Agro Notícias
Diamantino reafirma força do agro e sedia maior dia de campo de Mato Grosso

Reconhecida como um dos polos agrícolas de Mato Grosso, Diamantino voltou a ocupar o centro das atenções do agronegócio ao sediar, no último sábado (31), o PA Summit 2026. O evento reuniu mais de 2,2 mil participantes, vindos de 107 cidades, 14 estados e dois países, e consolidou-se como o maior dia de campo do Estado, refletindo a pujança produtiva da região.
Inserido em um cenário extremamente positivo para o campo, o encontro ocorreu em meio ao avanço da colheita da soja em Mato Grosso. O Estado, maior produtor brasileiro do grão, iniciou fevereiro com cerca de 25% das lavouras colhidas e com um aumento de 7% na produtividade média, que se aproxima de 65 sacas por hectare, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). A projeção é de uma safra recorde, com 50,5 milhões de toneladas. Diamantino, com sua forte base agrícola e adoção constante de tecnologia, faz parte direta desse desempenho expressivo.
O PA Summit 2026 contou com cerca de 50 expositores, em um pavilhão indoor climatizado, além de uma ampla área externa com exposição de máquinas e veículos agrícolas. As palestras técnicas mantiveram público lotado ao longo de toda a programação, evidenciando o interesse crescente por inovação, manejo eficiente e estratégias de mercado. Além do conteúdo técnico, o evento também teve impacto social, arrecadando mais de R$ 100 mil em inscrições, valor que será integralmente destinado a duas instituições assistenciais da região oeste de Mato Grosso.
Produtividade como pilar do agro de Diamantino
Mais do que apresentar números, o PA Summit colocou a produtividade no centro do debate, tema que reflete diretamente a realidade dos produtores da região de Diamantino. Na abertura das palestras, o comentarista político Caio Coppolla ampliou a discussão ao abordar o cenário macroeconômico brasileiro. Para ele, o agronegócio é atualmente o único setor da economia nacional que segue avançando em produtividade, enquanto indústria e serviços enfrentam estagnação.
Coppolla destacou que a competitividade do agro brasileiro, especialmente em regiões agrícolas consolidadas como Diamantino, é resultado da combinação entre tecnologia, gestão eficiente e uma cultura de trabalho baseada em responsabilidade e planejamento.
A abordagem técnica ficou a cargo do engenheiro agrônomo Paulo Asunção, presidente da PA Consultoria, que resumiu o espírito do evento em uma frase: “A produtividade está nos detalhes”. Segundo ele, muitos dos gargalos que impactam a lavoura começam pequenos e, quando não tratados corretamente, se transformam em grandes problemas ao longo das safras.
Um dos exemplos citados foi o caruru (Amaranthus), planta daninha com alto potencial de disseminação. De acordo com o especialista, uma única planta pode gerar centenas de milhares de sementes, comprometendo áreas inteiras se não houver controle adequado. O manejo eficiente passa por diagnóstico precoce e estratégias proporcionais ao problema, que vão desde a retirada manual até o uso combinado de herbicidas, escolha correta de cultivares e planejamento agronômico.
Esse cuidado técnico tem gerado resultados expressivos. Nas áreas acompanhadas pela consultoria, a expectativa é de que a safra atual supere a anterior em 3 a 5 sacas por hectare, elevando médias próximas de 70 sacas para patamares entre 74 e 75 sacas por hectare. Em vitrines tecnológicas apresentadas durante o evento, foram observadas produtividades superiores a 90 e até 100 sacas, resultado do alinhamento entre genética, manejo e acompanhamento contínuo — práticas cada vez mais presentes nas lavouras de Diamantino e região.
Da lavoura ao mercado: desafios e estratégias
Se a produtividade começa no campo, ela se consolida no mercado. Essa foi a reflexão trazida pelo consultor e especialista em comercialização Marcos Araújo, que alertou para os desafios de uma safra brasileira recorde, com potencial acima de 180 milhões de toneladas de soja. O aumento da oferta, aliado a gargalos logísticos e às altas taxas de juros, tem pressionado os preços no interior do país, próximos de R$ 90 por saca em muitas regiões.
Para Araújo, o cenário exige um novo posicionamento do produtor rural. “Em ambientes de margens mais apertadas, não basta colher bem. É preciso gerenciar risco de preço, planejar vendas e buscar apoio técnico também na área comercial. Produtividades baixas tornam a permanência na atividade cada vez mais difícil”, explica o consultor da Agrinvest Commodities.
Ao final do evento, a avaliação foi positiva tanto do ponto de vista técnico quanto regional. Para Paulo Asunção, o PA Summit cumpriu seu papel ao levar informação estratégica a uma das regiões mais produtivas do Estado. “Quando a eficiência técnica se soma a estratégias inteligentes de comercialização, o resultado vai além da lavoura. Isso fortalece o agro regional, valoriza municípios como Diamantino e mantém o Brasil como referência mundial na produção de alimentos”, concluiu.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
-
Cidades3 dias atrásSanta Rita do Trivelato recebe empresa interessada em estudos sobre potencial de petróleo e gás natural
-
É Direito3 dias atrásJustiça determina reintegração de posse de área de 3,3 mil hectares em Santa Rita do Trivelato
-
Fatalidade3 dias atrásMorador de Sinop morre na guerra Rússia/Ucrânia; “Sinop também derruba drone, derrubei hoje, Lisboa”
-
Acidente3 dias atrásFerrari e Tesla batem durante corrida que aconteceu no Parque Novo Mato Grosso; VÍDEO
-
Justiça3 dias atrásTRE-MT reúne partidos, federações e advogados para debater propaganda, inteligência artificial e regras do processo eleitoral
-
Saúde3 dias atrásDoar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo
-
É Direito3 dias atrásSaga Pantanal é condenada a pagar R$ 10 mil após Fiat Toro dar defeito com uma semana de uso
-
Cidades3 dias atrás“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador










