Cidades
100 vagas da UFMT serão reservadas para estudantes quilombolas
A partir de 2017, alunos de comunidades quilombolas terão vagas na Universidade Federal Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) por meio do Programa de Ação Afirmativa. Segundo a instituição de ensino, os estudantes quilombolas terão direito a 100 vagas, que serão distribuídas entre todos os cursos.
Existem hoje 68 comunidades quilombolas identificadas e certificadas pela Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura no estado, além de outras 30 que lutam pelo reconhecimento do título.
Na comunidade quilombola de Mata Cavalo, localizada em Nossa Senhora do Livramento, a 42 km distante de Cuiabá, a notícia das ações afirmativas foi recebida como uma conquista. Segundo a presidente da comunidade, Arlete Pereira Leite, as pessoas são muito humildes, vivem da agricultura familiar e não podem pagar os estudos dos filhos.
“Nossos alunos não têm dinheiro, os pais vivem do que se planta e se vende. Então não têm condições mesmo de estudar em uma escola particular. Nosso objetivo era era entrar na UFMT e conseguimos”, afrmou.
Lídia Nunes Fernandes é uma das estudantes da comunidade que pretende ingressar na universidade no próximo ano. Lídia sonha em cursar música. Ela canta desde criança e há dois anos viaja para a capital para estudar violão e violino. “Eu quero ser professora de musica. Já comecei desde agora e quero continuar. Quero fazer licenciatura em música ou então bacharelado”, contou.
Segundo Matheus Henrique Pinho da Silva, que também é estudante na comunidade, conta que, apesar do preconceito, o sonho de fazer faculdade parece mais próximo. “Hoje existe muito preconceito, dizem que você não vai conseguir, que você vai ser julgado e maltratado porque você é negro”, afirmou.
“Já ouvi muito isso: O que você pretende fazer lá? Eu pretendo estudar e mostrar que eu consigo. Eu vejo em cada olhar, de cada aluno, que eles querem”, disse Matheus.
O novo programa da universidade renovou as esperanças de mais uma moradora da comunidade, a estudante Maria Josefina dos Santos, de 30 anos. Ela explica que, mesmo com as dificuldades de distância e falta de internet na comunidade, está cursando letras à distância, mas que sempre teve o sonho de estudar psicologia.
“Nós somos capazes também e somos iguais a qualquer outro. Eu perdi a oportunidade de fazer psicologia, mas com essa nova chance, se as portas se abrirem para mim, eu quero fazer psicologia”, conta Maria Josefina.
De acordo com a pró-reitora de assistência estudantil, Myrian Serra, Os quilombolas farão um vestibular especial, semelhante ao realizado pelos indígenas. As vagas oferecidas a eles não serão as mesmas das cotas que são disponibilizadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
“Existe na universidade a lei das cotas com reserva de 50% das vagas para estudantes de escola pública, pretos, pardos, indígenas e de baixa renda. Além disso, a UFMT também reconhece a necessidade de criar um outro programa de ação afirmativa para os estudantes quilombolas, assim como o programa de ação afirmativa para indígenas”, explicou a pró-reitora.
G1 MT
Cidades
“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.
“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.
“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.
Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.
Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.
Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.






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