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Justiça Federal suspende benzoato de emamectina em Mato Grosso

Lagarta HelicoverpaO Tribunal Regional Federal em Mato Grosso aceitou o pedido de liminar do Ministério Público Federal (MPF) que suspende o uso de benzoato de emamectina no Estado. A liminar determina que o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea) não pode expedir autorizações de aplicação de agrotóxicos que contenham o princípio ativo. O Indea também fica obrigado a fiscalizar e impedir a entrada do inseticida em território matogrossense, assim como a comercialização e o armazenamento.

Em sua decisão, a juíza Vanessa Curti Perenha Gasques, determina que o Indea recolha todos os produtos contendo benzoato de emamectina que estejam em território matogrossense, em vez de deixar o material guardado sob tutela dos proprietários e fornecedores. Para isso, o Instituto deve indicar a relação dos distribuidores que já obtiveram a autorização de importação e de aplicação de agrotóxicos contendo este princípio ativo. O órgão estadual tem 30 dias para apresentar à Justiça provas de ter cumprido todas as determinações.

Na última safra, o Ministério da Agricultura (Mapa) declarou estado de emergência fitossanitária nas áreas produtoras de Mato Grosso, diante de ataques intensivos da lagarta Helicoverpa armigera. A área de abrangência da medida atingiu quase 100 municípios matogrossenses. A emergência fitossanitária autoriza a importação e utilização do benzoato de emamectina, que ainda não tem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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O diretor técnico da Aprosoja-MT, Nery Ribas comentou a decisão.

– Nós como produtores, usuários, consumidores destes produtos ficamos reféns do que o Indea vai nos dizer. A partir do momento em que eles tenham recebido a notificação vão tomar as devidas providências. Até o momento, a gente só sabe o que a imprensa vem noticiando. Mas dizemos sempre, benzoato é mais uma ferramenta para o controle de pragas, a FAO liberou para uso em alface em outros países, não entendemos todo barulho com relação a estes produtos. Ele não é a única, mas é uma ferramenta de suma importância no manejo integrado de pragas – disse.

O benzoato de emamectina é considerado o inseticida mais eficaz no combate à lagarta. A decisão da Justiça Federal considera um parecer técnico da Anvisa, que afirma que o produto é altamente neurotóxico e considera que seu uso traz graves riscos à saúde humana.

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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