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Produtores de MT pressionam governo Lula por apoio a projeto que renegocia dívidas rurais

Representantes das principais entidades do agronegócio brasileiro intensificaram a pressão sobre o governo federal para garantir o avanço do Projeto de Lei 5.122/2023, que cria mecanismos para renegociação de dívidas rurais e é visto pelo setor produtivo como uma das principais alternativas para enfrentar a crescente crise de crédito no campo.

A mobilização ganhou força nesta semana após lideranças da Aprosoja Mato Grosso, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão e da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão se reunirem com o ministro da Agricultura, André de Paula, para defender apoio formal da pasta à proposta.

O encontro ocorreu um dia antes da aprovação do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Agora, a matéria segue para votação em plenário, considerada uma etapa decisiva para a criação de um novo modelo de renegociação destinado a produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras.

As entidades argumentam que o projeto é fundamental para reorganizar passivos acumulados nos últimos anos, preservar a capacidade produtiva do setor e evitar que milhares de propriedades rurais enfrentem processos de execução ou dificuldades ainda maiores para obtenção de crédito.

Além de defender o avanço da proposta, os representantes do agronegócio também cobraram que eventuais mecanismos de renegociação não sejam acompanhados de exigências burocráticas consideradas excessivas, o que poderia dificultar a adesão dos produtores aos benefícios previstos na futura legislação.

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O alerta do setor ocorre em meio ao aumento expressivo do volume de crédito rural considerado problemático no país. Dados do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop), com base nas informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), apontam que o saldo de financiamentos rurais com dificuldades de pagamento alcançou R$ 186,5 bilhões no Brasil em abril deste ano.

Em Mato Grosso, principal estado produtor de grãos do país, o cenário também preocupa. O volume de crédito rural problemático chegou a R$ 21,8 bilhões, representando aproximadamente 20,2% de toda a carteira de crédito rural existente no Estado.

Os números refletem as dificuldades enfrentadas por produtores que convivem com queda nos preços de commodities, aumento dos custos de produção, juros elevados e problemas climáticos registrados nas últimas safras.

Por isso, as entidades do setor defendem a manutenção de pontos considerados essenciais no relatório aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos. Entre eles está a inclusão de operações de crédito formalizadas até dezembro de 2025, ampliando o universo de produtores que poderão ser contemplados pelas medidas de renegociação.

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Outro ponto considerado estratégico prevê a suspensão de cobranças e medidas de execução enquanto os pedidos de renegociação estiverem em análise, oferecendo maior segurança jurídica aos produtores durante o processo.

O setor também apoia a manutenção da regra que proíbe a exigência de garantias adicionais para adesão aos mecanismos previstos no projeto, argumento considerado fundamental para evitar que produtores já endividados encontrem novos obstáculos para reestruturar seus débitos.

Para as entidades, a aprovação da proposta representa não apenas uma solução financeira para produtores em dificuldades, mas também uma medida necessária para preservar a produção agropecuária, a geração de empregos e a atividade econômica em estados altamente dependentes do agronegócio, como Mato Grosso.

Com a aprovação na CAE, a expectativa do setor produtivo agora se concentra na votação em plenário, onde a proposta será submetida à análise final dos senadores antes de seguir para as próximas etapas de tramitação no Congresso Nacional.

Fonte Olhar Agro

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Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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