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Saúde

SES-MT alerta sobre importância da testagem rápida contra o HIV

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) alerta para a importância da testagem rápida para detecção precoce e tratamento rápido do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Neste mês, é realizada a campanha Dezembro Vermelho, que busca incentivar a população a realizar o teste, conhecer a sua sorologia e, no caso positivo, buscar o tratamento.

Os cidadãos podem comparecer à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, aos Serviços de Assistência Especializada (SAE) e aos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) para realizar o teste gratuitamente; o resultado é fornecido em menos de 30 minutos.

Também estão disponíveis testes para outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e hepatite B e C.

“O Estado tem implementado diversas estratégias em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, para orientar as unidades de saúde sobre a necessidade de ampliação da oferta das testagens rápidas para o HIV, para que a população tenha acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento imediato e à supressão viral pelo uso contínuo de antirretrovirais”, destacou a secretária adjunta de Atenção e Vigilância à Saúde da SES em substituição, Alessandra Moraes.

O HIV é um vírus que ataca o sistema imunológico do indivíduo e enfraquece a capacidade do corpo de combater infecções e outras doenças. Quando não tratado, ele evolui para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, popularmente conhecida como Aids, estágio mais avançado da infecção e que ataca todo o sistema imunológico.

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Segundo Maria José Santos, da área técnica do HIV/Aids na Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da SES, os casos diagnosticados são encaminhados imediatamente aos Serviços de Assistência Especializada (SAE), onde é iniciado o tratamento com terapia antirretroviral.

“Quando bem tratada, a pessoa infectada pode alcançar uma carga viral indetectável em menos de seis meses e o vírus passa a ser intransmissível, o que é crucial para interromper o ciclo de transmissão sexual do HIV, conhecido como “Indetectável = Intransmissível”. Além disso, o uso contínuo e adequado dos medicamentos antirretrovirais permite a recuperação do sistema imunológico do paciente”, afirmou.

Outras ferramentas de prevenção incluem preservativos, Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e serviços de redução de danos para pessoas que usam drogas injetáveis.

“Em Mato Grosso, a forma de transmissão de maior relevância é sexual, principalmente entre as pessoas autodeclaradas heterossexuais. Isso desmistifica o foco na população LGBT, ajudando a diminuir estigma que paira sobre esse segmento desde do início da pandemia”, acrescentou.

Entre 2019 e 2025, foram diagnosticados 6.456 casos de HIV em Mato Grosso, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). No mesmo período, 2.469 casos de Aids foram notificados no Estado. Em relação aos óbitos por Aids, o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) registrou, entre 2019 e 2025, um total de 1.224 mortes pela doença em Mato Grosso.

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A SES distribuiu 304.770 testes de HIV aos municípios neste ano, sendo que 210.901 foram aplicados até novembro.

Além disso, profissionais da SES realizam capacitação para ampliar a capilaridade da rede de unidades de saúde que realizam testagem em todas as 16 regionais de saúde e seus municípios de abrangência.

Em Mato Grosso, há 32 Serviços de Assistência Especializada (SAE) no atendimento de pessoas vivendo com HIV/Aids/HV nos municípios de Água Boa, Alta Floresta, Barra do Garças, Bom Jesus do Araguaia, Cáceres, Canarana, Colíder, Confresa, Cuiabá, Diamantino, Gaúcha do Norte, Guarantã do Norte, Itaúba, Itiquira, Juara, Juína, Lucas do Rio Verde, Marcelândia, Nova Canaã do Norte, Nova Mutum, Nova Xavantina, Peixoto de Azevedo, Primavera do Leste, Querência, Ribeirão Cascalheira, Rondonópolis, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra e Várzea Grande.

O Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), unidade administrada pela SES, também dispõe de um SAE, cujo local é referência para os casos agravados e também para os municípios em que não possuem um SAE.

O Cermac capacita os profissionais dos SAE implantados ou em processo de implantação quanto ao manejo clínico e terapêutico dos pacientes com diagnóstico confirmado de HIV/AIDS e hepatites virais.

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Saúde

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.

Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.

No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.

“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.

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A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.

Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.

“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.

De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.

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“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.

A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.

“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.

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