Saúde
Mato Grosso zera fila de espera por leitos públicos de UTI

Nos últimos 14 dias, ocupação hospitalar caiu de 97% para 93% – Foto por: Christiano Antonucci | Secom
Mato Grosso zerou a fila de espera por leitos públicos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid-19, conforme Boletim Epidemiológico desta quinta-feira (22.04).
O Estado registrava filas há cerca de 50 dias e chegou a ter mais de 200 pessoas em espera por tratamento intensivo, porém a ação intensa do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) e em parceria com as prefeituras, garantiu a abertura de 104 leitos de UTI entre os meses de março e abril, o que provocou a redução do número de pacientes em espera por leito.
No dia 12 de abril, o Painel Interativo Covid-19 apontava que 85 pessoas esperavam por um leito intensivo. Na segunda-feira (19.04), o número já era de 33 e reduziu para zero nesta quinta-feira.
O epidemiologista e secretário adjunto de Vigilância à Saúde, Juliano Melo, reforça, no entanto, que o cenário de ocupação hospitalar ainda é crítico e que as medidas preventivas precisam continuar a ser seguidas.
“É perceptível que os indicadores caíram nos últimos 14 dias e isso é positivo, mas precisamos reforçar que ainda estamos registrando altos números de infectados e hospitalização. É essencial que as medidas de prevenção sejam seguidas”, enfatizou o gestor.
A análise dos dados epidemiológicos ainda aponta para a tendência de queda nas taxas de ocupação hospitalar, do número de pessoas infectadas por dia e de óbitos por Covid-19.
Nos últimos 14 dias, a ocupação hospitalar caiu de 97% para 93% em UTIs e de 58% para 51% em enfermarias. Nesta semana, houve a redução de cerca de 20% no número total de óbitos, em comparação à semana anterior.
Contudo, os dados variam de acordo com o cenário da pandemia e com a circulação de novas variantes, visto que os indicadores estão diretamente associados ao comportamento da população em relação ao vírus.
A intensificação da imunização também pode ter contribuído para a tendência de queda das taxas de contaminação, mas o epidemiologista pontua que o comportamento do vírus segue um padrão cíclico – por isso a importância do distanciamento social e das medidas de biossegurança.
“A vacinação pode ter influenciado neste cenário, mas tudo indica que estamos iniciando a fase de desaceleração do ciclo atual epidêmico. É preciso cautela por parte da população, pois ciclos infecciosos são naturais para o vírus e suas mutações. É imprescindível que a imunização esteja aliada às demais medidas de prevenção, para que ela tenha uma efetividade maior e impacte a transmissibilidade do vírus”, concluiu.
Fonte: Governo de Mato Grosso
Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.
Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.
No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.
“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.
A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.
Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.
De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.
A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.
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