Agro Notícias
Apro360 retoma episódios ao vivo com participação do senador Wellington Fagundes

O episódio abordou temas importantes para o setor produtivo, bem como logística, Ferrogrão, faixa de fronteira e energia em Mato Grosso
O Apro360, podcast da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), retomou nesta terça-feira (27.01) os episódios ao vivo da temporada de 2026. O convidado de estreia foi o senador de Mato Grosso Wellington Fagundes, que, ao lado do presidente da entidade, Lucas Costa Beber, e da jornalista Fernanda Trindade, debateu temas estratégicos para o setor produtivo, como infraestrutura logística, Ferrogrão, faixa de fronteira e energia.
Para iniciar o bate-papo, o senador federal relembrou o início de sua trajetória política, destacando a influência familiar como principal incentivo para ingressar na vida pública. “Logo pequeno comecei a trabalhar no boteco do meu pai e gostava demais de trabalhar ali e conversar com as pessoas. E a partir daí fui criando o viés político. Eu via os políticos e achava algo admirável. No início queriam que eu fosse candidato a vice-prefeito pelo prestígio do meu pai. Logo fui presidente da associação de Rondonópolis e, depois, fui candidato a deputado federal. Eu sempre aprendi com meu pai que temos que ter fé, acreditar e trabalhar. Tudo que a gente faz com determinação dá certo”, explicou.
Entre os assuntos debatidos, Wellington Fagundes ressaltou a necessidade de investimentos em infraestrutura e logística em Mato Grosso, pontuando a importância da Ferrogrão para o escoamento da produção.
“Há pouco tempo, fui a Miami na inauguração de um grande terminal. E a cidade, pelo incrível que pareça, tem a integração perfeita: rodovia, ferrovia e portos. Isso é desejável, por isso a Ferrogrão é fundamental para Mato Grosso e para o Brasil. Nós temos que buscar o escoamento da produção. Se nós não tivéssemos a BR-163 asfaltada, como seria o escoamento da produção de todo o norte de Mato Grosso”, pontuou o senador. Durante a conversa, o parlamentar também abordou a situação da faixa de fronteira e a necessidade de regularização fundiária.
“As entidades precisam de respaldo do poder público, por exemplo, eu trabalhei para que votássemos uma lei para a regularização fundiária da faixa de fronteira. Mas, agora, o presidente atual vetou. Mas nós vamos derrubar o veto, porque a faixa de fronteira no Brasil é um problema. É uma coisa que fica abandonada, sem regularização e facilita 720 quilômetros de divisa seca com a Bolívia, trazendo tudo de ruim. Como não fazer a regularização fundiária? A lei brasileira de faixa de fronteira tem que ser mudada. Nós temos que fazer da faixa de fronteira uma faixa de desenvolvimento e para ocupação”, salientou Fagundes.
Outro gargalo citado durante o podcast foi a concessão de energia elétrica no estado. “Hoje o Governo Federal está no processo de renovação de todas as concessionárias do Brasil e já há uma determinação de governo que vai renovar a concessão da Energisa. Mato Grosso é um estado diferente, pois a Energisa está tendo lucro aqui. Mas o estado é grandioso e precisa fazer investimento e esse lucro tem que ser investido aqui. A Energisa não pode continuar ganhando muito dinheiro em Mato Grosso e não investindo na mesma proporção. O prejuízo quando falta energia afeta tanto o pequeno, o médio e o grande produtor. Nós estamos cobrando para que a renovação da concessão de Energisa seja feita com compromissos essenciais para Mato Grosso. Nós somos especiais e um estado que mais desenvolve. Mas a força da economia está na produção rural. Se o campo para a cidade também para”, citou Wellington Fagundes.
Ao ser questionado pelo presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o senador comentou sobre a arrecadação estadual e a necessidade de aliviar a carga sobre os pequenos e médios produtores.
“O estado de Mato Grosso hoje está no seu apogeu na questão de arrecadação. O pequeno e o médio produtor não podem mais ficar sobrecarregados. Nós temos que criar incentivo, sim, mas não pode ficar só na mão do grande produtor rural. Então no próximo governo nós teremos que trabalhar junto com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e todos os poderes para que a gente possa evoluir e trazer fôlego principalmente para o pequeno e o médio. Para que as pessoas possam se desenvolver mais e ser um estado com a geração de emprego de qualidade”, disse.
No Apro360, Wellington Fagundes também parabenizou a atuação da Aprosoja MT em prol do desenvolvimento do setor produtivo. “Quanto trabalho vocês têm desenvolvido que, às vezes, as pessoas não sabem. A Aprosoja MT é itinerante, levando técnicos e palestrantes exatamente para que a gente possa desenvolver cada vez mais. O mundo hoje é competitivo. Hoje nós temos que ter produtividade para enfrentar os desafios que são as distâncias, pois produzir em Mato Grosso para exportar ou importar custa caro. Mas graças à capacidade empreendedora do produtor rural brasileiro, o Brasil é um país de vocação rural. Então nós temos que continuar apoiando para ter mais produtividade e verticalizar a nossa economia gerando emprego. Sem educação, informação e sem capacitação dificilmente alguém cresce. E inclusive a Aprosoja MT tem feito um grande trabalho nesse sentido”, parabenizou.
O episódio com o senador federal abre oficialmente a temporada 2026 do Apro360, que contará com a participação de nomes estaduais e nacionais e debates sobre temas estratégicos para o setor produtivo. O programa completo está disponível nas redes sociais da Aprosoja Mato Grosso.
Marina Cintra
Agro Notícias
Milho dispara 12% em Sorriso e saca chega a R$ 47 com oferta limitada

O preço do milho registrou forte valorização em Sorriso, um dos maiores polos agrícolas de Mato Grosso. Em agosto, a saca do cereal alcançou média de R$ 47 no município, representando alta de aproximadamente 12% no período.
Os números constam no Agro Mensal, levantamento que acompanha o comportamento das principais commodities agrícolas. A valorização ocorre em meio à redução da disponibilidade do produto no mercado interno e às incertezas no cenário internacional.
Mesmo após a colheita da segunda safra, produtores seguem cautelosos nas negociações. Parte dos agricultores prefere manter o cereal armazenado, aguardando preços melhores, enquanto compradores encontram dificuldade para adquirir grandes volumes.
A menor presença de vendedores no mercado contribuiu para sustentar as cotações e ampliar a disputa pelo milho disponível. O movimento ganha importância em Sorriso, município que ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos.
Mercado externo preocupa
Além da oferta limitada dentro do país, o mercado acompanha as oscilações internacionais, o comportamento do dólar e as condições das lavouras nos Estados Unidos. Esses fatores podem influenciar diretamente os preços praticados no Brasil.
As exportações brasileiras também permanecem no radar. Quando os embarques avançam, o volume disponível no mercado interno diminui, aumentando a pressão sobre compradores, especialmente indústrias de ração, frigoríficos e produtores de proteína animal.
Apesar da alta registrada em agosto, especialistas avaliam que o mercado ainda pode apresentar forte volatilidade. O comportamento dos preços dependerá do ritmo das vendas dos produtores, da demanda interna e externa, do câmbio e das perspectivas para a próxima safra.
Em Sorriso, a valorização para R$ 47 por saca representa uma recuperação importante para os produtores, mas também pode elevar os custos de setores que utilizam o milho como matéria-prima.
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