Agro Notícias
Sistema CNA/Senar e Embrapa lançam Programa Nacional de Capacitação de Técnicos de Campo
Daniel Carrara, Celso Moretti e João Martins assinaram o ACG
Brasília (27/04/2022) – O Sistema CNA/Senar e a Embrapa assinaram um Acordo de Cooperação Geral (ACG) para a criação do Programa Nacional de Capacitação de Técnicos de Campo na quarta (27), durante a solenidade comemorativa ao 49º aniversário da instituição de pesquisa, em Brasília.
O evento contou com a participação do presidente da Sistema CNA/Senar, João Martins; do presidente da Embrapa, Celso Moretti; e do diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara; além de ministros, autoridades políticas e pesquisadores.

Na opinião de João Martins, a Embrapa é uma instituição que pode contribuir muito com o produtor rural brasileiro e com outras entidades que também atuam para o desenvolvimento do setor, como o Sistema CNA/Senar.
“O Senar é uma grande instituição que, hoje, presta assistência técnica e gerencial a mais de 150 mil pequenos produtores, principalmente da agricultura familiar. Acredito que esse convênio vai abrir uma nova porta de relacionamento entre a CNA, o Senar e a Embrapa”, afirmou ele.
O Programa Nacional de Capacitação de Técnicos de Campo prevê a realização de capacitações presenciais, on-line ou semipresenciais de técnicos e instrutores de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e a criação do Portal da Academia ATeG, onde os usuários terão acesso a todo o conteúdo elaborado e suporte no momento pós-aula para as dúvidas.
A previsão é realizar 40 capacitações, nas 20 principais cadeias produtivas da agropecuária, no formato “Conversa com Especialista”. Esse modelo de capacitação digital combina uma aula ao vivo para exposição de conteúdo e interação entre os participantes, resolução de dúvidas e aprimoramento técnico. Além disso, oferece a disponibilidade de conteúdo digital para pré-aula e pós-aula e atividades formativas.

Na visão do diretor-geral do Senar, a tecnologia na agropecuária está avançando com rapidez, mas muitos produres rurais seguem sem utilizá-la por desconhecimento. Para ele é preciso dar escala à capacitação de técnicos e atualizar esses profissionais para fazer a transferência de tecnologia adequada no campo.
“O Programa vai tirar as pesquisas das cabeças dos pesquisadores e das prateleiras e colocar na cabeça de quem está na ponta. É uma iniciativa que não tem limite. Técnico de campo que quiser estar atualizado nas principais cadeias só não vai estar se não quiser”, disse Daniel Carrara.
Segundo ele, o Senar conta com quase cinco mil técnicos de AteG em campo e mais cinco mil em treinamento atualmente. A meta do Programa Nacional de Capacitação de Técnicos de Campo é qualificar mil profissionais somente no primeiro ano da iniciativa.
“Serão capacitados os técnicos e instrutores do Senar, mas vamos disponibilizar a nossa plataforma para qualquer técnico da iniciativa privada ou da assistência técnica pública que queira se qualificar”, declarou Daniel Carrara.

Antes da cerimônia de aniversário, o presidente da Sistema CNA/Senar e o diretor-geral do Senar participaram do lançamento da Galeria Embrapa, uma exposição permanente sobre a história da instituição. O espaço recebeu o nome do fundador, ex-presidente e diretor da Embrapa, Eliseu Alves, que também esteve presente na homenagem.
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Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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