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Agro Notícias

Chuvas intensas fazem soja germinar no pé e causam prejuízos a produtores

O excesso de chuvas nas últimas semanas em Sorriso e em diversas regiões de Mato Grosso já começa a causar prejuízos significativos aos produtores rurais, especialmente àqueles que realizaram o plantio tardio ou que ainda não conseguiram concluir a colheita.

Produtores relatam que áreas com soja já madura permanecem expostas à umidade constante, o que tem provocado um fenômeno preocupante: a germinação da semente ainda no pé. Em registros feitos no campo, é possível observar grãos brotando dentro das próprias vagens, além de estruturas apodrecidas e comprometidas pela ação prolongada da umidade.

Esse processo ocorre quando a soja atinge o ponto de maturação, mas não é colhida a tempo devido às chuvas frequentes. A umidade elevada cria condições ideais para que a semente inicie o processo de germinação ainda presa à planta, tornando o grão impróprio para comercialização dentro dos padrões exigidos.

Além da germinação precoce, outro problema recorrente é a chamada “soja ardida”, caracterizada por grãos escurecidos e deteriorados, resultado da ação de fungos e da fermentação causada pela exposição prolongada à água. Essa condição reduz significativamente o valor do produto, podendo gerar descontos severos ou até a recusa da carga pelas unidades compradoras.

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O impacto econômico preocupa produtores, já que Mato Grosso é o maior produtor de soja do país, e Sorriso ocupa posição de destaque como um dos principais polos agrícolas do mundo.

Outro fator agravante é a dificuldade de acesso das máquinas às lavouras. O solo encharcado impede a entrada das colheitadeiras em diversas áreas, prolongando ainda mais o tempo de exposição das plantas maduras às condições climáticas adversas.

Especialistas alertam que, quanto maior o período em que a soja permanece no campo após atingir o ponto ideal de colheita, maiores são os riscos de perdas tanto em qualidade quanto em produtividade.

Apesar dos desafios, produtores seguem monitorando as condições climáticas e aguardam janelas de tempo seco para avançar com a colheita e reduzir os prejuízos.

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Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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