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Pela 1ª vez, MT se torna o 2º maior produtor de etanol no país

Mato Grosso é o segundo maior produtor de etanol do Brasil, com 5,72 bilhões de litros gerados. De acordo com as Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Bioind-MT) e o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), esse é o maior crescimento da produção de etanol já registrado no estado.

De acordo com a pesquisa, nesta safra, houve um crescimento de 32% em relação a anterior, que gerou 4,34 bilhões de litros de etanol. Para 2024/25, a estimativa é que Mato Grosso produza 6,30 bilhões de litros do biocombustível, um aumento de 10,03% em relação a esta safra. Deste volume, 5,207 bilhões de litros devem vir do milho e 1,088 bilhão, da cana.

Essa é a primeira vez que Mato Grosso fica em segundo lugar na produção nacional, ficando atrás somente de São Paulo. Esse crescimento da produção foi resultado da ampliação da capacidade produtiva das usinas, além da melhor performance das indústrias.

Colheita de milho em Mato Grosso — Foto: Rafael D Marques/Secom-MT

Colheita de milho em Mato Grosso — Foto: Rafael D Marques/Secom-MT

Do total produzido na safra, 4,54 bilhões de litros vieram do milho e 1,18 bilhão de litros da moagem de cana-de-açúcar. Deste volume, 3,73 bilhões de litros foram gerados em etanol hidratado (biocombustível que vai direto para as bombas), e 1,99 bilhão de litros de anidro (produto que é adicionado à gasolina).

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Atualmente, Mato Grosso possui 18 indústrias de etanol que geram além do biocombustível: óleo de milho, fornece fertilizantes e proteína vegetal para alimentação animal e levedura, emite créditos de carbono e gera energia elétrica a partir de resíduos.

Milho e cana-de-açúcar

Produção de etanol de milho aumenta em MT — Foto: TV Centro América

Produção de etanol de milho aumenta em MT — Foto: TV Centro América

Nesta safra Mato Grosso produziu 43,8 milhões de toneladas de milho, responsável por 38% da safra nacional. Neste período, a moagem de milho também foi recorde, 10,11 milhões de toneladas, gerando um crescimento de 37,86%. Esse é o maior percentual de crescimento anual já registrado no estado.

O índice de rendimento industrial na produção de etanol foi de 449,27 litros por tonelada de milho. Atualmente, Mato Grosso responde por 72% da produção nacional de etanol de milho.

Outro destaque nesta safra foi os grãos secos de destilaria (DDG), um coproduto do etanol de milho utilizado na alimentação animal. A produção de DDG foi de 2,12 milhões de toneladas, contra 1,6 milhão de toneladas na safra anterior.

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Colheita de cana-de-açúcar — Foto: Biosul/Divulgação

Colheita de cana-de-açúcar — Foto: Biosul/Divulgação

Já a cana-de-açúcar, houve um aumento de 10,6% na moagem, totalizando 17,65 milhões de toneladas, o mesmo volume da safra recorde no estado registrado na temporada 2019/20. Nesta safra, o rendimento industrial na produção de etanol atingiu 100 litros por tonelada, o maior desde o início da série histórica.

Da safra 2023/24, 12,08 milhões foram destinados a produção de etanol e 5,57 milhões tiveram como destino a produção de açúcar. O açúcar atingiu recorde de 537,7 mil toneladas, volume 7% maior se comparado com a safra anterior.

Dentre os motivos para esse movimento, está a menor oferta de açúcar no mercado internacional, limitado em função da quebra de safra da cana em países asiáticos, como Índia e Tailândia, o que estimulou os preços no mercado mundial e a demanda pelo produto produzido no Brasil.

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Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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