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Grupo Picini recebe autorização para produção de etanol e a próxima planta liberada será Diamantino


Empresa criada pelo produtor Joci Piccini e comandada por Luciano Souza, ex-ADM, recebe autorização da ANP e começa a operar planta em Tapurah, na primeira etapa de um projeto que prevê também uma segunda planta no MT
O Grupo Piccini, comandado pelo produtor rural e empresário Joci Piccini, recebeu sinal verde para colocar em operação sua primeira planta para produção de etanol de milho.
A indústria localizada em Tapurah (MT) foi erguida pela RRP Energia, empresa constituída pelo grupo para atuar no segmento de biocombustíveis e que tem Luciano Souza, ex-diretor comercial da ADM, como CEO.

A autorização oficial para produção foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira, 21 de outubro, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Segundo a RRP, a planta já começa a operar superando as metas previstas para a primeira fase. A usina tem capacidade inicial de moagem de 1,1 mil toneladas de milho por dia. Isso proporciona uma produção, nessa primeira fase, de 14.5 milhões de litros de etanol por mês, além da produção de 9.4 mil toneladas de DDGS ou 19 mil toneladas de WDGS e 550 toneladas de óleo de milho.
Segundo a empresa, nessa etapa inicial estão sendo gerados 165 empregos diretos e cerca de 500 indiretos.
A operação começou imediatamente após a confirmação da autorização da ANP. Luciano Souza disse que, nos próximos dias, o trabalho será voltado á estabilização da qualidade, tanto do etanol, que precisa atender a parâmetros exigidos pela agência, como do DDGS e do WDGS, usados na nutrição animal.
A distribuição do etanol no primeiro momento, será feita pela Idaza, empresa também pertencente ao grupo Piccini. Já o DDGS e WDGS serão destinados inicialmente ao confinamento do grupo, mas em breve serão comercializados para clientes da própria região. “A demanda por aqui está muito forte”, afirma Souza.

O cronograma da RRP prevê, a partir de agora, a continuação das obras em Tapurah, cuja segunda fase tem inauguração prevista para junho de 2026. Quando isso acontecer, a capacidade de moagem deve praticamente triplicar, atingindo 3 mil toneladas de milho por dia.
As obras da usina foram iniciadas no primeiro trimestre de 2024. O investimento total da planta deve atingir R$ 1,2 bilhão, valor superior ao inicialmente orçado.
O projeto da RRP inclui também a construção de uma segunda planta, com Capex estimado em R$ 950 milhões, no município de Diamantino (MT). Segundo Souza, a previsão é a de que a primeira fase a futura unidade comece a produzir ao longo de 2027.
“Iniciamos as operações com resultados acima das expectativas, o que reforça a força do nosso time e o modelo de agronegócio integrado e sustentável que construímos”, afirma Joci Piccini em comunicado.
O Grupo Piccini é um dos mais tradicionais do agronegócio de Mato Grosso, especialmente na região de Lucas do Rio Verde. Joci Piccini tem 90 mil hectares de lavouras só na primeira safra, além de negócios em diferentes áreas, como confinamento de gado, concessionárias Case e New Holland e até postos de combustíveis.
Foi um dos idealizadores da Fundação Rio Verde, de pesquisa e desenvolvimentoFundação Rio Verde tecnológico na agricultura, que deu origem à Show Safra, maior feira de tecnologia agrícola de Mato Grosso, que ocorre em março, em Lucas do Rio Verde.
“Estamos conectando fornecedores e clientes e transformando o potencial agrícola do Mato Grosso em energia renovável, competitiva, sustentável e em ração animal. É uma conquista que fortalece a integração e verticalização do grupo e também a matriz energética brasileira”, completa Luciano Souza.

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Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta no campo e exige planejamento antecipado para safra 2026/27

A possibilidade da formação de um “Super El Niño” neste ano já acende o sinal de alerta no setor produtivo, especialmente para a agricultura em Mato Grosso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças significativas no regime de chuvas, elevar as temperaturas e influenciar diretamente o desenvolvimento das lavouras no estado.

Com base em dados e projeções apresentados no relatório do consultor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Clyde Fraisse, o cenário climático exige atenção redobrada por parte dos produtores rurais, uma vez que pode afetar desde o planejamento do plantio da safra 2026/27 até a definição das estratégias de manejo ao longo do ciclo produtivo.

Na avaliação do consultor, embora ainda existam incertezas quanto à intensidade do fenômeno, o cenário indica probabilidade de alterações climáticas no Centro-Oeste, exigindo planejamento antecipado e estratégias voltadas à redução dos riscos na próxima safra.

