Agro Notícias
Amaggi desiste de parceria bilionária com Inpasa e seguirá sozinha em projeto de etanol de milho
A Amaggi e a Inpasa anunciaram nesta terça-feira (14) que decidiram, de forma consensual, encerrar as negociações para criação de uma joint venture destinada à produção de etanol de milho em Mato Grosso. As companhias justificaram a decisão alegando visões distintas sobre a estrutura e a governança do negócio.
Com a desistência da parceria, a Amaggi confirmou que tocará o projeto de forma independente e já deu entrada no pedido de licença de instalação para erguer uma usina em Rondonópolis (215 km de Cuiabá). O investimento previsto é de R$ 2,5 bilhões.
“O processo foi conduzido de forma transparente, colaborativa e com total alinhamento aos princípios de boa governança corporativa”, afirma a nota conjunta. “As companhias reafirmam o respeito e admiração mútua, e permanecerão abertas a avaliar futuras oportunidades de cooperação em áreas de interesse comum”, completam.
O projeto original
A parceria entre Amaggi e Inpasa havia sido anunciada em setembro, com a previsão de construir ao menos três usinas para fabricação de etanol de milho no estado. Além de Rondonópolis, as cidades de Campo Novo do Parecis e Querência também estavam no radar para futuras instalações. As empresas não informaram se esses planos permanecem ativos individualmente.
Sobre a Inpasa
A Inpasa é uma das maiores biorrefinarias de etanol de grãos da América Latina, com foco em inovação e sustentabilidade. Fundada em 2006 no Paraguai e presente no Brasil desde 2018, possui sete plantas industriais em operação — cinco no Brasil e duas no Paraguai —, além de uma unidade em construção na Bahia. A empresa atua na produção de etanol anidro e hidratado, DDGS (utilizado na nutrição animal), óleo de milho e energia renovável.
Sobre a Amaggi
Criada em 1977, a Amaggi é a maior empresa brasileira de grãos e fibras. Atua em toda a cadeia do agronegócio, incluindo produção, processamento, comercialização, transporte fluvial e rodoviário, operações portuárias e geração de energia renovável. Com sede em Cuiabá, mantém operações em todas as regiões do país e em países como Argentina, China, Holanda, Noruega, Suíça e Singapura.
A companhia produz anualmente cerca de 1,5 milhão de toneladas de grãos e fibras e comercializa cerca de 20 milhões de toneladas por ano, mantendo relação com mais de 5,6 mil produtores rurais.
*Com informações de Agro Olhar
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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