terras indígenas realizadas esta semana pelo governo federal. O encontro ocorreu no gabinete do ministro Gilmar Mendes e reuniu uma comitiva de Mato Grosso mobilizada após a ampliação da Terra Indígena Manoki, em Brasnorte, cujo decreto atinge mais de 250 mil hectares consolidados há décadas e provocou forte reação política e econômica no estado.
A parlamentar esteve acompanhada do prefeito de Brasnorte, Édelo Ferrari, do deputado Eduardo Botelho, do presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin, do presidente da Famato, Vilmondes Tomain, e do presidente da Aprosoja, Lucas Beber. A agenda foi articulada após a publicação do decreto federal que redefiniu limites territoriais e gerou apreensão entre produtores rurais e gestores municipais da região.
No vídeo divulgado após a reunião, Janaina destacou a gravidade dos impactos da medida. “Nós estivemos aqui pra combater as novas demarcações de territórios indígenas em Mato Grosso, que geram uma insegurança jurídica imensa, dano econômico pros municípios, pro nosso estado, pro produtor que está no dia a dia lutando, produzindo, carregando esse estado nas costas”, afirmou.
Ela ressaltou que a reunião com o ministro Gilmar Mendes foi produtiva e que a comitiva saiu comprometida em atuar de forma conjunta. Segundo a deputada, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, pediu que ela representasse a Casa de Leis no diálogo institucional. “Nós vamos juntos agora reunir as entidades para lutar por isso. O presidente Max Russi pediu que representássemos a Assembleia Legislativa nessa agenda e todos os deputados no interesse de defender o nosso estado, de defender o agro mato-grossense que merece respeito, merece segurança jurídica e é isso que nós vamos buscar”, disse.
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, reforçou o alinhamento das entidades com o movimento político. “Vamos aqui na defesa do agro de Mato Grosso juntamente com o apoio desses líderes: Janaína, Botelho, Léo Bortolin, nosso amigo Lucas, da Aprosoja. Eu só tenho a agradecer o apoio e a vontade de defender o produtor de Mato Grosso”, declarou.
A comitiva deve agora articular, em conjunto com as entidades do setor produtivo, novas medidas jurídicas e institucionais para contestar o decreto federal e buscar a suspensão da ampliação territorial. A deputada afirma que a mobilização continuará. Para ela, a defesa dos produtores de Brasnorte e a estabilidade econômica dos municípios atingidos são prioridades. “O agro mato-grossense merece respeito e segurança jurídica. É isso que estamos buscando aqui”, afirmou.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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