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De saída do PSD, Nininho critica ‘radicalismo’ do agro e defende Fávaro: “precisa ser respeitado”

O deputado estadual Nininho (PSD) saiu em defesa do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e criticou setores radicais do agronegócio que, segundo ele, atacam Fávaro por questões partidárias. Nininho afirmou que a crítica ao colega de partido é baseada mais em seu alinhamento político com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que na sua gestão à frente do Ministério da Agricultura.

“O agro tem se manifestado mais por seu posicionamento político, e não pela gestão. São pessoas radicais que acreditam que criticar vai resolver o problema. Fávaro é do estado, é produtor, e, independentemente da questão partidária, merece ser tratado com respeito”, disse Nininho em entrevista, destacando que a crítica desenfreada não contribui para o avanço do setor agropecuário.

Em relação à atuação de Fávaro no ministério, o deputado elogiou o trabalho do ministro, especialmente no que tange à abertura de novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, apesar das divergências internas do setor. Para Nininho, Fávaro tem se destacado pela sua gestão pragmática e pelo apoio aos produtores.

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Apesar da defesa do colega, Nininho confirmou que pretende deixar o PSD. Segundo o deputado, sua decisão de se desvincular do partido já está tomada, embora ele aguarde o momento oportuno para formalizar a saída, que deve ocorrer antes da Janela Partidária de março de 2026.

“Já tomei minha decisão, só estou aguardando o momento certo para oficializar a saída. Talvez saia antes da Janela, até para não gerar desconforto no partido. Em breve, vou conversar com o Fávaro e pedir para ser liberado. Essa decisão já está tomada”, explicou.

De acordo com a legislação eleitoral, Nininho não pode formalizar a troca de partido antes da Janela Partidária, mas o parlamentar afirmou que está se distanciando do PSD e tem evitado manter contatos frequentes com Fávaro para não gerar especulações. Ele também mencionou a possibilidade de ingressar no Republicanos, partido com forte presença no cenário político nacional, e que tem o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“Tenho simpatia pelo Republicanos, principalmente pelo histórico do partido e pela liderança do governador Tarcísio de Freitas, que admiro muito e tenho afinidade com o perfil dele”, concluiu Nininho, deixando em aberto a definição sobre sua nova legenda.

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Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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