Saúde
Pacientes de Sinop ficam sem transporte da Saúde em Nova Mutum

Encaminhados pela rede municipal, pacientes relatam abandono na rodoviária após ônibus não concluir trajeto até hospital; Prefeitura apura falha
por Daniel Trindade
Pacientes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde de Sinop ao Hospital Hilda de Oliveira relataram ter ficado sem assistência após o transporte público de saúde encerrar o trajeto na rodoviária de Nova Mutum, nesta quinta-feira (19). Segundo os relatos, não houve transbordo até a unidade hospitalar, o que deixou pessoas desassistidas, inclusive pacientes com cirurgias previamente agendadas.
Registros em vídeo enviados ao Portal Deixa Que Eu Te Conto mostram diversos pacientes aguardando no terminal rodoviário após o desembarque. Nas imagens, um dos pacientes relata que o motorista informou que a responsabilidade do transporte se limitava ao trajeto até a rodoviária.
“Todo mundo abandonado aqui. Trouxeram no ônibus de linha. O ônibus disse que a responsabilidade deles era só até a rodoviária de Mutum. Estamos todos abandonados aqui. Tem pessoas para cirurgia, um monte de gente. Os que podem estão pegando aplicativo, e os que não podem já vêm aqui sofrendo”, diz o relato registrado no local.
De acordo com as informações recebidas pela reportagem, parte dos pacientes precisou buscar meios próprios para chegar ao hospital, enquanto outros permaneceram na rodoviária sem condições físicas ou financeiras de seguir viagem. A situação levantou questionamentos sobre a logística do transporte de pacientes para tratamento fora do domicílio e a ausência de suporte no deslocamento final até a unidade hospitalar.
Diante do ocorrido, o Portal Deixa Que Eu Te Conto solicitou posicionamento oficial da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura de Sinop para fins de publicação, questionando o motivo da interrupção do transporte até o hospital, quais medidas estariam sendo adotadas para garantir o deslocamento imediato dos pacientes e a justificativa para a falta de integração entre a rodoviária e a unidade de saúde em Nova Mutum.
Em resposta, a Prefeitura de Sinop encaminhou a seguinte nota oficial, reproduzida na íntegra:
“NOTA OFICIAL – PREFEITURA DE SINOP / SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE
A Secretaria Municipal de Saúde de Sinop informa que após tomar conhecimento dos relatos envolvendo pacientes encaminhados ao município de Nova Mutum, que teriam ficado sem o devido suporte para deslocamento até a unidade hospitalar, já está tomando providências.
O serviço de transporte é realizado por meio de empresa contratada via processo licitatório, que deve garantir o deslocamento completo e adequado dos pacientes até o destino final. Diante dos fatos relatados, a Secretaria já iniciou a apuração imediata do ocorrido e adotará as providências cabíveis junto à empresa responsável, pois a Prefeitura de Sinop não admite qualquer falha que comprometa o atendimento e a dignidade dos pacientes.
Paralelamente, a licitação vigente já está sendo analisada em conjunto com o setor jurídico da Prefeitura, com vistas à contratação de uma nova empresa que assegure a prestação do serviço com a qualidade, a responsabilidade e o cuidado que os pacientes de Sinop merecem.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que segue acompanhando a situação e tomando todas as medidas necessárias para garantir a continuidade e a segurança no transporte dos pacientes.
Prefeitura de Sinop
Diretoria de Comunicação”
O Portal Deixa Que Eu Te Conto segue acompanhando o caso e permanece aberto a novos esclarecimentos por parte da Secretaria Municipal de Saúde ou da empresa responsável pelo transporte.
Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.
Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.
No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.
“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.
A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.
Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.
De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.
A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.
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