“Os impactos do El Niño sobre a safra 2026/27 dependerão não apenas da intensidade do aquecimento do Oceano Pacífico, mas também da interação com outros sistemas climáticos, especialmente o Atlântico Tropical e os padrões atmosféricos sobre a América do Sul. Entretanto, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais indica que o fenômeno aumenta significativamente a probabilidade de atrasos no início da estação chuvosa no Brasil Central. Para os produtores de Mato Grosso, isso reforça a necessidade de uma estratégia preventiva baseada na redução de riscos”, afirmou o consultor.

Diante desse cenário, Clyde Fraisse destaca que o monitoramento constante das previsões climáticas e a adoção de práticas de manejo são fundamentais para reduzir os impactos de possíveis atrasos das chuvas e garantir maior estabilidade ao sistema produtivo.

“O monitorar continuamente as previsões climáticas de médio e longo prazo; evitar a semeadura após precipitações isoladas, aguardando a consolidação da estação chuvosa; manter elevada cobertura do solo por meio do Sistema Plantio Direto e de plantas de cobertura; realizar escalonamento da semeadura para reduzir a exposição ao risco climático; utilizar cultivares adaptadas às diferentes janelas de plantio e revisar o planejamento da segunda safra considerando possíveis atrasos da soja; intensificar o monitoramento fitossanitário, uma vez que mudanças no regime de temperatura e umidade podem alterar a dinâmica de doenças e pragas”, aconselhou Clyde Fraisse.

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O consultor ressalta ainda que eventos climáticos dessa magnitude podem provocar reflexos em diferentes etapas da produção, afetando desde a implantação das lavouras até a logística e a comercialização dos grãos. Por isso, o uso de informações técnicas e de estudos climáticos torna-se uma ferramenta importante para orientar decisões dentro da propriedade.

“Para Mato Grosso, esses fatores representam risco elevado principalmente durante a emergência da soja, fase em que a disponibilidade hídrica é determinante para a formação do estande de plantas. A resposta climática depende da interação entre diversos modos de variabilidade climática. A climatologia baseada em eventos históricos constitui uma das ferramentas mais robustas para estimar riscos agrícolas. Estudos conduzidos pela Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, Instituto Nacional de Meteorologia e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária demonstram que existe elevada recorrência de determinados padrões regionais. Esses padrões permitem orientar decisões relacionadas ao calendário de plantio, escolha de cultivares, manejo da cobertura do solo, escalonamento da semeadura e estratégias de mitigação do risco climático”, disse.

Diante desse cenário, produtores rurais já começam a avaliar possíveis ajustes no planejamento da próxima safra. A antecipação dessas decisões pode ser determinante para minimizar perdas e garantir maior segurança produtiva. Para o vice-presidente Leste da Aprosoja MT, Diego Dall Asta, acompanhar de perto as projeções meteorológicas é indispensável para que o produtor tome decisões mais assertivas diante de um cenário de maior incerteza climática e custos elevados de produção.

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“Todo produtor acompanha as projeções climáticas com muita atenção, porque elas são fundamentais para o planejamento da próxima safra. Em um ano como este, em que os custos de fertilizantes químicos e sementes estão em patamares historicamente elevados, o produtor precisa, mais do que nunca, fazer um plantio assertivo. A forma como ele vai se adaptar para a próxima safra depende muito dessas projeções. A tendência é de um plantio com mais cautela, reduzindo, por exemplo, a área plantada no início do calendário, quando ainda há pouca umidade. O produtor não vai arriscar plantar com solo seco, chuvas esparsas ou precipitações muito antecipadas”, afirmou.

Segundo Diego Dall Asta, diante das projeções climáticas, o planejamento da próxima safra passa a exigir ainda mais atenção, desde a escolha das variedades até o momento adequado para iniciar o plantio, buscando reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.

“O planejamento precisa ser geral: plantar apenas com umidade suficiente para garantir uma boa germinação e um estabelecimento seguro da lavoura, pensando em um intervalo de duas a três semanas em que a planta possa suportar a falta de chuva. Além disso, é fundamental escolher materiais adaptados aos veranicos, que podem ocorrer entre outubro, novembro e dezembro. A tendência é de um ano com menos umidade, principalmente no início da safra, e com temperaturas mais altas. Então, o caminho é se adaptar: escolher bem as variedades, evitar plantar em condição de risco e trabalhar sempre com maior segurança”, orienta o vice-presidente Leste da Aprosoja MT.

A Aprosoja Mato Grosso, juntamente com especialistas, reforça que diante da possibilidade de alterações climáticas expressivas na próxima safra, o planejamento antecipado será um dos principais aliados do produtor rural.

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